Mais do que uma data comemorativa, o Dia da Árvore pode ser um ponto de partida para investigar a natureza, discutir mudanças climáticas e biodiversidade e transformar a Educação Ambiental em uma prática permanente na escola.
Árvores no pátio, folhas caídas no chão, frutos, sementes, sombras e até a ausência de áreas verdes no entorno da escola podem se transformar em oportunidades de aprendizagem.
No Dia da Árvore, esses elementos ajudam o professor a aproximar temas ambientais da realidade dos estudantes e a mostrar que cuidar do meio ambiente não é uma questão distante do cotidiano.
Por que 21 de setembro é o Dia da Árvore?
O Dia da Árvore é tradicionalmente celebrado em 21 de setembro no Brasil porque a data antecede a chegada da primavera no Hemisfério Sul, que ocorre, em geral, entre os dias 22 e 23 de setembro. A proximidade com a nova estação reforçou o simbolismo de renovação da natureza e tornou o período propício para ações de conscientização sobre a preservação das árvores e das florestas.
A história da celebração no país, porém, começou antes. A primeira Festa das Árvores realizada no Brasil ocorreu em 7 de junho de 1902, em Araras (SP). Idealizada pelo naturalista Alberto Löfgren, então diretor do Horto Botânico de São Paulo, a iniciativa reuniu cientistas, autoridades e centenas de crianças e já tinha um forte caráter educativo, buscando despertar o respeito pelas árvores.
Em 1965, o Decreto Federal nº 55.795 instituiu a Festa Anual das Árvores, em substituição ao então chamado Dia da Árvore. A norma estabeleceu como objetivos difundir conhecimentos sobre a conservação das florestas e divulgar a importância das árvores para o bem-estar da população.
O decreto também considerou as diferenças climáticas do território brasileiro. Por isso, determinou a realização da Festa Anual das Árvores na última semana de março em estados das regiões Norte e Nordeste e na semana iniciada em 21 de setembro nos estados das regiões Sul, Sudeste e parte do Centro-Oeste e no Distrito Federal.
Apesar dessa particularidade legal, 21 de setembro permaneceu popularmente consolidado como o Dia da Árvore no Brasil e continua sendo utilizado por órgãos públicos e instituições como uma data de conscientização ambiental.
Para a escola, conhecer essa história também é uma oportunidade de mostrar aos estudantes que as datas comemorativas podem ser pontos de partida para investigar questões maiores, como biodiversidade, conservação das florestas, arborização urbana e mudanças climáticas.

O que é Educação Ambiental?
A Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA), instituída pela Lei nº 9.795/1999, define Educação Ambiental como os processos pelos quais indivíduos e coletividades constroem valores, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltados à conservação do meio ambiente e à sustentabilidade.
A legislação também estabelece um ponto fundamental para o planejamento do professor: a Educação Ambiental é um componente essencial e permanente da Educação nacional e deve estar presente de maneira articulada em todos os níveis e modalidades de ensino.
Isso significa que trabalhar Educação Ambiental não deve ser uma ação restrita ao Dia da Árvore, ao Dia Mundial do Meio Ambiente ou a uma semana temática.
A própria legislação determina que ela seja desenvolvida como uma prática educativa integrada, contínua e permanente e, como regra, não como uma disciplina isolada.
Na prática, o tema pode atravessar Ciências, Geografia, História, Matemática, Língua Portuguesa e Arte, além dos campos de experiência da Educação Infantil.
Por que trabalhar Educação Ambiental na escola?
A escola ocupa uma posição estratégica porque pode transformar questões ambientais, muitas vezes apresentadas de maneira abstrata, em problemas que os estudantes conseguem observar e investigar.
Onde vai parar a água da chuva que cai no pátio? Há árvores no caminho entre casa e escola? Quais animais dependem delas? Por que algumas regiões da cidade são mais arborizadas do que outras? O que acontece quando uma árvore é retirada? Como o aumento das temperaturas afeta a comunidade?
