STEAM
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STEAM: Problemas da vida real na sala de aula

Por Revista Mundo Escolar

Estimativa de leitura: 7min 36seg

12 de janeiro de 2026

A busca por múltiplas soluções ajuda o estudante na cognição e no socioemocional; desafios são como
implementar essa abordagem em todas as escolas.

“Ao compreendermos como uma abordagem que tem como pressupostos a investigação científica, na busca por soluções para problemas reais, e que aplica os conhecimentos e as habilidades das diversas áreas envolvidas, podemos afirmar que estes pressupostos são fixos e característicos”, explica Mariana
Lorenzin, professora e pesquisadora do tema que engloba artes, ciências, tecnologia, engenharia
e matemática.

No entanto, a hoje coordenadora de STEAM, STEM e Ciências do Colégio Bandeirantes, em São Paulo, ressalta que não se trata de um método como uma receita pronta e que pode, inclusive, ser aplicado em diversas realidades, convertendo-se em um conceito versátil.

Quais os benefícios dessa proposta na evolução do desenvolvimento dos alunos? E pensando na realidade das mais de 178 mil escolas públicas do país, de acordo com o Censo Escolar, de que forma essas possibilidades já estão sendo viabilizadas e aplicadas nesse contexto?

Mudanças de processos

Colégio tradicional paulistano com quase 80 anos de história, o Bandeirantes passou a receber
com maior intensidade o STEAM a partir de 2015, resultado de uma jornada de mudanças na concepção da aplicação de ciências.

“Passou de um formato tradicional, em que apresentavam um caráter de reprodução dos processos científi cos com experimentos pautados em roteiros preestabelecidos, para um modelo em que essas atividades fazem parte de um sistema integrado de conhecimentos, que por sua vez está conectado com os problemas da sociedade”, explica Lorenzin.

A mudança, recorda-se, aproximou os alunos e professores do fazer ciência, de processos, erros, acertos e ajustes. Essa mudança foi impactante para docentes, estudantes e suas famílias; e gerou, em um momento inicial, estranhamento e resistência. “Para alguns, havia a desconfiança em relação às
novas práticas, o questionamento da necessidade da mudança”, comenta.

Para outros, no entanto, a educadora recorda-se de que já havia a percepção sobre o alinhamento da abordagem com as necessidades de uma educação contextualizada e menos fragmentada.

Prática, com P maiúsculo

Para o diretor de Inovação da Zoom, Adriano Lima, a essência da abordagem STEAM faz parte de
uma jornada de 27 anos da empresa, especializada em soluções educacionais e princípios potencializadores da aprendizagem.

“E quando eu falo prática é com o P maiúsculo, porque em vez de conhecer os conteúdos
separados, com foco na questão teórica, o aluno nesse sistema tem a oportunidade de trabalhar
na construção daqueles projetos de maneiras multidisciplinar, colaborativa, colocando a mão na
massa, o hands-on”, exemplifica.

Ainda no campo da versatilidade, Lima destaca as variadas possibilidades que a proposta permite
nas aplicações em sala de aula. “Se pensarmos apenas na letra ‘E’ do acrônimo, de Engenharia, veja
A riqueza que traz, as possibilidades infinitas para dentro de sala de aula, para o docente e o
próprio aluno, com link com as demais disciplinas”, ressalta.

Na sua visão, o STEAM é capaz de se fazer presente nos mais diversos públicos e, na presença de um educador preparado, ser uma ferramenta útil para o dia a dia dos alunos, cumprindo seu papel de explicar conceitos de maneira mais eficaz.

STEAM é abordagem prática e focada na versatilidade e na resolução de problemas reais.

Profissional do futuro

De acordo com o representante da Zoom, trata-se de conceitos que estão atrelados à proposta
do que seria um profissional do futuro, amparado em diretrizes internacionais, debatidas no Fórum Econômico Mundial.

“Ele traz as competências essenciais para esse indivíduo e quando alia essas propostas ao desenvolvimento com o aprendizado baseado em projetos e STEAM, consegue alcançar bons resultados, pois esse que vai estar no mercado no futuro é nosso aluno do presente”, reflete.

Nessa esteira estão pontos como criatividade, imaginação e inovação, que serão desenvolvidos com o pensamento crítico e a capacidade de resolução do problema apresentado. Além disso, há características como versatilidade, resiliência e a possibilidade de trabalhar com esses estudantes tanto as hard quanto as soft skills. “Trata-se de um campo muito fértil para o desenvolvimento sadio dessas habilidades”, cita.

