Inclusão em foco: conheça a trajetória de Dorina Nowill e inspire-se com seu legado.
Quem foi Dorina Nowill?
Algumas mudanças começam quando alguém decide não aceitar que o mundo permaneça como está. Foi assim com Dorina de Gouvêa Nowill, que, ao perder a visão aos 17 anos, vítima de uma doença não diagnosticada, decidiu investir na Educação não apenas como um caminho para si, mas para uma causa: ampliar o acesso ao conhecimento, à autonomia e à participação social para milhares de outras pessoas com deficiência visual.
A história de Dorina Nowill se conecta ao Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, celebrado em 21 de setembro, uma data que nos convida a reconhecer conquistas e a refletir sobre os desafios que ainda existem para construir uma sociedade verdadeiramente acessível e inclusiva.
Conhecer sua trajetória é também entender como a luta por acessibilidade pode transformar vidas, fazendo da deficiência visual sua missão no mundo.

Imagem: fundacaodorina.org.br
A Fundação Dorina Nowill para Cegos foi criada há mais de 80 anos e leva o nome de sua idealizadora. Nela, são oferecidos gratuitamente serviços para pessoas cegas e de baixa visão e suas famílias, nas áreas de educação especial, reabilitação, clínica de visão subnormal e empregabilidade. Mais do que uma fundação, ela deixou a oportunidade de viver com dignidade à pessoa cega e com baixa visão e, às pessoas que enxergam, uma lição de vida.
Marcos na trajetória de quem via o mundo com a alma
A atuação de Dorina Nowill abriu portas e até hoje garante o acesso, a participação e a ocupação de espaços com autonomia:
- Dorina foi a primeira estudante cega a frequentar um curso regular na Escola Normal Caetano de Campos, e conseguiu a integração de outra menina cega num curso regular da mesma escola.
- Percebendo a carência de livros em Braille no Brasil – sistema de escrita e leitura para cegos, criou a então Fundação para o Livro do Cego no Brasil, que iniciou suas atividades em 11 de março de 1946.
- Em 1948, a Fundação para o Livro do Cego no Brasil recebeu, da Kellog’s Foundation e da American Foundation for Overseas Blind, uma imprensa Braille completa, com maquinários, papel e outros materiais.
- Em 1954 ela conseguiu que o Conselho Mundial para o Bem-Estar do Cego se reunisse no Brasil, em conjunto com o Conselho Brasileiro de Oftalmologia e a Associação Panamericana de Saúde. Posteriormente, Dorina colaboraria para a elaboração da Lei de Integração Escolar, regulamentada em 1956.
- De 1961 a 1973, Dorina dirigiu a Campanha Nacional de Educação de Cegos do Ministério da Educação e Cultura (MEC). Em sua gestão foram criados os serviços de Educação de cegos em todas as Unidades da Federação.
- Em 1982, Dorina lutou, também, pela abertura de vagas e encaminhamento das pessoas com deficiência para o mercado de trabalho.
- Em 1983, quando a Conferência da OIT se reuniu no congresso, os representantes do governo brasileiro, dos empresários e dos trabalhadores votaram a favor da proposta do Conselho Mundial para o Bem-Estar do Cego, pela aprovação da Convenção 159 e da Recomendação 16.
Dorina também foi presidente do Conselho Mundial para o Bem-Estar dos Cegos, hoje, União Mundial de Cegos, e recebeu vários prêmios e medalhas nacionais e internacionais ao longo de suas mais de seis décadas de trabalho à frente da Fundação Dorina.
Em 1996 foi lançado o livro Eu venci assim mesmo, traduzido para o espanhol e apresentado na reunião da União Mundial de Cegos na África do Sul, em dezembro de 2004, com distribuição para toda a Europa e América Latina.
Ao completar 90 anos, recebeu diversas homenagens por uma vida dedicada à inclusão. Dorina Nowill faleceu em 29 de agosto de 2010, aos 91 anos de idade.

O que é a Fundação Dorina Nowill para Cegos?
A Fundação Dorina Nowill para Cegos é uma organização sem fim lucrativos, de caráter filantrópico, que dedica décadas à causa das pessoas cegas e com baixa visão.
Uma das formas de trabalho é por meio da produção e distribuição gratuita de livros em Braille, falados e digitais acessíveis:
- São mais de 6 mil títulos, 2 milhões de volumes em Braille e mais de mil títulos neste sistema.
- Foram produzidas mais de 2,7 mil obras em áudio e cerca de outros 900 títulos digitais acessíveis.
- Nos serviços de clínica de visão subnormal, reabilitação e Educação especial, já são mais de 38 mil pessoas atendidas.
Também são oferecidos cursos, capacitações e consultorias.
- O propósito: Promover a inclusão e a acessibilidade às pessoas cegas e com baixa visão, para juntos, transformar vidas e a sociedade.
Dorina em sala de aula: lições de amor
Ao trabalhar a história de Dorina Nowill em sala de aula, professores e estudantes têm a oportunidade de valorizar seu legado em defesa da inclusão e do amor ao próximo. Conheça cinco dicas para engajar os estudantes:

“Vencer na vida é manter-se de pé quando tudo parecer estar abalado. É lutar quando tudo parece adverso. É aceitar o irrecuperável. É buscar um caminho novo com energia, confiança e fé.” – Dorina de Gouvêa Nowill
Dorina buscou envolver a sociedade em uma ampla reflexão do uso do sistema como um instrumento indispensável para as pessoas com deficiência visual, tanto na Educação quanto no exercício da cidadania com maior independência e autonomia.
Uma mulher à frente do seu tempo, que marcou o mundo com perseverança, caridade, resignação e paciência. Seu empreendedorismo mudou a vida de muitas pessoas e todos serão eternamente gratos por sua dedicação.
No Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, lembrar conquistas também é reconhecer que acessibilidade, participação e respeito são direitos e que a construção de uma sociedade inclusiva é uma tarefa de todos nós!
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