Perguntas como essas ajudam a deslocar o estudante da posição de quem apenas recebe informações para a de quem observa, formula hipóteses, pesquisa, compara dados e propõe soluções.
A legislação brasileira reforçou ainda mais essa perspectiva nos últimos anos. A Lei nº 14.926/2024 alterou a Política Nacional de Educação Ambiental para incorporar explicitamente temas relacionados às mudanças climáticas, proteção da biodiversidade, riscos e vulnerabilidades a desastres socioambientais. A norma também assegura a inserção desses assuntos nos projetos institucionais e pedagógicos da Educação Básica e da Educação Superior.
Para o educador: Educação Ambiental não significa apenas ensinar comportamentos como “não jogar lixo no chão” ou “economizar água”. Ela também envolve compreender relações entre sociedade e natureza, investigar problemas ambientais, discutir responsabilidades e pensar formas individuais e coletivas de intervenção.
7 atividades para trabalhar o Dia da Árvore na escola
O Dia da Árvore pode ser trabalhado a partir de experiências que aproximem os estudantes da natureza e estimulem observação, investigação, criatividade e consciência ambiental. Mais do que falar sobre a importância das árvores, a proposta é criar situações em que crianças e adolescentes possam observar o ambiente, formular perguntas, pesquisar e compreender as relações entre vegetação, biodiversidade, clima e qualidade de vida.
Veja algumas atividades que podem ser adaptadas para diferentes etapas da Educação Básica.

1. Faça uma expedição investigativa pela escola
Comece explorando um ambiente que faz parte do cotidiano dos estudantes: a própria escola.
Organize uma caminhada pelo pátio e, quando possível, pelo entorno. Durante o percurso, incentive a turma a observar as árvores e outros elementos da vegetação. Algumas perguntas podem orientar a investigação:
- Quantas árvores encontramos?
- Todas são iguais?
- Quais possuem flores ou frutos?
- Que animais aparecem perto delas?
- Onde encontramos mais sombra?
- Existem espaços da escola sem nenhuma vegetação?
- Como é o solo próximo às árvores?
O professor pode registrar as perguntas e as descobertas da turma para retomá-las nas aulas seguintes. Na Educação Infantil, a exploração pode envolver os sentidos, com observação de cores e formas, contato com diferentes texturas e percepção dos sons e cheiros presentes no ambiente.
Atividades de campo e de interação com o meio são apontadas como estratégias capazes de ampliar as possibilidades de exploração e contribuir para a sensibilização dos estudantes diante das questões ambientais.
2. Crie um inventário das árvores da escola
Depois da observação inicial, a turma pode investigar quais árvores existem no espaço escolar.
Divida os estudantes em grupos e proponha a criação de fichas com informações como nome popular da espécie, características das folhas, presença de flores ou frutos, tamanho aproximado e localização.
Não é necessário que todas as respostas sejam conhecidas inicialmente. Uma árvore não identificada pode justamente se transformar em uma questão de pesquisa.
Com estudantes maiores, o trabalho pode incluir a investigação sobre espécies nativas e exóticas, biodiversidade e características da vegetação local. Ao final, a turma pode produzir um mapa das árvores da escola, físico ou digital.
3. Promova uma contação de histórias ao ar livre
Literatura e Educação Ambiental podem caminhar juntas.
Escolha livros que abordem árvores, florestas, animais, sementes ou relações entre seres humanos e natureza e, se houver condições, realize a leitura em um espaço arborizado da escola.
Duas sugestões para trabalhar o tema são:

A reforma da natureza, de Monteiro Lobato — indicada para leitores de 9 a 11 anos, a obra acompanha as ideias de Emília para “reformar” a natureza e pode abrir espaço para conversas sobre as relações entre seres humanos e o mundo natural. A edição conta ainda com versão para o professor, com conteúdo destinado ao trabalho em sala de aula.

Show da natureza, de Flávia Muniz — indicada para crianças de 3 a 8 anos, apresenta uma turma que, durante um acampamento, entra em contato com diferentes aspectos e fenômenos da natureza. A obra pode apoiar atividades de observação, descoberta e exploração do ambiente.