“Há docentes focados em mudar os processos e transformar a realidade dos seus alunos.”

Aumento do poder cognitivo

Escolas parceiras que tiveram a aplicação de soluções baseadas na abordagem STEAM reconhecem componentes que atuam como catalisadores para bons resultados dentro da proposta didático-pedagógica.

“Estamos falando de aquisição de habilidades e competências socioemocionais e aumento do poder cognitivo dos nossos alunos – do aprender melhor”, salienta Lima, que prossegue afirmando que “as escolas também reconhecem isso no dia a dia, que criança e adolescente, a partir do momento em que têm esse contato plural, ampliam o horizonte do seu aprendizado”.

E finaliza: “para nós é um sentimento muito bom ter o STEAM como aliado nesse processo”.

O STEAM hoje

Passados oito anos de trabalhos com esse tipo de abordagem no Colégio Bandeirantes, a pesquisadora Lorenzin acredita que foi um processo amplo de transformações associado à mudança de cultura da instituição.

Atualmente, o STEAM está presente de forma integrada ao currículo de ciências da natureza, desde o 1º ano do ensino fundamental I até o 9º ano do ensino fundamental II, e como disciplina que trabalha problemas e projetos nas três séries do ensino médio.

“E vai além das paredes da sala de aula e é apresentado à comunidade escolar em eventos científi cos como a Mostra de Ciências, o Festival STEAM e o Seminário Científico e apresenta a ReviSTEAM, uma publicação anual dos projetos desenvolvidos na 2ª série do ensino médio”, exemplifica.

Em sua atuação na instituição, a docente explica que as discussões, as formações de professores e técnicas, pesquisas e outras atividades relacionadas ao STEAM são contínuas desde o ano da chegada da proposta, buscando referências, novas práticas e atualização de conceitos.

Rede pública

Para Lorenzin, considerando que a abordagem STEAM pode ser adaptada para diversos contextos, sua aplicação é “absolutamente possível, bem-vinda e vem acontecendo em algumas iniciativas na rede pública”.

A justificativa para tal afirmação está no fato de se tratar de um sistema complexo, que necessita
de equipamentos e espaço.

“É possível começar com investigações a partir de situações e problemas reais que, por meio do trabalho por projetos e em equipe, buscam soluções e propostas para as perguntas”, pontua. Cita ainda a existência de escolas e de professores que valorizam a abordagem STEAM e aplicam os princípios em suas práticas, algumas vezes sem usar esse nome específico.

“Há iniciativas diversas e interdisciplinares propostas por educadores – algumas delas incentivadas por premiações de empresas privadas –, há docentes empenhados em transformar o ensino para que este possa transformar a realidade dos estudantes, incentivar a pesquisa e a carreira científica”, sublinha.

Para a professora do Colégio Bandeirantes, o desafio está na ampliação dessas ferramentas para que a transformação no ensino aconteça, com apoio da gestão escolar, e se concretize na escola como um todo. E que não fique apenas nas mãos de algumas pessoas que pensam dessa maneira.

Para chegar a esse objetivo, esclarece que é necessário investimento na formação de professores com vivências e produção de um currículo que contemple essa concepção e se configure em elemento de transformação do ensino de ciências. “Eu acredito, de verdade, que temos bons profissionais, atentos às mudanças e que estão fazendo a diferença na sala de aula”, finaliza.

A BNCC cita o STEAM?

A resposta direta é não. O texto da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), homologado no final do ano de 2018 pelo Ministério da Educação (MEC), não cita a abordagem STEAM ao apresentar a concepção da área de Ciências da Natureza.

No entanto, a professora Mariana Lorenzin, do Colégio Bandeirantes, ressalta que “o acesso à diversidade de conhecimentos científicos ao longo da história, principais processos, práticas e procedimentos da
investigação científi ca, a realização de escolhas e intervenções conscientes no contexto, superando a
realização de experimentos preestabelecidos – esses conceitos dialogam diretamente com os pressupostos do STEAM”.

Para a pesquisadora, esse olhar será ainda ampliado durante a análise das competências específi cas
para essa área do conhecimento.

“Enxergamos que as políticas educacionais vislumbram o ensino de ciências, que encontra e direciona
as orientações no mesmo sentido da abordagem STEAM, favorecendo a sua aplicação desde que alinhada com uma formação de professores que supere a concepção tradicional desta área”, afirma.

Este texto foi publicado originalmente na Revista Mundo Escolar edição n° 19, página 46. Acesse a Revista completa aqui.

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