Aproveite a maior missão espacial dos últimos 50 anos para enriquecer as suas aulas.
Em 1969, demos um salto gigantesco para a humanidade, quando a missão Apollo 11 foi responsável pelo primeiro pouso humano na Lua. Agora, em 2026, estamos cada vez mais perto de repetir o feito depois do sucesso da Artemis II, maior missão espacial dos últimos 50 anos com um voo tripulado ao redor da Lua.
E se tem um assunto que atiça a curiosidade e o interesse dos seres humanos é a vastidão do universo e os mistérios do espaço. Segundo monitoramento do Claritor no “X/Twitter”, a missão Artemis II gerou um alcance de 6 milhões de impressões durante o período do sobrevoo pelo lado oculto da Lua, com 5,9 milhões de visualizações e mais de 129 mil favoritos, transformando o evento científico em um fenômeno de engajamento digital.
Por isso, explorar esse conteúdo em sala de aula é um prato cheio para despertar a curiosidade dos estudantes, integrar a abordagem STEM e trabalhar a interdisciplinaridade.
E o Brasil faz parte dessa história. O país foi o primeiro da América Latina a assinar os Acordos Artemis, tornando-se parceiro oficial da NASA, e a tecnologia brasileira esteve literalmente no pulso dos astronautas durante toda a missão.

O que é o programa Artemis da NASA?
O programa Artemis da NASA – Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (em inglês National Aeronautics and Space Administration) pretende enviar astronautas em missões cada vez mais complexas para explorar a Lua, visando descobertas científicas, benefícios econômicos e consolidar as bases para as primeiras missões tripuladas a Marte.
Durante a missão Artemis I, realizada em 16 de novembro de 2022, o novo foguete lunar da NASA, o Sistema de Lançamento Espacial (SLS), enviou a espaçonave Orion em uma jornada de 2,2 milhões de quilômetros além da Lua e de volta em um teste de voo não tripulado.
Já a missão Artemis II, lançada em 1º de abril de 2026, foi o primeiro voo tripulado do programa Artemis e marcou um passo fundamental de uma série de missões cada vez mais complexas que vão preparar o terreno para que astronautas pisem na superfície lunar e para uma presença de longo prazo na Lua, o que pode viabilizar futuras missões tripuladas a Marte.
E não para por aí.
Após a Artemis II, estão previstas mais três missões: a Artemis III, em 2027; a Artemis IV, com pouso na Lua, em 2028; e a Artemis V, também em 2028.
Artemis III (2027): Missão focada em testes de acoplamento da cápsula Orion com os módulos de pouso comerciais da SpaceX e Blue Origin, validando os sistemas necessários para pousar astronautas na superfície lunar.
Artemis IV (2028): Uma das missões mais complexas da história da exploração espacial, com foco na região do Polo Sul lunar. Os astronautas vão coletar amostras e dados que ampliarão a compreensão do sistema solar e do próprio planeta Terra.
Artemis V (2028): Utilizando a configuração padrão do foguete SLS, a missão levará astronautas à superfície lunar até o final de 2028, dando início a um ciclo de missões lunares com frequência estimada de uma por ano.

O Brasil também faz parte do programa Artemis
O Brasil foi o primeiro país da América Latina a assinar os Acordos Artemis, em junho de 2021, tornando-se parceiro oficial da NASA na exploração da Lua e de Marte. Essa parceria já se traduz em projetos concretos como o Space Farming, liderado pela Embrapa com apoio da Agência Espacial Brasileira, que desenvolve sistemas de produção de alimentos em condições de baixa gravidade e alta radiação; e o nanossatélite SelenITA, desenvolvido pelo ITA em parceria com a AEB, que está previsto para orbitar o polo sul da Lua a partir de 2028.

