conheça as mulheres na ciência
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Mulheres na Ciência: cientistas para conhecer e trabalhar em sala de aula 

Por Maiara Lima

Estimativa de leitura: 14min 53seg

2 de março de 2026

Inspire as suas alunas para um futuro com mais mulheres na Ciência.  

Se eu pedir para você imaginar um cientista nesse exato momento, é bem provável que a imagem que venha à sua mente seja a de um homem de cabelos brancos em um laboratório a frente de uma lousa cheia de fórmulas, não é mesmo?

Isso porque, geralmente, costumamos aprender sobre as contribuições de homens como Einstein, Newton e Darwin na escola, mas falamos pouco sobre as cientistas mulheres que também deixaram sua marca na história. 

De acordo com dados da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), embora as áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM, na sigla em inglês) sejam consideradas fundamentais para as economias nacionais, até o momento, a maioria dos países, independentemente do seu nível de desenvolvimento, não alcançou a igualdade de gênero nessas áreas.

As estatísticas indicam que o desempenho de meninas e meninos é semelhante em ciências e matemática, mas ainda há estereótipos de gênero; muitas meninas não são encorajadas nas áreas de STEM e há poucas escolhas para a sua formação e seu desenvolvimento profissional. 

No Brasil, nós, mulheres, somos 51,8% da população, mas representamos ainda apenas 40,3% da comunidade científica do país, segundo levantamento do Programa Fiocruz Mulheres e Meninas na Ciência. Quando as meninas não têm referências sobre esse campo de atuação durante a sua formação, acabam não tendo interesse ou se vendo nessa área. Por isso é importante apresentarmos todas as possibilidades do universo científico para nossas alunas e mostrar que esse também é um lugar ocupado por mulheres. 

Felizmente, esse não foi o caso para Ana Bonassa, Dra. em Ciências e Laura Marise, Dra. em Biociências e Biotecnologia, criadoras do canal “Nunca vi 1 cientista” que tem a proposta de fazer conteúdo científico para entreter e ensinar de forma bem acessível.  

Reprodução: Youtube 

“Sempre gostei de aprender e cresci dentro da universidade onde meus pais eram funcionários, por isso tive muito contato desde cedo com a pesquisa,” conta Laura. Já para Ana a inspiração veio na graduação: “Me interessei (pela área de Ciências) na faculdade, quando descobri que poderia estudar diabetes. Como minha mãe é diabética, quis pesquisar sobre a doença para ajudar a melhorar o tratamento.” 

O canal das pesquisadoras é certificado pelo “Science Vlogs Brasil”, e se tornou um espaço para tirar dúvidas de todos os tipos, desde quais são as maneiras científicas de curar uma ressaca a como as vacinas agem no corpo. E para aquelas que querem ingressar na área de Ciências ou fazer parte da formação de futuras cientista, a dica é:  

“Persiga o que você deseja fazer/ser, sem dar ouvidos a quem um dia disse que você não pode/não consegue. E escolas estimulem todas as crianças/adolescentes da mesma forma, independente de gênero, além de se esforçarem para mostrar referências femininas, fugindo dos clássicos cientistas homens famosos,” afirmam Laura e Ana do Canal Nunca vi 1 cientista. 

Para ajudar você nessa jornada eu separei algumas cientistas e mulheres incríveis que todo mundo deveria conhecer. 

Mulheres cientistas e suas contribuições para o mundo 

1. Ada Lovelace, a primeira programadora de computadores da história ‎‎

Ada Lovelace foi uma matemática e escritora britânica, reconhecida por ter escrito o primeiro algoritmo a ser processado por uma máquina. Ela também desenvolveu uma visão sobre a capacidade dos computadores irem além de apenas fazer cálculos ou processar números, indo contra o pensamento predominante na época. 

2. Marie Curie, a “mãe da Física Moderna” 

Primeira mulher a conquistar um Prêmio Nobel e a única a ganhar o prêmio em duas áreas distintas (Química em 1903 e Física em 1911), Marie Curie foi uma física e química polonesa-francesa que fez descobertas fundamentais sobre a radioatividade.

Além do estudo pioneiro sobre radioatividade, ela também descobriu técnicas para isolar isótopos radioativos e dois elementos químicos, o polônio e o rádio.  

