A inteligência artificial pode contribuir para promover o desenvolvimento de novas práticas de ensino e aprendizagem, mas ainda é preciso encontrar os melhores caminhos para sua utilização.
Nas últimas décadas, o desenvolvimento de novas tecnologias provocou grandes mudanças na forma como nos relacionamos com o saber. Isso impactou as práticas de estudo e de ensino em sala de aula, trazendo novos desafios aos professores. O surgimento dos chatbots com inteligência artificial, sendo o ChatGPT o mais famoso deles, não foi diferente.
Essa nova tecnologia vem sendo apresentada na mídia como uma grande revolução na forma como as pessoas fazem pesquisas e se relacionam com os mais variados saberes. Com uma plataforma de uso muito simples, o ChatGPT e tecnologias semelhantes podem ser utilizados para responder perguntas a respeito de temas científicos, culturais ou sociais de forma rápida e direta. Em poucos minutos, é possível obter um resumo a respeito de teorias científicas complexas ou mesmo uma pequena dissertação a respeito dos mais variados processos históricos.
Tal facilidade desperta desconfiança e críticas. Há pessoas que alertam para os limites dessa tecnologia, que pode reproduzir informações incorretas ou enviesadas, já que ela mobiliza bases de dados para a composição de suas respostas. Nesse caso, base de dados limitadas ou mesmo com viés político e social poderiam resultar em sínteses que levem o usuário ao engano, especialmente em caso de assuntos que desconhece ou que conhece apenas de forma introdutória.
Outro problema apontado por muitos especialistas é o risco de plágio ou do uso da inteligência artificial para a criação de textos autorais.
Um estudante, por exemplo, pode utilizar a ferramenta para a elaboração de uma dissertação completa, sem precisar pesquisar e compor ele próprio o texto. Nesse caso, seria correto considerar o trabalho como uma produção autoral ou um caso de plágio? Como avaliar essa atividade? Tal problema é bastante complexo e ainda não existem soluções definitivas para estabelecer os limites e regras de uso das inteligências artificiais em diversos campos da vida social.
Ainda assim, é possível pensar em soluções práticas de grande valia para o uso desse tipo de tecnologia em sala de aula ou para a preparação de atividades e propostas pedagógicas. Nesse caso, é possível destacar dois usos principais dessa ferramenta: a estruturação de atividades e o levantamento bibliográfico introdutório.
Uma das grandes dificuldades de muitos estudantes é estruturar suas atividades, como seminários, dissertações, monografias ou ensaios. Esses procedimentos fazem parte da metodologia básica de pesquisa científica, sendo fundamental explorá-los com os estudantes em sala de aula. Assim, é possível utilizar o ChatGPT para construir estruturas básicas para a realização de atividades.
É possível, por exemplo, utilizar o comando para a apresentação de uma estrutura básica de seminário de História na plataforma da inteligência artificial, recebendo orientações a respeito da divisão do seminário em tópicos variados (como introdução, contexto, característica do processo histórico, desdobramentos, etc.). Desse modo, o estudante tem a oportunidade de conhecer melhor as etapas dessa atividade, tendo mais autonomia para a realização de suas atividades.
Um exemplo: Do ponto de vista metodológico, quais as etapas que preciso seguir para montar e apresentar um seminário?

Outro uso pedagógico muito interessante é solicitar a apresentação de uma bibliografia introdutória a respeito de determinado assunto. Nesse caso, basta utilizar um comando descrevendo o tema que se deseja estudar e a ferramenta fornece uma lista de obras clássicas ou relevantes para a questão. Desse modo, é possível organizar rapidamente um levantamento bibliográfico que pode auxiliar a pesquisa e servir como ponto de partida para a realização de outras atividades.

Esses dois usos são exemplos de como as plataformas de inteligência artificial podem contribuir para o desenvolvimento da pesquisa e da aprendizagem sem resultar na simples reprodução de conteúdo pronto. Além disso, quando usada como uma ferramenta para o estudo, é possível evitar o risco de reprodução de erros ou vieses, já que sua utilização é o ponto de partida para outras atividades.
O uso de ferramentas de inteligência artificial apresenta grandes desafios, mas assim como outras ferramentas, pode contribuir para o desenvolvimento de novas práticas de ensino e aprendizagem que contribuam para o maior envolvimento de professores e estudantes em atividades essenciais para o desenvolvimento de competências e habilidades e do pensamento crítico. Por isso, é muito importante conhecer as potencialidades e limitações dessas ferramentas de modo a encontrar os melhores caminhos para sua utilização.