Tecnologia brasileira no pulso dos astronautas
Um equipamento criado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) também esteve presente na missão Artemis II. O actígrafo, desenvolvido sob coordenação do professor Mario Pedrazzoli, especialista em cronobiologia e estudos do sono, foi usado no pulso dos astronautas durante toda a missão para monitorar padrões de sono, níveis de atividade e exposição à luz. No espaço, sem o ciclo natural de claro e escuro, o organismo perde a referência biológica, o que pode gerar fadiga, queda de desempenho e erros em operações críticas. Os dados coletados serão analisados pela NASA para entender como os ritmos circadianos se comportam em ambiente de espaço profundo.
Fatos e curiosidades da missão Artemis II

1. Artemis: por que o nome não foi escolhido por acaso
A escolha do nome Artemis não foi por acaso, afinal na mitologia grega Artemis é a irmã gêmea de Apolo e deusa da Lua, fazendo uma referência direta ao programa que levou humanos à Lua na década de 60.
2. Foguete x espaçonave: qual a diferença
SLS (Space Launch System) é o foguete. Sua única função é sair do chão e levar a Orion ao espaço. Ele tem 98 metros de altura, queima milhões de litros de combustível nos primeiros minutos e é descartado, os propulsores caem no Atlântico e o estágio central se desintegra na atmosfera. O SLS não vai à Lua, não carrega tripulação diretamente e não volta para a Terra.
Orion é a espaçonave. É ela que carrega os astronautas, viaja até a Lua, permite que a tripulação viva e trabalhe no espaço por até 21 dias, e retorna à Terra com aterrissagem no oceano. É composta por dois módulos principais: a cápsula de tripulação e o módulo de serviço europeu, que fornece propulsão, energia solar, água e ar.
3. Como a Artemis II chegou à Lua sem pousar nela
A missão seguiu uma trajetória em forma de “oito”, contornando o lado oculto da Lua, com duração de dez dias.

4. Os recordes que a Artemis II deixou para trás
A tripulação percorreu 400.171 quilômetros a partir da Terra, superando o recorde de distância de voo espacial tripulado que a Apollo 13 mantinha desde 1970.
No ponto de maior aproximação da Lua, a espaçonave passou a cerca de 6.545 quilômetros da superfície.

5. Tripulação
A tripulação foi composta por Reid Wiseman, comandante da Artemis II, Victor Glover, piloto da Artemis II, Christina Koch, especialista da missão Artemis II, e o astronauta da CSA (Agência Espacial Canadense) Jeremy Hansen.
6. 40 minutos sem sinal: o que acontece quando a Lua bloqueia tudo
Durante o sobrevoo, os astronautas enfrentaram um blecaute de comunicação de cerca de 40 minutos ao passarem pelo lado oculto da Lua. O momento já era previsto e ocorre porque a Lua bloqueia os sinais de rádio entre a Rede de Espaço Profundo, conhecida pela sigla em inglês DSN, e a espaçonave.
7. Pó lunar
Os astronautas registraram seis brilhos de impacto de meteoritos na superfície lunar, pó lunar levantado por forças eletrostáticas, um fenômeno conhecido como lunar horizon glow e novas nuances de cores na superfície da Lua, com tons de marrom e azul que podem revelar a composição mineral e a idade das regiões observadas.
Foto da lua colorida é real?

A foto da lua colorida não é real, mas as cores usadas na imagem têm base científica real. Isso porque a lua normalmente é vista em tons sutis de cinza, mas pequenas diferenças de cor mensuráveis, quando exageradas digitalmente, revelam diferenças reais na composição mineral da superfície. Tons azuis indicam regiões ricas em titânio, enquanto cores mais laranja e roxas mostram regiões relativamente pobres em titânio e ferro.
E foi exatamente isso que astrofotógrafo Ildar Ibatullin fez. A imagem não faz parte da missão Artemis 2 ou de qualquer acervo da NASA, ela foi capturada da Terra usando um telescópio refletor e uma câmera DSLR, e foi modificada digitalmente para ampliar essa característica. Entretanto lldar afirma que as imagens foram “indevidamente apropriadas por diversas plataformas para espalhar desinformação sobre a missão lunar”.
Rise: a mascote da missão
A missão Artemis II tinha um passageiro especial a bordo que a maioria das pessoas não notou: Rise, um boneco de 30 centímetros. Criado especialmente para o voo, Rise funciona como indicador visual de gravidade zero, quando flutua, a tripulação sabe que está em microgravidade. Ele foi escolhido por meio de um concurso global e o design vencedor foi criado por Lucas Ye, um estudante de 8 anos dos Estados Unidos, apaixonado por foguetes e pelo Sistema Solar desde os três anos de idade.
Participação feminina: a foto que viralizou não era da tripulação