3. Rosalind Franklin e a descoberta da estrutura do DNA 

Rosalind Franklin foi uma química britânica pioneira em pesquisas de biologia molecular e difração de raios-X. Ela foi responsável por descobrir a estrutura e composição do DNA, porém seus colegas bioquímicos receberam sozinhos os créditos pela descoberta que rendeu o Prêmio Nobel de Medicina em 1962. Sua contribuição foi devidamente reconhecida somente nas últimas décadas. 

4. Florence Sabin, a “primeira-dama da ciência americana”  

Florence Sabin era uma médica cientista, sendo a primeira mulher a ter uma cadeira na Academia Nacional de Ciência dos Estados Unidos por seus estudos sobre os sistemas imunológico e linfático do ser humano.  Ela também se tornou conhecida por sua carreira como ativista e por lutar pelo direito de igualdade para mulheres. 

5. Elizabeth Arden e os primeiros produtos de beleza 

Já ouviu falar nesse nome ou nessa marca? Formada em Enfermagem, Elizabeth Arden foi responsável por criar as primeiras fórmulas dos produtos de beleza. Ela iniciou sua carreira criando cremes para queimaduras em sua própria cozinha, usando leite e gordura, para logo em seguida se dedicar a desenvolver a receita para o creme hidratante perfeito. 

6. Bertha Lutz, a bióloga que lutou pelos direitos das mulheres 

Bertha se formou em Ciências Naturais pela Universidade de Paris em 1918, com especialização em anfíbios. Durante sua estadia, teve contato com a campanha sufragista inglesa. Ao retornar ao Brasil tornou-se a segunda mulher a entrar no serviço público brasileiro como bióloga no Museu Nacional. Além disso, também foi a maior líder na luta pelos direitos políticos das mulheres brasileiras. 

7. Katherine Johnson e os programas espaciais da NASA 

Se você já assistiu ao filme “Estrelas Além do Tempo”, vai gostar de saber que a história que serviu de inspiração para o longa é a de Katherine Johnson. Katherine foi uma matemática afro-americana que trabalhou na NASA e desempenhou um papel essencial para o sucesso dos primeiros programas espaciais dos Estados Unidos. Ela calculou trajetórias, órbitas e janelas de lançamento para várias missões, incluindo a Apollo 11, que levou os primeiros astronautas à Lua. 

8. Nise da Silveira e a revolução no tratamento mental 

Nise da Silveira foi uma médica psiquiatra brasileira, aluna de Carl Jung, que dedicou a sua vida ao trabalho com doentes mentais, sendo radicalmente contra as terapias agressivas usadas à época como a de choque, lobotomia e confinamento.  Seu trabalho é pioneiro na luta antimanicomial e na humanização do tratamento psiquiátrico. 

Cientistas brasileiras da nova geração  

1. Tatiana Coelho de Sampaio 

Tatiana Coelho de Sampaio Foto FAPERJ

Dra. Tatiana Coelho de Sampaio é bióloga e professora da UFRJ, reconhecida por sua pesquisa pioneira em biologia regenerativa. Ela desenvolveu a polilaminina, um composto derivado da laminina capaz de estimular a regeneração neural.  

Em 2026, o tratamento experimental mostrou resultados inéditos, permitindo que pacientes com lesões medulares recuperassem movimentos. A Anvisa aprovou a fase 1 dos estudos clínicos, consolidando a pesquisa como uma das mais promissoras da medicina brasileira.

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2. Jaqueline Goes de Jesus

Foto: Instagram 

Biomédica e doutora em Patologia Humana e Experimental, Jaqueline Goes de Jesus integrou a equipe que mapeou os primeiros genomas do novo coronavírus no Brasil, em apenas 48 horas após a confirmação do primeiro caso da doença no país. Para se ter uma ideia, em outros países, o mesmo mapeamento foi realizado em aproximadamente 15 dias. Em 2021, Jaqueline Goes de Jesus foi uma das escolhidas pelo projeto especial da Mattel – fabricante da boneca Barbie – para homenagear cientistas de vários países que atuaram no combate a Covid-19.

Em 2025, inaugurou o Instituto Jaqueline Goes – Ciência Entre Nós, uma proposta de mentoria e tutoria voltada para mulheres do Ensino Médio e Superior, com o objetivo de ampliar o acesso delas à carreira científica. Segundo a biomédica, o projeto é um compromisso com o futuro de meninas e mulheres negras e de outros grupos historicamente marginalizados. 

