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Revolução Constitucionalista de 1932: o que foi e como trabalhar o tema em sala de aula 

Por FTD Educação

Estimativa de leitura: 6min 33seg

24 de junho de 2026

A história do Brasil é marcada por conflitos, disputas políticas e movimentos que ajudaram a moldar a democracia brasileira. Entre esses acontecimentos, a Revolução Constitucionalista de 1932 ocupa um lugar de destaque. Embora tenha sido uma derrota militar para os paulistas, o movimento deixou um legado importante para a construção do Estado democrático brasileiro e para a elaboração da Constituição de 1934. 

Mais do que memorizar datas e personagens, estudar a Revolução Constitucionalista oferece aos estudantes a oportunidade de refletir sobre temas contemporâneos como cidadania, participação política, federalismo, democracia e direitos constitucionais. Por isso, o assunto pode ser explorado de maneira crítica e interdisciplinar em sala de aula. 

O que foi a Revolução Constitucionalista de 1932? 

A Revolução Constitucionalista foi um movimento armado liderado por São Paulo contra o governo provisório de Getúlio Vargas, entre julho e outubro de 1932. 

Para compreender suas causas, é necessário voltar alguns anos no tempo. Até 1930, o Brasil vivia sob a chamada República Oligárquica, período em que as elites políticas de São Paulo e Minas Gerais exerciam grande influência sobre a presidência da República por meio da chamada “política do café com leite”. 

Esse sistema entrou em crise quando o presidente Washington Luís decidiu apoiar outro candidato paulista para sucedê-lo, rompendo o acordo político que previa a alternância entre paulistas e mineiros. A decisão gerou forte insatisfação em diversos estados, que se uniram na Aliança Liberal e lançaram Getúlio Vargas como candidato à presidência. 

Após a vitória eleitoral de Júlio Prestes, apoiado por Washington Luís, a oposição denunciou fraudes e iniciou um movimento armado que culminou na Revolução de 1930. Vargas assumiu o poder, dissolveu o Congresso Nacional e passou a governar por decretos. 

Em São Paulo, a situação gerou grande descontentamento. A elite paulista perdeu espaço político e passou a exigir a convocação de uma Assembleia Constituinte e a elaboração de uma nova Constituição para o país. 

Foi nesse contexto que surgiu o movimento constitucionalista. 

Comitiva de Getúlio Vargas (ao centro) em passagem por Itararé a caminho do Rio de Janeiro durante a Revolução de 1930, fotografada por Claro Jansson. Fonte: Wikipedia.
Comitiva de Getúlio Vargas (ao centro) em passagem por Itararé a caminho do Rio de Janeiro durante a Revolução de 1930, fotografada por Claro Jansson. Fonte: Wikipedia. 

Por que os paulistas pegaram em armas? 

O principal objetivo dos revolucionários não era a separação de São Paulo do Brasil, como muitas vezes se imagina. A principal reivindicação era a reconstitucionalização do país.

Cartaz do movimento contra a ditadura getulista. Fonte: Wikipedia.

Os manifestantes defendiam: 

  • A elaboração de uma nova Constituição; 
  • O retorno do regime constitucional; 
  • A realização de eleições; 
  • Maior autonomia para os estados; 
  • O fim do governo provisório de Vargas. 

O movimento ganhou força após a morte de quatro estudantes durante uma manifestação contra o governo federal. Os jovens Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo tornaram-se símbolos da causa e deram origem à sigla MMDC, um dos principais emblemas da revolução. 

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Como foi o conflito? 

A guerra começou oficialmente em 9 de julho de 1932. 

Durante quase três meses, tropas paulistas enfrentaram as forças federais em diferentes frentes de batalha. Milhares de civis participaram do esforço de guerra, contribuindo com doações, produção de equipamentos e apoio logístico. 

Apesar da mobilização popular, São Paulo possuía menos recursos militares do que o governo federal. Em outubro de 1932, os paulistas se renderam. 

Do ponto de vista militar, o movimento foi derrotado. 

