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Estamos à beira de uma Terceira Guerra Mundial? 

Por Leandro Calbente

Estimativa de leitura: 4min 24seg

18 de julho de 2023

Em fevereiro de 2022, a Rússia invadiu a Ucrânia, provocando o início de uma violenta guerra no leste da Europa. Este conflito foi visto por muitos como uma ameaça para a paz mundial, podendo inclusive resultar em uma guerra mundial opondo a Rússia e seus aliados aos Estados Unidos e países membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Porém, diferentemente das guerras mundiais anteriores, tal conflito pode resultar na extinção da humanidade por conta do risco de utilização de armas nucleares. 

Após mais de um ano de conflito, as tensões na Europa continuam elevadas. A reação ucraniana e a dificuldade russa em consolidar suas posições militares demonstraram a impossibilidade de uma vitória militar rápida de qualquer lado no conflito. Esse cenário aumenta o temor da utilização das chamadas armas nucleares táticas, de pequeno alcance, pelos russos como forma de intimidar os ucranianos e pressionar as potências internacionais. 

Nesse cenário, há grandes riscos dos países da Otan, especialmente os Estados Unidos, adotarem uma postura ainda mais ativa no conflito, inclusive declarando guerra aos russos. Além disso, existe também o risco de que a China, uma das maiores potências do planeta, se envolva mais no conflito, apoiando os russos. O impacto disso é imprevisível, mas pode levar o globo à uma guerra nuclear com impactos mundiais.  

Porém, é importante lembrar que a História não é um processo determinado e uma guerra mundial não é um acontecimento inevitável. É por isso que os historiadores evitam previsões a respeito do futuro. O caminho para uma guerra mundial dependerá de decisões tomadas por diferentes agentes e a disposição da comunidade internacional em agir em prol de uma solução diplomática para a grave crise humanitária no Leste europeu. 

O estudo da História pode ajudar a pensar na importância da diplomacia para evitar um conflito mundial e nos riscos que o fracasso das negociações pode representar para a humanidade. A Primeira Guerra Mundial é um exemplo disso.  

Essa guerra teve início em 1914 após um grave incidente diplomático na península Balcânica. O herdeiro do trono do Império Austro-Húngaro, o arquiduque Francisco Ferdinando, foi assassinado durante um ataque terrorista promovido por uma organização nacionalista sérvia na cidade da Bósnia. O governo austríaco exigiu punições severas aos sérvios, com termos que dificilmente poderiam ser aceitos pelo governo do país.  

Nesse contexto, as demais potências adotaram posições agressivas e recusaram acordos que poderiam solucionar diplomaticamente esse incidente. Com o apoio da Alemanha, os austríacos declararam guerra aos sérvios mesmo sabendo que isso implicaria no envolvimento da Rússia nesse conflito. Os franceses apoiaram os russos, enquanto os alemães apoiaram os austríacos. A guerra mundial teve início com a decisão alemã de marchar em direção ao território francês invadindo a Bélgica. Essa situação levou os ingleses ao conflito ao lado dos russos e franceses. 

Assim, um incidente que poderia ser resolvido de forma negociada provocou um conflito de proporções até então desconhecidas, resultando em milhões de mortes em diversas partes do globo. As tecnologias militares empregadas no conflito chocaram o mundo, inclusive com a farta utilização de armas químicas em desacordo com normas e compromissos internacionais. 

Porém, essa não era a única escolha possível. Nesse caso, vale lembrar de outro exemplo histórico, a chamada crise dos mísseis, ocorrida durante a Guerra Fria, em outubro de 1962. O incidente diplomático envolveu os Estados Unidos e a União Soviética, as duas superpotências do período, após a descoberta de que os soviéticos pretendiam instalar mísseis nucleares na ilha de Cuba. Tal situação provocou a mobilização das forças militares estadunidenses, cercando a ilha para impedir o transporte dos mísseis soviéticos.  

As tensões entre as duas potências cresceram rapidamente e o mundo se aproximou de um conflito nuclear. Entretanto, após tensas negociações, um acordo diplomático foi estabelecido, evitando a utilização de armas de destruição de massa. Além disso, a comunidade internacional se mobilizou para construir acordos visando o controle das armas nucleares, como o Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares de 1970. 

Os desdobramentos da Guerra da Ucrânia são imprevisíveis. Existem muitos caminhos que podem ser tomados pelos dois países, bem como por demais membros da comunidade internacional, especialmente grandes potências como os Estados Unidos e a China. A diplomacia e a negociação podem evitar o agravamento da crise humanitária, exigindo um esforço de líderes internacionais.  

Enquanto essas negociações não avançam, as tensões internacionais continuarão a crescer, sempre representando um risco da ampliação do conflito e sua transformação em uma nova guerra mundial. Porém, esta pode ser ainda mais destrutiva do que as anteriores, colocando em risco toda a humanidade. 

Bacharel em História e Filosofia, mestre em História Econômica e doutor em Educação. Foi professor no Ensino Fundamental e Médio e é editor e autor de materiais didáticos.
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