professora em sala de aula com alunos
Educador Gestão Escolar

Bons professores: o que a gestão escolar tem a ver com isso? 

Por Raquel Tiburski

Estimativa de leitura: 9min 8seg

2 de julho de 2026

Bons professores não surgem do nada, existem onde há boa gestão. Descubra o que fazer para que floresçam em sua escola. 

Você lembra o nome de uma professora ou de um professor que mudou algo em você? Não precisa pensar muito, pois esse rosto surge rapidamente: aquela pessoa que ensinava de um jeito diferente, que te via, que acreditava naquilo que você ainda não sabia ser capaz de fazer. Bons professores deixam marcas. Não no caderno, mas na vida. 

Tanto é que, outro dia, ouvi uma diretora escolar dizer algo que ficou ecoando na minha cabeça: 

“Há professores que entram na sala e entregam conteúdo, e há professores que mudam a vida de um estudante.” 

Talvez seja exatamente por isso que falar sobre bons professores nunca tenha sido tão urgente. Mas aqui está a pergunta que poucos fazem em voz alta: Quem garante que esses professores existam dentro da escola? 

Em um tempo em que as escolas precisam lidar simultaneamente com a recomposição da aprendizagem, a saúde emocional, o excesso de telas, a personalização do ensino e as rápidas mudanças no comportamento das famílias, o papel do professor deixou de ser apenas pedagógico. Hoje, ele é também humano, estratégico, emocional e inspirador

E isso muda tudo, porque bons professores não surgem por acaso. Eles precisam de: 

  • apoio. 
  • tempo. 
  • reconhecimento. 
  • uma escola que também ensine aqueles que ensinam. 
  • uma escola que cuide de quem ensina. 

Aliás, talvez essa seja uma das reflexões mais importantes para os gestores escolares atualmente: bons professores raramente aparecem em ambientes desorganizados, exaustos e sem estrutura

professores reunidos em reunião

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Bons professores não nascem prontos 

Existe uma ideia perigosa na educação: a de que alguns educadores simplesmente “têm dom”. Claro, paixão, vocação e sensibilidade são importantes. 

No entanto, reduzir a excelência docente apenas ao talento natural leva muitas escolas a ignorar algo essencial: o ambiente influencia diretamente a qualidade do ensino

Organizações internacionais como a Unesco alertam para uma escassez global de milhões de professores nos próximos anos. Além disso, muitos profissionais relatam sobrecarga emocional, excesso de tarefas administrativas e dificuldade para manter o engajamento em sala de aula. 

Enquanto isso, escolas que conseguem fortalecer vínculos, incentivar a criatividade e investir em formação contínua costumam construir equipes mais estáveis, inovadoras e inspiradoras.  

Ou seja, bons professores e professores excelentes também são resultado da cultura da escola, e isso é responsabilidade da gestão

A verdade que os números confirmam 

Em 2024, o Instituto Península, em parceria com a FGV, publicou um estudo inédito que deveria estar sobre a mesa de todo gestor escolar do Brasil: “A qualidade do professor brasileiro”.  

A pesquisa desenvolveu o primeiro índice de qualidade do professor brasileiro, e o resultado é claro: esses índices têm um impacto maior do que outros fatores, como infraestrutura, número de alunos por turma e até o nível de escolaridade dos responsáveis, por exemplo. 

A qualidade docente explica até:  

  • 65,7% do aprendizado dos alunos no Ensino Fundamental.  
  • 47% no Ensino Médio.  

Leia novamente, com calma. 

Mais da metade do que um aluno aprende, ou deixa de aprender, depende do professor que está à sua frente. 

Pesquisas indicam que a qualidade do professor pode explicar até 60% dos resultados de aprendizagem dos alunos do Ensino Fundamental no Brasil, segundo informações do site PEBSP. Mesmo assim, ainda tratamos a valorização e o desenvolvimento docente como pautas secundárias, algo a ser resolvido “quando sobrar tempo”. 

Mas, na verdade, não sobra tempo… e o custo dessa omissão é alto. 

enade licenciaturas

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Ser um bom professor não é dom, é construção 

Há um equívoco comum na gestão escolar: achar que professores excelentes chegam prontos. É como se a paixão pela educação fosse uma característica inata, um talento que alguns têm e outros não. 

A realidade é mais complexa e, sem dúvida, muito mais interessante. 

Bons professores têm características em comum 

  • Pensamento crítico. 
  • Criatividade genuína.  
  • Capacidade de mediação.  
  • Domínio de tecnologia. 
  • Postura empreendedora. 
  • Comunicação clara. 
  • Adaptabilidade. 
  • Paixão pelo que fazem e pelas pessoas que ensinam. 

