Conheça os nove livros obrigatórios da Fuvest 2027, entenda por que eles foram escolhidos e saiba como organizar sua leitura para chegar mais bem preparado ao vestibular da USP.
A preparação para a Fuvest vai muito além da resolução de exercícios. Todos os anos, milhares de candidatos precisam ler e interpretar obras literárias que servem de base para questões de Literatura e Língua Portuguesa e até mesmo para discussões interdisciplinares na prova.
Para a Fuvest 2027, a lista reúne nove obras de diferentes gêneros e períodos históricos, escritas exclusivamente por autoras de língua portuguesa. A seleção busca ampliar o repertório cultural dos estudantes e valorizar diferentes perspectivas da literatura lusófona. Confira a lista completa.
Quais são os livros obrigatórios da Fuvest 2027?
As leituras obrigatórias para o vestibular são:
1. Opúsculo Humanitário (1853), de Nísia Floresta
Mais do que uma obra literária, Opúsculo Humanitário é um ensaio que marcou a história da educação brasileira. Nele, Nísia Floresta defende a importância da educação para as mulheres e critica as desigualdades de gênero presentes na sociedade do século XIX. Ao comparar a realidade brasileira com a de outros países, a autora argumenta que o desenvolvimento de uma nação depende da formação intelectual de suas cidadãs, tornando a obra um marco do pensamento feminista e educacional no Brasil.
2. Nebulosas (1872), de Narcisa Amália
Primeiro livro da poeta e jornalista Narcisa Amália, Nebulosas reúne poemas que combinam lirismo, sensibilidade e engajamento social. A obra dialoga com o Romantismo ao explorar temas como natureza e subjetividade, mas também se destaca por abordar questões como liberdade, justiça e abolicionismo. Com uma voz feminina forte e inovadora para a época, a autora amplia os horizontes da poesia brasileira do século XIX.
3. Memórias de Martha (1899), de Julia Lopes de Almeida
Narrado em primeira pessoa, o romance acompanha a trajetória de Martha desde a infância até a vida adulta, revelando os desafios enfrentados por uma mulher em uma sociedade marcada por desigualdades sociais e de gênero. Ao retratar perdas, dificuldades econômicas e limitações impostas às mulheres, Julia Lopes de Almeida constrói uma crítica à realidade do fim do século XIX e apresenta uma protagonista que busca autonomia e dignidade.
4. Caminho de Pedras (1937), de Rachel de Queiroz
Ambientado na década de 1930, o romance acompanha Noemi, uma mulher dividida entre os conflitos da vida afetiva e o envolvimento com a militância política. Em meio às transformações sociais e ideológicas do período, Rachel de Queiroz apresenta personagens complexos e discute temas como liberdade, desigualdade, participação política e o papel da mulher na sociedade brasileira.
5. A paixão segundo G. H. (1964), de Clarice Lispector
Considerado um dos romances mais importantes da literatura brasileira, A paixão segundo G. H. narra a profunda transformação interior vivida por uma escultora após um acontecimento aparentemente comum. Com uma narrativa introspectiva e filosófica, Clarice Lispector conduz o leitor por reflexões sobre identidade, existência, consciência e os limites da condição humana, tornando a obra um dos grandes marcos da literatura modernista.
6. Geografia (1967), de Sophia de Mello Breyner Andresen
Nesta coletânea de poemas, a escritora portuguesa Sophia de Mello Breyner Andresen utiliza paisagens, o mar, a memória e a natureza para refletir sobre a existência humana. Com uma linguagem delicada e repleta de simbolismos, a autora constrói uma poesia que conecta espaço, identidade e liberdade, consolidando-se como uma das vozes mais importantes da literatura portuguesa contemporânea.
7. Balada de amor ao vento (1990), de Paulina Chiziane
Primeiro romance publicado por uma mulher em Moçambique, Balada de amor ao vento acompanha a trajetória de Sarnau, uma personagem que enfrenta os desafios impostos pelas tradições, pela poligamia e pelas desigualdades de gênero. Ao entrelaçar elementos da cultura africana com questões sociais e históricas, Paulina Chiziane oferece um retrato sensível da condição feminina e das transformações vividas pela sociedade moçambicana.
8. Canção para ninar menino grande (2018), de Conceição Evaristo
Neste romance contemporâneo, Conceição Evaristo apresenta uma narrativa marcada pela oralidade, pela memória e pelos afetos para discutir identidade, ancestralidade e relações raciais. A obra acompanha personagens profundamente humanos e evidencia uma das principais características da autora: a escrevivência, conceito que une experiências pessoais e coletivas à construção literária.
9. A visão das plantas (2019), de Djaimilia Pereira de Almeida
O romance acompanha um ex-marinheiro português que, já idoso, dedica seus dias ao cultivo de um jardim enquanto revisita lembranças de seu passado. Com uma narrativa delicada e simbólica, Djaimilia Pereira de Almeida reflete sobre memória, culpa, colonialismo e reparação, utilizando as plantas como metáfora para o cuidado, a transformação e a possibilidade de reconstrução da própria humanidade.








