Uma data para refletir sobre a resistência dos povos indígenas e fortalecer, na escola, o respeito à diversidade cultural, aos direitos humanos e à formação cidadã dos estudantes.
No Brasil, o Dia Nacional da Luta dos Povos Indígenas, celebrado em 7 de fevereiro, é uma data que convida à reflexão sobre a resistência dos povos originários e sobre as lutas históricas e atuais que marcam sua trajetória. Mais do que uma lembrança simbólica, o dia reforça a importância do reconhecimento dos direitos indígenas na construção de políticas públicas, da valorização de seus saberes, suas línguas e suas tradições e da defesa de seus territórios.
No contexto educacional, a data representa uma oportunidade de promover o diálogo, a conscientização e o respeito à diversidade cultural, ampliando o olhar dos estudantes sobre a história do Brasil, combatendo estereótipos e fortalecendo valores como empatia, justiça social e cidadania, alinhando o trabalho pedagógico às diretrizes da BNCC e à formação integral dos alunos.
Neste artigo, você vai entender mais sobre o tema e encontrar 4 atividades para abordar o tema na escola.
Qual é a origem do Dia Nacional de Luta dos Povos Indígenas no Brasil?
O marco da luta dos povos originários foi instituído pela Lei nº 11.696/2008 e é celebrado em 7 de fevereiro, em memória de Sepé Tiaraju, liderança indígena do povo Guarani, que morreu em 1756 durante a resistência contra a ocupação colonial de terras indígenas no sul do Brasil. Sepé tornou-se símbolo da luta pela defesa do território, da autonomia e dos direitos dos povos originários com sua conhecida frase “Essa terra tem dono!”.

Por que o Dia Nacional de Luta dos Povos Indígenas é diferente do Dia dos Povos Indígenas?
Embora ambas as datas tratem da temática indígena, seus objetivos são distintos:
- 7 de fevereiro – Dia Nacional de Luta dos Povos Indígenas: destaca a resistência histórica, a luta por direitos e a defesa dos territórios indígenas.
- 19 de abril – Dia dos Povos Indígenas: tradicionalmente voltado à valorização cultural, à diversidade e às contribuições dos povos indígenas para a formação do Brasil.
Enquanto o dia 19 de abril costuma ter um caráter mais celebrativo, o 7 de fevereiro convida à reflexão crítica sobre desigualdades, direitos e justiça social.
Por que trabalhar o Dia Nacional de Luta dos Povos Indígenas na escola?
Abordar essa data no contexto escolar é fundamental para:
- Valorizar os povos indígenas como sujeitos históricos e contemporâneos;
- Combater estereótipos e preconceitos ainda presentes no imaginário social;
- Desenvolver empatia, pensamento crítico e consciência cidadã;
- Cumprir a legislação educacional que determina o ensino da história e da cultura indígena.
O que a BNCC diz sobre o ensino da história e cultura dos povos indígenas?
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC), em consonância com a Lei nº 11.645/2008, estabelece a obrigatoriedade do ensino da história e cultura dos povos indígenas em toda a Educação Básica. O documento orienta que o tema seja trabalhado de forma transversal, integrando diferentes áreas do conhecimento e valorizando:
- o reconhecimento da diversidade cultural e étnica brasileira;
- o desenvolvimento do pensamento crítico e da empatia;
- os direitos humanos e a cidadania;
- o uso de diferentes linguagens, textos e fontes históricas.
Sendo assim, separamos 4 atividades para que você possa desenvolver com sua turma questões sobre a luta dos povos indígenas com foco em desenvolver senso crítico, empatia e valorização dos povos originários do Brasil.
4 atividades para abordar a Luta dos Povos Indígenas na escola
Atividade 1 – Quais são as lutas dos povos indígenas hoje?
Indicação de faixa etária: Ensino Fundamental II e Ensino Médio
Competências da BNCC: Empatia e cooperação; Responsabilidade e cidadania; Argumentação
Descrição da atividade: proponha um mapeamento coletivo das principais frentes de luta dos povos indígenas na atualidade, como: o direito ao território; a preservação da natureza; a manutenção da identidade cultural; e a representatividade em espaços públicos. Divida a turma em grupos, cada um responsável por pesquisar um eixo e apresentar suas conclusões por meio de textos, cartazes ou apresentações orais, promovendo debate e reflexão crítica.