Mas essas características não florescem sozinhas, no vácuo. Elas precisam de ambiente, de estímulo, de reconhecimento e, principalmente, de uma gestão que compreenda seu papel nesse processo

Um professor nota 10 não vive isolado. Ao contrário, ele faz parte de uma cultura escolar que o sustenta

A pergunta que a gestão precisa responder 

Aqui está a provocação central desta coluna: Sua escola é o tipo de lugar onde um professor excelente gostaria de permanecer? 

No Brasil, segundo o Sinepe-RS, até mesmo as escolas privadas que contam com infraestrutura superior às públicas, frequentemente enfrentam desafios para garantir a atualização e a qualificação constante de seus educadores. Não por falta de intenção, mas por falta de sistemas, de processos estruturados, de uma cultura de formação continuada e de liderança que reconheça esse valor

O professor inesquecível não nasce memorável, ele precisa de condições para isso. Entre outros fatores e condições, bons professores precisam de: 

  • tempo para planejar. 
  • acesso a dados sobre seus alunos. 
  • comunicação fluida com a gestão. 
  • rotinas que não o sobrecarreguem com burocracia. 
  • uma escola que funcione, para que ele possa ensinar. 

E aqui entra algo que a gente no supersistema Diário Escola observa com frequência: quando a gestão escolar é desorganizada, quem mais paga o preço são os professores

Porque eles absorvem o caos: respondem a recados que deveriam ter chegado antes, repassam informações que deveriam estar centralizadas e, como resultado, perdem energia preciosa em tarefas que não lhes competem. Por isso, um professor criativo e engajado em uma escola desestruturada é como um motor potente em uma estrada cheia de buracos.

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Dados ratificam o sentimento de urgência 

Em 2025, o Inep avaliou 4.547 cursos de formação de professores no país – 1.127 EaD (Educação a Distância) e 3.420 na modalidade presencial. Entre os concluintes das licenciaturas que estudaram em cursos na modalidade EaD, 53,1% apresentaram desempenho insuficiente. Nesse sentido, o governo federal determinou a extinção de todos os cursos de licenciatura 100% EaD até maio de 2027

Isso significa algo claro: o Brasil enfrenta problema sério na formação inicial dos docentes, o que torna o papel da escola na formação continuada e no desenvolvimento de seus professores ainda mais estratégico

Segundo estudos da agência de jornalismo e soluções de comunicação Porvir, pesquisas de 2025 revelam que a insegurança e o medo de represálias têm provocado silêncio forçado nas salas de aula

Os resultados impactam diretamente a saúde emocional dos docentes e, consequentemente, a qualidade do que é ensinado. Afinal, professores inseguros não inovam, não arriscam e tampouco transformam. 

Por isso, a gestão que ignora o clima emocional de seu corpo docente não está apenas perdendo qualidade pedagógica, sobretudo, está perdendo bons professores

Um professor excelente é resultado de uma escola excelente 

professora

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Existe uma frase que uso muito nas conversas com gestores e diretores de escola: “O professor que você tem é, em parte, o professor que a sua escola produziu.” 

Isso não é um julgamento, mas sim um convite. Afinal: 

  • um educador inovador floresce onde há liberdade pedagógica.  
  • um mestre afetivo se mantém quando sente que a gestão o valoriza.  
  • um professor motivador permanece motivado ao perceber que a comunicação interna funciona, que os processos fazem sentido e, principalmente, que a escola tem um propósito claro. 

Por isso, uma gestão escolar eficiente vai muito além de matrículas e mensalidades. Antes de tudo, ela cria as condições para que professoras e professores extraordinários possam desempenhar um trabalho igualmente extraordinário

índice de qualidade de professores

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Quer aprofundar essa conversa? 

No blogDE, exploramos profundamente esse tema. Mapeamos as principais características que definem bons professores, desde a criatividade até a postura empreendedora, incluindo o pensamento crítico e o trabalho colaborativo, por exemplo. Além disso, também discutimos o que as escolas precisam fazer para cultivar esses professores excelentes

Clique no hiperlink para acessar agora o texto completo: As principais características do bom professor

Você encontrará um conteúdo prático, profundo e direto, destinado a gestores que levam a sério o que acontece em suas salas de aula

Porque, no fim das contas, a escola que transforma é aquela que investe nas pessoas que promovem a transformação: os bons professores

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Raquel Tiburski
Sócia-fundadora do superApp Diário Escola, tem expertise em negociação e liderança. Ama a filha Felícia, as cadeladies e a gata Perry.
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