3. Nadia Ayad

Foto: Instagram 

Nadia é uma cientista brasileira formada em engenharia de materiais pelo Instituto Militar de Engenharia (IME). Em 2016, ganhou o prêmio internacional Global Graphene Challenge Competition por ter desenvolvido um mecanismo de filtragem e um sistema de dessalinização de água. Seu trabalho permitiu transformar água do mar em água potável a partir do uso de grafeno – um material composto por átomos de carbono extremamente fino, flexível, transparente e resistente.  

Atualmente é doutoranda em Bioengenharia na Universidade da Califórnia, onde aprofunda suas pesquisas em tecnologias de materiais avançado em busca de soluções sustentáveis. 

“O Brasil é um país cheio de mentes brilhantes, porém o que falta são oportunidades – tanto para que essas mentes descubram que podem ser cientistas quanto oportunidades para atingir esse sonho,” afirma Nadia em entrevista ao portal Na prática

Foto: Instagram 

4. Anna Luísa Beserra

Aos 15 anos, Anna Luísa desenvolveu o “Aqualuz”, um sistema de filtragem para desinfectar a água da chuva coletada a partir de cisternas usando a luz do sol. Hoje a cientista e empreendedora social brasileira continua trabalhando para democratizar o acesso à água e saneamento no mundo através de tecnologias inovadoras e acessíveis. 

Premiada pela ONU (Jovens Campeões da Terra), UNESCO, MIT Solve e pelo Muhammad Ali Humanitarian Award, Anna Luísa fundou a SDW For All, empresa de impacto socioambiental que já beneficiou diretamente mais de 41 mil pessoas em 16 estados do Brasil, além de comunidades no Equador e Porto Rico, com soluções inovadoras de acesso à água e saneamento. 

5. Lorrane Olivlet

Foto: Instagram 

Fundadora do grupo de divulgação científica InSpace, Lorrane é engenheira biomédica e estudante de engenharia mecânica, trabalha em parceria com a Agência Espacial Brasileira para a criação de conteúdos de divulgação científica, além de estudar para ser piloto privado de avião e aquanauta. Ela ganhou reconhecimento da NASA ao detectar 60 asteroides e foi escolhida para acompanhar o lançamento da missão Psyche, que vai viajar no Universo até alcançar um asteroide. Lorrane foi uma das homenageadas do projeto #DonasdaRua de Maurício de Sousa que traz visibilidade às mulheres notáveis na Ciência, no Esporte, nas Artes e em todas as áreas do conhecimento. 

Ela ganhou reconhecimento da NASA ao detectar 60 asteroides e foi escolhida para acompanhar o lançamento da missão Psyche, que vai viajar no Universo até alcançar um asteroide. Em 2025, também recebeu a Medalha de Honra pelo Mérito Espacial, em razão de seus serviços prestados às atividades espaciais, em especial no trabalho como influenciadora digital na temática espacial. 

‎6. Ester Sabino 

Ester sabino: cientista

Imunologista, médica e professora titular da Faculdade de Medicina da USP, Ester é reconhecida nacional e internacionalmente por suas contribuições em saúde pública, vigilância genômica e pesquisa biomédica.  

Atualmente segue atuando em pesquisas sobre doenças infecciosas e emergências sanitárias, área em que se destacou globalmente ao liderar o sequenciamento do SARS‑CoV‑2 no Brasil. 

O Prêmio Ester Sabino para Mulheres Cientistas, inclusive, foi criado pelo Governo de São Paulo para destacar pesquisadoras e valorizar a contribuição de mulheres à ciência, em sua homenagem. 

­7. Verena Paccola 

Verena Paccola é estudante de Medicina da USP e ganhou destaque ao descobrir 25 asteroides em um projeto apoiado pela NASA, sendo premiada pelo MCTI pela detecção de um deles classificado como raro. Formada como técnica em enfermagem, realizou pesquisas em neurociência computacional em instituições como USP, UNICAMP, UFMG, UNIFESP e Hospital Albert Einstein.  

Foi eleita para a lista Forbes Under 30 na categoria Ciência e Educação e recebeu o prêmio Jovem Inspiração do Ano. Em 2026, segue atuando como referência na divulgação científica e na representatividade feminina nas áreas de ciência, saúde e exploração espacial. 