Uma das fotos que viralizaram nas redes sociais durante o lançamento da Artemis II não era da tripulação, era da Sala de Avaliação Científica (SER) da NASA, lotada de mulheres comemorando o momento do lançamento. A imagem mostra que a missão não foi apenas um avanço científico, mas um retrato de como a ciência espacial está mudando de rosto. Em 2019, Christina Koch, especialista de missão da Artemis II, já havia entrado para a história ao realizar com Jessica Meir a primeira caminhada espacial exclusivamente feminina. É a oportunidade perfeita para inspirar alunas a conquistarem o espaço e se interessarem pelas áreas de STEM.

- 32 vezes a velocidade do som: como a Orion voltou para a Terra
A cápsula Orion, batizada de “Integrity” pela tripulação, pousou no Oceano Pacífico às 21h07 (horário de Brasília), do dia 10 de abril de 2026, a cerca de 80 a 100 km da costa de San Diego.
A cápsula vinha do espaço profundo e atingiu a atmosfera a 32 vezes a velocidade do som, gerando uma camada de plasma com temperaturas de até 2.760°C que bloqueou todos os sinais de rádio por cerca de seis minutos.
Como montar um plano de aula usando a missão Artemis II?

A Nasa tem um Percurso de Aprendizagem STEM Artemis II, que traz diversos recursos para apoiar a criação de um plano de aula. Basta traduzir as páginas para ter acesso aos conteúdos em português.
Acesse o Percurso de Aprendizagem STEM Artemis II da NASA.
Mas para deixar esse tema mais próximo da realidade do nosso estudante brasileiro, o ideal é abordar como a tecnologia brasileira faz parte dessa história, assim a exploração espacial deixa de ser um tema distante.
Sugestões de atividades por etapa de ensino
Educação Infantil
- Contar a história da Lua com livros ilustrados e depois desenhar como cada criança imagina que é a superfície lunar, estimulando linguagem, imaginação e percepção espacial.
- Plantar sementes em diferentes condições (com terra, sem terra, com pouca água) e observar o crescimento ao longo da semana introduzindo de forma lúdica a ideia do Space Farming.
- Fazer uma maquete coletiva com massinha representando a Terra e a Lua, trabalhando noções de tamanho, distância e forma.
- Brincar de “astronauta”: cada criança cria seu nome de missão e desenha o que levaria para a Lua, trabalhando oralidade, criatividade e pertencimento.
- Assistir a imagens reais da Lua tiradas pela Artemis II e nomear as cores que conseguem enxergar desenvolvendo vocabulário, observação e curiosidade científica.
Ensino Fundamental I
- Construir um modelo da Terra e da Lua com bolas de tamanhos diferentes e posicioná-las no pátio na escala correta tornando a distância de 384.400 km algo concreto e compreensível.
- Pesquisar em grupos o que é a Embrapa e por que ela está ajudando a NASA, produzindo um cartaz ou apresentação para a turma sobre o Brasil no programa Artemis.
- Simular um cultivo espacial: plantar feijão em algodão úmido dentro de um saco plástico transparente, sem solo, e acompanhar o crescimento conectando Ciência e cotidiano.
- Criar uma linha do tempo ilustrada com os marcos da exploração espacial, incluindo a Apollo 11, a Artemis II e o futuro lançamento do SelenITA pelo Brasil.
- Produzir coletivamente uma carta para a tripulação da Artemis II contando como é a vida no Brasil, trabalhando escrita, criatividade e noção de distância geográfica.
Ensino Fundamental II
- Usar os dados reais da missão Artemis II para trabalhar escala, distância e velocidade: calcular quanto tempo levaria para percorrer os 400.171 km em diferentes meios de transporte brasileiros (ônibus, avião, trem-bala).
- Pesquisar o Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão; localizá-lo no mapa; entender sua posição estratégica perto do equador; e debater a questão das comunidades quilombolas desapropriadas para sua construção.
- Simular o cultivo espacial da Embrapa: plantar batata-doce em condições variadas (com e sem luz, com pouca água) e registrar os resultados em tabela trabalhando método científico e análise de dados.
- Debater em grupos: “O Brasil deveria priorizar investimento espacial ou saúde e educação?” — usando dados reais do orçamento federal, IBGE e da AEB para embasar os argumentos.
- Produzir uma notícia sobre o lançamento fictício do SelenITA em 2028, com fontes inventadas, mas verossímeis e linguagem jornalística, trabalhando gênero textual e letramento midiático.
Ensino Fundamental I e II
- Atividade: Crie a mascote da Agência Espacial Brasileira
A missão Artemis II tinha Rise, mas a Agência Espacial Brasileira ainda não tem uma mascote oficial conhecido do grande público. Que tal seus alunos resolverem isso?
A proposta é criar a mascote da AEB: cada criança desenha seu personagem, escolhe um nome, define de onde ele é no Brasil e explica qual superpoder ele teria no espaço. Ao final, a turma vota no favorito e produz um cartaz coletivo apresentando a mascote oficial da classe.
Além de trabalhar criatividade, oralidade e produção de texto, a atividade provoca uma reflexão genuína: por que o Brasil ainda não tem um símbolo espacial que as crianças conheçam? E o que isso diz sobre como comunicamos Ciência no nosso país?
Ensino Médio
- Analisar os Acordos Artemis como documento geopolítico: quem são os 61 países signatários, quais ficaram de fora (China, Rússia) e o que isso revela sobre a nova corrida espacial conectando História, Geografia e Relações Internacionais.
- Desenvolver um projeto interdisciplinar completo sobre o SelenITA: calcular sua órbita lunar, pesquisar os materiais usados, discutir o impacto econômico para o ITA e propor uma campanha de comunicação científica nas redes sociais.
- Comparar o projeto Space Farming, da Embrapa, com os desafios da agricultura no semiárido brasileiro, identificando tecnologias que já migraram do espaço para o campo e propondo aplicações para a realidade regional do estudante.
- Produzir um ensaio argumentativo para o modelo ENEM sobre o tema: “Ciência e soberania: o papel do Brasil na corrida espacial do século XXI”, integrando dados reais, repertório cultural e proposta de intervenção.
- Criar um podcast ou vídeo curto explicando para outros jovens brasileiros por que o Brasil está no programa Artemis, o que é o SelenITA e o que o Space Farming tem a ver com a mesa de jantar de uma família nordestina, trabalhando comunicação científica, linguagem digital e protagonismo juvenil.
Filmes sobre exploração espacial para se inspirar
1. Devoradores de estrelas (2026)

