O futuro do Enem e Saeb
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O futuro do Enem e do Saeb: o que muda na avaliação da Educação brasileira 

Por FTD Educação

Estimativa de leitura: 5min 59seg

29 de abril de 2026

Entenda como a integração entre Enem e Saeb deve transformar a avaliação da Educação Básica, reduzir a sobrecarga de provas e orientar o ensino por competências alinhadas à BNCC até 2028. 

O futuro do Enem e do Saeb aponta para uma transformação profunda na forma como o Brasil avalia a aprendizagem e orienta suas políticas educacionais. Mais do que mudanças técnicas, o que está em curso é uma redefinição do papel das avaliações em larga escala, que deixam de ser apenas instrumentos de mensuração para se tornarem indutores diretos da qualidade do ensino. 

Nos últimos anos, o Enem já havia se consolidado como a principal porta de entrada para o ensino superior. No entanto, com o decreto nº 12.915, de 30 de março de 2026, e os desdobramentos apresentados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o exame passa a assumir uma função ainda mais estratégica: integrar o Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica). Isso significa, na prática, substituir a atual prova do Saeb no Ensino Médio pela prova do Enem.  

Essa mudança responde a um desafio histórico da Educação brasileira: o baixo engajamento dos estudantes nas avaliações do Saeb.  

Diferentemente do Enem, que mobiliza milhões de jovens por impactar diretamente seus projetos de vida, o Saeb sempre enfrentou dificuldades em garantir participação significativa e comprometida.  

Ao integrar o Enem ao Saeb, o governo aposta em uma avaliação mais fidedigna da realidade educacional, baseada no desempenho de estudantes que, de fato, se dedicam à prova. 

Um novo modelo de avaliação: menos provas, mais sentido 

Para os estudantes, a principal vantagem é a redução da sobrecarga avaliativa. Em vez de realizar múltiplas provas com finalidades distintas, o Enem passa a concentrar funções: acesso ao ensino superior e diagnóstico da qualidade da Educação.  

O futuro do Enem e Saeb

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Já para as escolas, o impacto é igualmente relevante. Um dos maiores desafios da gestão escolar sempre foi engajar os alunos no Saeb, cuja aplicação muitas vezes era vista como distante da realidade do estudante. Com o Enem assumindo esse papel, esse problema tende a diminuir significativamente, já que o exame está diretamente conectado aos sonhos e objetivos dos jovens. Outro ponto é que, para as escolas privadas, a participação na avaliação do Saeb era amostral ou voluntária, agora, todos os estudantes passam a fazer parte da avaliação. 

Essa mudança também reforça uma tendência contemporânea na Educação: avaliações com propósito. Não se trata apenas de medir, mas de gerar dados que façam sentido para todos os envolvidos — estudantes, professores, gestores e formuladores de políticas públicas. 

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Mudanças estruturais até 2028 

A integração entre Enem e Saeb não acontecerá de forma imediata e completa. Trata-se de uma transição planejada, com etapas progressivas até 2028. Nesse percurso, o exame passará por reformulações importantes. 

Uma das mudanças já previstas para 2026 é a ampliação do uso de testlets — blocos de questões interligadas por um mesmo contexto ou situação-problema. Esse formato, que já começou a aparecer nas provas recentes, exige do estudante não apenas conhecimento pontual, mas capacidade de análise, interpretação e resolução de problemas complexos. Agora, além de estarem presentes nas provas de Linguagens, os testlets podem compor as avaliações de Ciências Humanas e Ciências da Natureza. 

Além disso, as novas matrizes do Enem, que serão publicadas em 2026, estarão totalmente alinhadas à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e passarão a orientar as provas a partir de 2028. Isso significa uma mudança significativa no foco da avaliação: sai o modelo centrado na memorização de conteúdos e entra um modelo orientado por competências e habilidades. 

Na prática, isso implica valorizar estudantes que saibam: 

  • Ler e interpretar diferentes tipos de texto; 
  • Estabelecer relações entre áreas do conhecimento; 
  • Resolver problemas reais e contextualizados; 
  • Argumentar com consistência, especialmente na redação. 

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O impacto pedagógico: o que muda na escola? 

Se as avaliações mudam, a escola também precisa mudar. O novo Enem, agora também como instrumento do Saeb, tende a influenciar diretamente o currículo, as metodologias e as práticas pedagógicas. 

Isso porque, historicamente, avaliações em larga escala funcionam como indutores do ensino. Em outras palavras: o que é cobrado nas provas acaba orientando o que é ensinado em sala de aula. 

Nesse novo cenário, ganha força uma Educação mais: 

  • Interdisciplinar; 
  • Baseada em resolução de problemas e na capacidade de leitura e interpretação; 
  • Centrada no desenvolvimento de competências; 
  • Conectada com a realidade dos estudantes. 

Para redes e escolas, isso representa tanto um desafio quanto uma oportunidade. Desafio porque exige revisão de práticas tradicionais ainda muito conteudistas. Oportunidade porque abre espaço para uma Educação mais significativa, alinhada às demandas do século XXI. 

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Um olhar para o futuro: avaliação, equidade e qualidade 

Ao integrar Enem e Saeb, o Brasil dá um passo importante na construção de um sistema de avaliação mais coerente, eficiente e alinhado com as políticas educacionais contemporâneas. 

No entanto, é importante destacar que nenhuma avaliação, por si só, transforma a Educação. Ela é apenas um instrumento. O impacto real dependerá de como os dados gerados serão utilizados para: 

  • Reduzir desigualdades educacionais; 
  • Apoiar a formação de professores; 
  • Orientar políticas públicas; 
  • Fortalecer a gestão escolar. 

Além disso, o sucesso desse novo modelo dependerá da capacidade de garantir que todos os estudantes tenham condições reais de participar e performar bem no exame, o que envolve questões estruturais, como acesso à Educação de qualidade, infraestrutura e equidade de oportunidades. 

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Conclusão 

O futuro do Enem e do Saeb aponta para uma convergência entre avaliação e propósito. Ao unificar funções e alinhar-se à BNCC, o exame deixa de ser apenas um filtro para o Ensino Superior e passa a ocupar um papel central na leitura da qualidade da Educação brasileira. 

Mais do que uma mudança de formato, estamos diante de uma mudança de paradigma: avaliar não apenas para classificar, mas para compreender, melhorar e transformar. 

Para educadores e gestores, a mensagem é clara: preparar os estudantes para o futuro não é mais sobre ensinar conteúdos isolados, mas sobre formar sujeitos capazes de ler o mundo, pensar criticamente e resolver problemas reais, exatamente o que o novo Enem passa a exigir. 

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