Conheça mais no site do Lumisfera.
Depois da história, estimule a conversa:
Por que as árvores são importantes? Quem precisa delas para viver? Como seria esse lugar sem árvores? O que podemos fazer para cuidar delas?
As respostas podem originar desenhos, pinturas, histórias, poemas ou produções coletivas.
A contação de histórias, as músicas e as atividades artísticas também podem funcionar como estratégias para aproximar crianças pequenas das questões ambientais.
4. Compare a temperatura na sombra e no Sol
Qual é a diferença entre permanecer embaixo de uma árvore e ficar em uma área totalmente exposta ao Sol?
Antes de realizar a experiência, peça aos estudantes que formulem hipóteses. Depois, escolha diferentes pontos da escola — como uma área arborizada, um espaço pavimentado e um local aberto — e faça medições de temperatura em horários semelhantes.
Os resultados podem ser organizados em tabelas e gráficos.
A atividade permite integrar Ciências, Geografia e Matemática e abrir discussões sobre arborização urbana, conforto térmico, áreas verdes e ilhas de calor.
5. Faça experiências com sementes
Observar uma semente germinar permite acompanhar processos naturais ao longo do tempo.
A turma pode investigar diferentes sementes e levantar perguntas: todas germinam da mesma maneira? Quanto tempo levam para germinar? De que precisam para crescer? Como as sementes são transportadas pela natureza?
Depois do plantio, os estudantes podem manter um diário de observação, registrando datas, desenhos, fotografias e medidas.
Com crianças pequenas, a atividade pode priorizar observação, comparação e cuidado. Com estudantes maiores, pode envolver formulação de hipóteses e comparação das condições de germinação.
6. Produza um mapa verde do entorno da escola
A Educação Ambiental também pode ajudar os estudantes a olhar criticamente para o território onde vivem.
Utilizando mapas impressos ou ferramentas digitais, proponha o mapeamento das áreas verdes próximas à escola. A turma pode identificar praças, parques, ruas arborizadas e locais com pouca ou nenhuma vegetação.
Depois, discuta:
- Todas as áreas possuem a mesma quantidade de árvores?
- Quais espaços oferecem mais sombra?
- Há locais que poderiam receber mais vegetação?
- Como a presença ou a ausência de árvores interfere na qualidade de vida das pessoas?
A investigação permite relacionar o Dia da Árvore a questões mais amplas, como urbanização, mudanças climáticas, qualidade de vida e desigualdades socioambientais.
7. Transforme as descobertas em uma ação ambiental
Para finalizar — ou dar continuidade — ao trabalho, proponha que os estudantes utilizem o que aprenderam para desenvolver uma ação concreta.
A turma pode produzir placas educativas para as árvores da escola, apresentar o inventário para outras classes, criar uma exposição, desenvolver uma campanha de conservação, elaborar propostas para melhorar os espaços verdes ou compartilhar as descobertas com as famílias.
O plantio de árvores também pode fazer parte da proposta, desde que seja acompanhado de planejamento. Antes de plantar, os estudantes podem pesquisar quais espécies são adequadas ao espaço, quanto podem crescer, quais condições de solo e luminosidade necessitam e quem ficará responsável pelos cuidados posteriores.
Dessa maneira, o plantio deixa de ser uma ação simbólica realizada apenas no Dia da Árvore e passa a envolver pesquisa, planejamento, acompanhamento e responsabilidade coletiva.
Mais importante do que realizar todas essas atividades é permitir que uma experiência leve à outra. Uma caminhada pelo pátio pode gerar uma pergunta; a pergunta pode originar uma pesquisa; a pesquisa pode revelar um problema; e o problema pode mobilizar os estudantes para uma ação.
É justamente nesse percurso que o Dia da Árvore pode se transformar em Educação Ambiental contínua, ultrapassando a comemoração de uma data e ajudando os estudantes a compreender e participar do cuidado com o ambiente em que vivem.