Um professor de Ciências acorda sozinho em uma espaçonave a anos-luz da Terra e descobre que foi enviado para investigar por que o Sol está morrendo. O que parecia uma jornada solitária ganha uma reviravolta inesperada quando conhece Rocky, um alienígena com o mesmo objetivo. Por meio da colaboração e da troca científica entre espécies, o filme nos mostra o carisma de um humano cheio de falhas e o poder da empatia.
O filme é baseado no livro de mesmo nome, do autor Andy Weir, um perito em escrever ficção científica de um jeito extremamente acessível, sem comprometer nem a Ciência nem a ficção.
Onde assistir: em cartaz nos cinemas brasileiros.
2. Estrelas além do tempo (2016)

Baseado em fatos reais, mostra a história de Katherine Johnson, Dorothy Vaughn e Mary Jackson, três mulheres brilhantes que trabalharam na NASA e foram os cérebros por trás de uma das maiores operações da História: o lançamento em órbita do astronauta John Glenn. Tudo isso enquanto atravessavam as barreiras de gênero e raça para inspirar gerações a sonhar grande.
Onde assistir: Disney+
3. Interestelar (2014)

Com a humanidade à beira da extinção, um grupo de astronautas viaja por um buraco de minhoca em busca de outro planeta habitável. Aborda viagem interestelar e relatividade em uma reflexão sobre a força do amor e do tempo.
4. Apollo 13: do desastre ao triunfo

Em 1970, uma explosão a bordo transforma a missão Apollo 13 em uma corrida pela sobrevivência. Com recursos mínimos e a tripulação à deriva no espaço, a NASA precisa improvisar soluções para trazer os três astronautas de volta à Terra. Baseado em fatos reais, o filme reconstrói os quatro dias de tensão que renderam a frase mais famosa da história espacial: “Houston, temos um problema.”
Onde assistir: Amazon Prime Video
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