Iniciativas gratuitas para meninas na Ciência no Brasil  

1. Programa Futuras Cientistas – MCTI / CETENE 

O Futura Cientistas é um programa do Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (Cetene) que estimula o contato de alunas do 2º ano do Ensino Médio e professoras da rede pública de ensino com as áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM); a fim de contribuir com a equidade de gênero no mercado profissional.  

Em 2025, o programa impactou 470 meninas de todas as regiões do Brasil que tiveram a oportunidade de vivenciar, na prática, o que é fazer Ciência ao formular perguntas, testar hipóteses, usar microscópios, programar, observar, errar, aprender e se reconhecer como futuras cientistas. 

Saiba mais sobre o Programa Futuras Cientistas aqui. 

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2. Programa Fiocruz Mulheres e Meninas na Ciência 

Instituído desde 2019, o Programa Fiocruz Mulheres e Meninas na Ciência está presente em todo o Brasil, fomentando o debate sobre gênero através de três eixos:  

  • Valorização das mulheres na Ciência: Ações que ampliam a visibilidade das trajetórias de pesquisadoras, reconhecem suas contribuições e estimulam sua presença em posições de liderança científica.  
  • Mais Meninas na Fio Cruz: Desenvolvimento de ações que aproximam meninas da Educação Básica ao ambiente científico por meio de imersões, mentorias, oficinas, visitas técnicas e apoio formativo.
  • Estudos e publicações: Produção de conhecimento, eventos, pesquisas, materiais educativos e espaços de diálogo que discutem desigualdades de gênero na Ciência.  

Saiba mais sobre o Programa Fiocruz Mulheres e Meninas na Ciência aqui. 

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3. Jogo didático “Enigma das Cientistas” 

jogo enigma das cientistas

Produzido pela equipe do Projeto de Extensão Meninas na Ciência, da Universidade Federal de Santa Catarina, o jogo de cartas “Enigma das Cientistas” foi criado para divulgar e valorizar as contribuições, histórias e trajetórias de mulheres que se destacaram nas áreas de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática).  A dinâmica do jogo consiste em descobrir quem é a cientista a partir da leitura do enigma que trazem dados como nacionalidade, área de pesquisa e pioneirismo. As rodadas exigem cooperação entre os participantes para solucionar cada enigma e o jogo ainda conta com audiodescrição disponível no YouTube.  

Acesse o jogo aqui. 

 

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Para assistir e se inspirar 

1. Estrelas além do tempo

O filme traz a história de Katherine Johnson, Dorothy Vaughn e Mary Jackson, três mulheres brilhantes que trabalharam na NASA e foram os cérebros por trás de uma das maiores operações da História: o lançamento em órbita do astronauta John Glenn. Tudo isso enquanto atravessavam as barreiras de gênero e raça para inspirar gerações a sonhar grande. 

2. Uma questão de química 

Ambientado no início dos anos 50, a minissérie acompanha Elizabeth Zott, que tem o sonho de ser cientista adiado por causa da sociedade patriarcal. Quando Elizabeth é demitida do laboratório, ela aceita um emprego como apresentadora de um programa de culinária na TV e se propõe a ensinar a uma nação de donas de casa – e aos homens que podem estar ouvindo – muito mais do que receitas. 

3. Radioactive 

Movida por uma mente brilhante e uma grande paixão, Marie Curie embarca em uma jornada científica com o marido, Pierre Curie (físico francês), para explicar elementos radioativos até então desconhecidos. Logo torna-se evidente que seu trabalho pode salvar milhares de vidas se aplicado na medicina, ou destruir bilhões se for usado na guerra. 

4. Mercury 13 – O Espaço Delas  

Neste documentário somos transportados a 1961, onde, após uma rigorosa bateria de testes, um grupo de mulheres altamente capacitadas é deixado de lado para que apenas os homens se tornem astronautas. 

5. Nise: O Coração da Loucura 

O filme conta a história da doutora Nise da Silveira e seu trabalho em um hospital psiquiátrico no subúrbio do Rio de Janeiro. Ela se recusa a empregar o eletrochoque e a lobotomia no tratamento dos esquizofrênicos. Isolada pelos médicos, resta a ela assumir o abandonado Setor de Terapia Ocupacional, onde dá início a uma revolução regida por amor, arte e loucura. 

Há mais de 10 anos, atua como jornalista, produtora de conteúdo e entusiasta da Educação. Ama cultura pop e falar pelos cotovelos.
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