Atividade 2 – Cuidar do território
Indicação de faixa etária: Ensino Fundamental I
Competências da BNCC: Empatia e cooperação; Conhecimento; Comunicação
Descrição da atividade: introduza o tema da luta indígena a partir de conceitos acessíveis, como cuidado, pertencimento e respeito. Utilize histórias ilustradas, vídeos curtos ou narrativas sobre crianças indígenas e seu cotidiano. A atividade pode partir da pergunta: “Por que é importante cuidar do lugar onde a gente vive?”, conectando essa ideia à luta dos povos indígenas pela proteção de seus territórios.
Atividade 3 – Indígenas do presente: combatendo estereótipos
Indicação de faixa etária: Ensino Fundamental II e Ensino Médio
Competências da BNCC: Repertório cultural; Pensamento crítico; Comunicação
Descrição da atividade: apresente artistas, escritores, pensadores, comunicadores e lideranças indígenas contemporâneas por meio de músicas, obras visuais, textos, entrevistas ou vídeos. Em seguida, promova uma roda de conversa ou produção reflexiva para discutir como essas referências ajudam a desconstruir a ideia de que os povos indígenas pertencem apenas ao passado.
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Atividade 4 – Quem são os povos indígenas do Brasil? (Projeto interdisciplinar)
Indicação de faixa etária: Ensino Fundamental II e Ensino Médio
Competências da BNCC: Conhecimento; Pensamento científico, crítico e criativo; Cultura digital
Descrição da atividade:
Desenvolva um projeto integrando diferentes áreas do conhecimento:
- Geografia: localização dos povos indígenas no território brasileiro;
- História: processos de resistência, conflitos e preservação cultural;
- Língua Portuguesa: línguas indígenas e origem indígena de palavras do português;
- Artes: manifestações culturais e produções contemporâneas.
O projeto pode resultar em murais, painéis digitais, exposições ou apresentações para a comunidade escolar.
Como adaptar as atividades por segmento
Ensino Fundamental I
- Trabalhar conceitos como cuidado, pertencimento, respeito e diversidade.
- Utilizar histórias ilustradas, vídeos curtos e rodas de conversa guiadas.
- Valorizar a escuta e a compreensão de que os povos indígenas vivem no presente e cuidam de seus territórios.
Ensino Fundamental II
- Aprofundar a noção de direitos, território e identidade cultural.
- Analisar notícias, textos informativos e relatos indígenas.
- Desenvolver projetos interdisciplinares com pesquisa orientada e produções coletivas.
Ensino Médio
- Discutir a luta dos povos indígenas sob a perspectiva dos direitos humanos, da Constituição de 1988 e das políticas públicas.
- Promover debates argumentativos, análises críticas da mídia e produções autorais mais complexas.
- Relacionar as pautas indígenas a temas contemporâneos, como meio ambiente, democracia e representatividade.

O que evitar ao trabalhar o Dia Nacional de Luta dos Povos Indígenas
Ao abordar a data na escola, é fundamental evitar práticas que reforcem estereótipos ou esvaziem o sentido da luta indígena. Evite:
- tratar a data como comemorativa ou folclórica;
- utilizar fantasias, pinturas no rosto ou caricaturas;
- apresentar os povos indígenas como pertencentes apenas ao passado;
- generalizar culturas, ignorando a diversidade de povos, línguas e modos de vida;
- falar sobre os povos indígenas sem incluir ou valorizar suas próprias vozes.
Priorize abordagens críticas, respeitosas e baseadas em fontes confiáveis e produções indígenas.
A importância de combater estereótipos
Um dos principais desafios ao trabalhar a temática indígena na escola é desconstruir estereótipos que reduzem esses povos a imagens do passado ou a representações caricatas. Reconhecer a pluralidade de povos, línguas, culturas e modos de vida é essencial para promover uma educação antirracista, inclusiva e comprometida com a realidade contemporânea.
Trabalhar o Dia Nacional de Luta dos Povos Indígenas na escola é um passo importante para formar estudantes mais conscientes, críticos e comprometidos com o respeito à diversidade e aos direitos dos povos originários do Brasil.







