Valorize a cultura brasileira e a infância por meio de brincadeiras do Centro-Oeste que estimulam a criatividade, o corpo e a imaginação.
Brincar é o coração da infância. É por meio das brincadeiras que a criança descobre o mundo, exercita a imaginação e constrói vínculos com o outro e com a cultura em que vive. Na Educação Infantil, o brincar é muito mais do que lazer — é linguagem, expressão e aprendizado.
A região Centro-Oeste do Brasil — formada por Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e o Distrito Federal — guarda um rico repertório de brincadeiras tradicionais, transmitidas de geração em geração. Elas refletem o modo de vida sertanejo, o contato com a natureza e a alegria das festas populares.
Resgatar essas atividades nas escolas é uma forma de preservar a memória cultural e oferecer experiências significativas que unem corpo, mente e emoção.
Por que explorar brincadeiras regionais na escola?
Trabalhar as brincadeiras regionais na Educação Infantil ajuda as crianças a compreenderem o valor da diversidade e do pertencimento. Além de promover o movimento e a socialização, essas práticas:
- Incentivam o respeito às tradições locais e o amor pela cultura brasileira;
- Desenvolvem coordenação motora, raciocínio e linguagem oral;
- Estimulam a cooperação, a empatia e o senso de coletividade;
- Integram-se facilmente às áreas de Música, Artes, História e Educação Física.
Brincadeiras do Centro-Oeste: tradição, cultura e movimento
A seguir, conheça algumas brincadeiras típicas da região, adaptadas para o contexto da Educação Infantil, com foco no desenvolvimento integral e na ludicidade.
1. Amarelinha em forma de caracol
Essa variação da amarelinha tradicional é muito popular no Centro-Oeste.
Como brincar: desenhe um caracol no chão com giz. Cada casa deve ser numerada até o centro. As crianças pulam em um pé só até o centro e depois voltam, sem perder o equilíbrio.
Aprendizagem: estimula equilíbrio, coordenação e noção espacial. Pode ser associada a temas como corpo e movimento, ou a histórias que envolvam o caminho da descoberta e da amizade.
2. Bolinha de gude – Origem: Rio Branco (AC), popular no Centro-Oeste
Presente em quintais e calçadas, a brincadeira de bolinha de gude (ou “bila”, em algumas regiões) é um clássico entre meninos e meninas.
Como brincar: desenhe um círculo no chão e coloque as bolinhas dentro. Cada jogador tenta acertar as bolinhas do centro com sua gude, sem deixá-las sair do círculo.
Aprendizagem: trabalha noções de mira, distância, regras e estratégia, além de exercitar o controle corporal e o respeito ao turno de fala.
3. Briga de galo
Muito comum nas festas de fazenda e nas comunidades do interior do Centro-Oeste, essa brincadeira é pura energia!
Como brincar: em duplas, cada participante segura uma das pernas com a mão (como se fosse um galo) e tenta desequilibrar o outro usando o ombro, sem soltar a perna presa.
Aprendizagem: desenvolve equilíbrio, força e autocontrole, além de promover o riso e o espírito esportivo. Pode ser usada para trabalhar a coordenação motora ampla e o respeito aos colegas.
4. Cabra-cega
Clássica nas escolas e quintais, a cabra-cega continua encantando gerações.
Como brincar: uma criança é vendada e tenta pegar as outras, que devem se movimentar e emitir sons. Quando a cabra-cega pega alguém, precisa adivinhar quem é.
Aprendizagem: estimula percepção auditiva, confiança e empatia, além de trabalhar a noção de espaço e atenção.
5. Boca de forno
Uma brincadeira com ritmo e música!
Como brincar: uma criança comanda dizendo “Boca de forno?”, e as demais respondem “Forno!”. O líder continua: “Faz o que eu mandar?” — e o grupo responde: “Faço sim, senhor!”. Em seguida, ele propõe ações divertidas: pular, cantar, imitar um animal.
Aprendizagem: desenvolve atenção, ritmo, expressão corporal e oralidade.
6. Fui ao mercado
Brincadeira de roda que estimula a memória e o raciocínio.
Como brincar: as crianças formam um círculo e uma delas começa dizendo: “Fui ao mercado e comprei… uma banana.” A próxima deve repetir a frase e acrescentar um novo item.
Aprendizagem: trabalha memória sequencial, linguagem e concentração.
7. Pato, pato, ganso
Muito divertida e fácil de realizar!
Como brincar: as crianças ficam sentadas em círculo. Uma criança anda em volta tocando a cabeça das outras e dizendo “pato, pato…” até escolher uma e dizer “ganso!”. A escolhida deve levantar e correr para tentar alcançá-la antes que ela ocupe o seu lugar.
Aprendizagem: promove atenção, coordenação e agilidade, além de reforçar o senso de grupo.
8. Corrida do Saci
Inspirada nas lendas do folclore brasileiro.
Como brincar: as crianças precisam atravessar uma linha de chegada pulando com uma perna só, como o Saci.
Aprendizagem: desenvolve equilíbrio, resistência e imaginação.
9. Rodando pipa e brincando com tampinha
No Centro-Oeste, soltar pipa e brincar de tampinha nas ruas e praças é tradição!
Como brincar: com acompanhamento de adultos, organize um momento ao ar livre para que as crianças fabriquem pipas com papel colorido e linhas de segurança, ou brinquem de corrida de tampinhas em pistas feitas com areia ou papelão.
Aprendizagem: desenvolve coordenação motora fina, criatividade e trabalho em grupo.
10. Bate-palminha de roda
As brincadeiras de roda são patrimônio cultural brasileiro e muito presentes nas escolas do Centro-Oeste.
Como brincar: em círculo, as crianças batem palmas e cantam músicas regionais, alternando os gestos conforme o ritmo.
Aprendizagem: fortalece vínculos afetivos e a consciência rítmica.
Como trabalhar essas brincadeiras na escola
Essas atividades podem compor um projeto interdisciplinar sobre cultura e movimento. Veja algumas ideias:
- Mural “Brincadeiras do meu Brasil” – cada turma explora uma região do país e apresenta suas brincadeiras.
- Oficina de construção de brinquedos – peteca, tampinha, cavalo-de-pau e bolinha de gude com materiais recicláveis.
- Semana da Cultura Infantil – jogos tradicionais, músicas regionais e culinária típica.
- Diário de brincadeiras – as crianças desenham e registram as atividades vividas, estimulando linguagem e memória.
Brincar é um patrimônio cultural
As brincadeiras do Centro-Oeste revelam que o brincar é um elo entre o passado e o presente, entre a cultura e a imaginação. Ao trazer essas atividades para a sala de aula, o educador fortalece o pertencimento, a identidade e o prazer de aprender.
“Brincar é viver a infância em plenitude. É aprender com o corpo, com o outro e com a alegria de ser criança.”
Conheça mais propostas de brincadeiras, cantigas, parlendas, contos, entre outras, conhecidas na região Centro-Oeste do Brasil. Para crianças de 0 a 5 anos de idade.
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