No entanto, a história não termina aí. 

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Uma derrota militar que se transformou em vitória política 

A grande importância histórica da Revolução Constitucionalista está em seus desdobramentos políticos. 

A pressão exercida pelo movimento levou Getúlio Vargas a convocar eleições para uma Assembleia Nacional Constituinte em 1933. 

O resultado foi a promulgação da Constituição de 1934, que trouxe avanços importantes para a época, como: 

  • Voto secreto; 
  • Direito de voto para as mulheres; 
  • Justiça Eleitoral; 
  • Direitos trabalhistas ampliados; 
  • Maior participação política da população. 

Por esse motivo, muitos historiadores afirmam que São Paulo perdeu a guerra, mas venceu sua principal causa: a luta pela constitucionalização do país. 

Por que estudar a Revolução Constitucionalista hoje? 

A Revolução Constitucionalista permite discutir questões que permanecem atuais na sociedade brasileira. 

Entre elas: 

Democracia e participação política 

O movimento mostra como diferentes grupos sociais podem pressionar por mudanças institucionais e participar da construção da vida política do país. 

A importância da Constituição 

Os estudantes podem compreender que a Constituição não é apenas um documento jurídico, mas a base que organiza os direitos e deveres dos cidadãos e limita o poder do Estado. 

Federalismo 

O conflito também abre espaço para discutir as relações entre estados e governo federal, tema que continua presente nos debates políticos brasileiros. 

Memória histórica 

O fato de São Paulo celebrar o dia 9 de julho como feriado estadual levanta uma questão interessante para reflexão: por que uma derrota militar pode ser lembrada como uma conquista histórica? 

Como trabalhar a Revolução Constitucionalista de 1932 em sala de aula? 

1. Compare diferentes interpretações históricas 

Uma atividade interessante consiste em apresentar diferentes visões sobre o movimento. 

Os estudantes podem investigar questões como: 

  • Foi uma luta pela democracia? 
  • Foi uma reação das elites paulistas à perda de poder? 
  • Foi uma revolução ou uma guerra civil? 

A proposta ajuda a desenvolver pensamento crítico e análise de fontes. 

2. Promova um debate sobre democracia 

Divida a turma em grupos e proponha discussões sobre a importância das Constituições para a organização de um país. 

Perguntas norteadoras: 

  • O que aconteceria se um país não tivesse Constituição? 
  • Por que é importante limitar os poderes dos governantes? 
  • Como os cidadãos podem participar da vida política? 

3. Trabalhe com fontes históricas 

Utilize fotografias, cartazes, jornais e discursos da época para que os alunos analisem diferentes narrativas sobre o conflito. 

Essa estratégia aproxima os estudantes do trabalho realizado pelos historiadores. 

4. Relacione o tema à Constituição atual 

Após estudar a Constituição de 1934, os alunos podem comparar seus princípios com a atual Constituição de 1988. 

A atividade permite compreender continuidades e mudanças na história política brasileira. 

5. Produza uma linha do tempo 

Os estudantes podem construir uma linha do tempo relacionando: 

  • Crise de 1929; 
  • Revolução de 1930; 
  • Governo Provisório de Vargas; 
  • Revolução Constitucionalista de 1932; 
  • Constituição de 1934. 

Essa atividade ajuda a visualizar relações de causa e consequência entre os acontecimentos históricos. 

Uma oportunidade para formar cidadãos 

Mais do que estudar uma guerra ocorrida há quase um século, trabalhar a Revolução Constitucionalista de 1932 significa refletir sobre valores fundamentais da vida democrática. 

Ao compreender as disputas políticas, os interesses envolvidos e os resultados do movimento, os estudantes desenvolvem uma visão mais crítica sobre a construção da cidadania e o funcionamento das instituições brasileiras. 

Afinal, a principal herança da Revolução Constitucionalista não está nas batalhas travadas em 1932, mas na defesa da ideia de que o poder político deve ser regulado por leis, direitos e pela participação da sociedade. 

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