Natália é uma autora multifacetada que teve seu primeiro conto, Recortes para álbum de fotografia sem gente – lançado em 2013, vencedor do Prêmio Açorianos. Em 2016, ganhou o Prêmio Jabuti com o livro de contos Amora e, em 2017, foi incluída na lista Bogotá39, que reúne os 39 escritores em destaque da América Latina. A sulista de Bento Gonçalves não parou por aí, lançando Controle, seu primeiro romance, em 2019. Pesquisadora, Doutora em Teoria da Literatura, Natália agora embarca em uma nova aventura, lançando seu primeiro livro infantil com a FTD Educação: Formiguinhas.



Nessa conversa, vamos juntos descobrir que nada é tão pequeno que não mereça um olhar delicado, e claro, com a leveza que só uma criança pode proporcionar.
Natália, você é uma autora premiada em contos e romances. Como surgiu a vontade de navegar pelo universo infantil? Quais foram as inspirações para começar?
Eu acho que caminhou um pouco junto, né? Porque o Formiguinhas está como um conto no meu primeiro livro, ele é uma adaptação desse conto, então acho que foi tudo meio junto mesmo. Eu acho que não tem muita diferença… Quer dizer, tem diferença escrever para um público infantil e um público adulto, mas eu acho que as questões que eu elaborasse seriam parecidas pelo menos e ali o que me interessava era essa outra perspectiva.
Quais foram os maiores desafios em escrever um livro infantil?
Pra mim o maior desafio foi realmente a linguagem, de tentar calibrar, de achar uma linguagem que fosse acessível, mas que também fosse desafiadora, que não deixasse as questões caírem na superficialidade, mas que também provocassem uma curiosidade. Então, pra mim, o maior desafio foi esse de tentar calibrar um pouco essa linguagem, de como escrever para esse público.

O livro é dedicado às pessoas ansiosas e curiosas e você se definiu como “um pouco ansiosa” quando pequena. Conta pra gente um pouquinho mais sobre essa dedicatória.
O livro é muito sobre isso, né? Sobre ansiedade e curiosidade. A gente tem a personagem principal, a protagonista que está na espera do irmãozinho, numa situação com o pai e a mãe. Enquanto ela está presa nos pensamentos, enquanto ela faz esse mergulho nos pensamentos sobre como será tudo isso, como ela vai cuidar do irmão, ao mesmo tempo as coisas do mundo, as coisas que não estão na realidade dela, também atravessam esse momento e acho que a curiosidade fica nesse campo, em que ela vai atrás das formiguinhas e acaba misturando um pouco a curiosidade dela com esse medo da chegada do irmão, se ela será capaz de ajudar, como que seria?
O livro é isso, é sobre curiosidade e ansiedade e como uma coisa, às vezes, ajuda a gente a lidar com a outra. Eu acho que as pessoas que escrevem têm que ser um pouco curiosas, então o exercício é esse.
A chegada de um irmãozinho traz alegrias e também uma sensação de responsabilidade aos mais velhos. Como foi, pra você, traduzir esses sentimentos?
Pois é, eu estava pensando nisso, porque pra mim foi lembrar… Eu sou a filha mais velha, tenho um irmão e uma irmã, e eu lembro da chegada do Matheus, lembro da minha mãe indo para o hospital e eu tendo que esperar pra ver o que ia acontecer. Depois, a dinâmica da casa mudando completamente porque tinha uma criança e mãe fora por uns dias, então eu acho que tentei voltar um pouco para aquele lugar de expectativa para essa nova vida, para esse irmãozinho e tentar colocar isso um pouco no papel. O exercício foi um pouco desse deslocamento meu, bem pessoal!

Como foi criar, diante desses sentimentos, a voz literária e o ponto de vista de uma criança nessa obra?
Pra mim esse foi o maior exercício mesmo, porque eu adoro criar personagens. Eu acho que a coisa mais legal, mais importante dos meus textos, sejam contos ou romances, é criar personagens. Como essa personagem será, como ela vai lidar com as pessoas ao redor dela e como esse núcleo vai vê-la também, porque tem isso, né? Como a personagem se mostra e como ela é vista. E pra mim foi muito importante pensar nesse jogo: como ela estava vendo a situação. Isso vai revelar bastante de como ela pensa sobre as coisas, mas também como ela é tratada pelo pai e pela mãe e de como ela se sente através do “problema” que ela cria para as formigas.
Pra mim, tentar montar esse quebra-cabeça de complexidades, até que simples, mas que juntas, vão dar nesse painel dessa menina, dessa personagem. Acho que a graça foi tentar construir isso de uma maneira que as pessoas se identificassem também.
As ilustrações são um ponto chave do livro. O que você achou delas e como foi ter a Pri-Wi como parceira?
Eu achei as ilustrações fabulosas, porque eu não tinha nenhuma ideia de como seriam, de como elas viriam e eu tinha umas fotinhos de referência, então quando chegou, eu fiquei estarrecida! Esse conto é bem pessoal, que eu fiz a partir de uma fotografia minha de infância, em que realmente eu estou olhando formiguinhas com um arame numa pracinha, então ficou absolutamente idêntico, me senti muito dentro da história. E também as cores que ela escolheu, esse desenho meio de giz, meio de aquarela.
Eu não conhecia o trabalho da Pri-Wi e achei que foi um grande acerto, senti que as imagens e o texto ficaram superintegrados. Acho que rolou muito legal a parceria, mesmo!

Como você vê a Natália que lançou o primeiro conto, em 2013 e a Natália de hoje, que inicia uma nova jornada literária?
Eu acho que a gente vai caminhando pelas nossas artes, não só na arte, mas na vida, nos projetos e vamos tentando entender mais daquilo que a gente gosta, quais são as coisas que a gente gostaria de fazer. Eu sempre tive vontade de escrever livros infantis, sempre fiquei curiosa para saber como seriam as ilustrações, como isso funcionava e aí, talvez tenha sido um caminho um pouco mais natural de experimentar, porque eu já escrevi conto, crônica, romance, poesia e o infantil talvez tenha sido mais uma vereda de experimentação.
Você pretende continuar escrevendo para crianças?
Eu tenho ideias e algumas coisas escritas, mas eu preciso fazer aquele processo de adaptação de linguagem, com coisas que eu escrevi especificamente para o público infantil. Mas tem toda uma medida, por exemplo, quando tem ilustrações, que eu não estou muito familiarizada. Então vou precisar olhar com um pouco mais de atenção para esses textos, mas eles existem e tem a vontade de continuar escrevendo sim!

Esperamos que vocês tenham gostado de conhecer mais sobre a autora Natália Borges Polesso e que seu novo livro, Formiguinhas – lançado aqui com a gente, faça parte da imaginação dos pequenos que estão prestes a ganhar um(a) irmãozinho(a)!
Agora fique com o nosso ping-pong e conheça um pouco mais sobre ela:








