Apostar no cinema, na música, nas HQs e em outras mídias pode ser uma solução transformadora para que os estudantes ampliem seus horizontes e estimulem o senso crítico.
Quando realizamos qualquer prova, escrevemos uma redação ou debatemos algum assunto, nosso conhecimento adquirido é posto em prática. Caso tenha estudado a matéria e se preparado, a possibilidade que se saia bem é maior. Caso contrário, terá de contar sua capacidade dedutiva acerca daquele assunto. Em ambos os casos, há uma “carta na manga” com a qual poderá sempre contar para buscar fontes alternativas de informações: o seu repertório pessoal, seja ele composto por cinema, música, quadrinhos, games, entre outras mídias.
O Ensino Multimídia nos dias atuais
Em uma era na qual a informação é facilmente acessível e difundida por meio de diversos veículos midiáticos, como a música, filmes, livros e conteúdo on-line, a Educação Multimídia desempenha um papel fundamental no desenvolvimento dos estudantes, permitindo-lhes ampliar seus horizontes, adquirir conhecimentos diversos e desenvolver habilidades essenciais para suas vidas.

Jovem conectada | Foto: Shutterstok
É possível adquirir conhecimento de infinitas fontes, e daí nasce a importância de uma Educação Multimídia, que englobe diferentes formatos e que proporcionem aos estudantes uma compreensão mais profunda e abrangente do mundo que os cerca.
A arte, a música, o cinema e, hoje em dia, até mesmo séries televisivas e jogos eletrônicos podem estimular o pensamento crítico acerca de diversos assuntos ao passo que também nos ensinam sobre diferentes épocas, lugares, culturas e suas histórias.
A arte, o “pop” e a Educação
Isso se evidencia ao olharmos para a exigência de alguns vestibulares dos últimos anos, que olharam para além dos clássicos romances e contos da literatura, e começaram a pedir que obras contemporâneas fossem consumidas pelos vestibulandos. Foi o que aconteceu quando a Unicamp, na sua lista de leituras obrigatórias de 2020, incluiu o clássico disco de hip hop “Sobrevivendo no Inferno”, dos Racionais MC’s e o diário “Quarto de despejo”, de Maria Carolina de Jesus. oi o que aconteceu quando a Unicamp, na sua lista de leituras obrigatórias de 2020, incluiu o clássico disco de hip hop “Sobrevivendo no Inferno”, dos Racionais MC’s e o diário “Quarto de despejo”, de Maria Carolina de Jesus.

Capa do disco “Sobrevivendo no Inferno”, dos Racionais MC’s. Foto: Divulgação
Outros exemplos de mídia no ensino
Entre outros exemplos em vestibulares, está o livro Torto Arado, de Itamar Vieira Júnior, publicado em 2019, que começou a ser exigido por diversas universidades federais e estaduais nos seus respectivos vestibulares. Além disso, a Universidade Federal de Uberlândia exigiu, para seu vestibular de 2022, o filme “Bacurau”, de Kléber Mendonça Filho e Juliano Dornelles e o álbum musical “A fábrica do poema”, da cantora Adriana Calcanhotto. Na mesma linha, a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, também em 2022, exigiu filmes como “Viramundo”, de Geraldo Sarno e “Que Horas Ela Volta?”, da diretora Anna Muylaert.
Trailer do filme “Que Horas Ela Volta?”, de Anna Muylaert.
Muitas dessas obras, exigidas ou não em vestibulares, desafiam os estudantes a refletir sobre nossa realidade e sobre temas como a desigualdade social, violência, racismo, discriminação, entre outros. Ao ter contato com a arte que é amplamente consumida por diversos grupos sociais, o pensamento crítico e interpretativo dos estudantes é estimulado e suas visões de mundo, ampliadas.
Qual a vantagem em aderir às diversas mídias para a Educação?
Ao incorporar uma Educação Multimídia no dia a dia dos estudantes, também os capacita a se tornarem consumidores mais conscientes, os quais consequentemente irão jogar a luz do pensamento crítico sobre aquilo que eles mesmos gostam de consumir fora da sala de aula. Assim, o processo de aprendizado torna-se muito mais divertido e contextualizado para os jovens ao verem que é possível correlacionar aquilo que lhes agrada com as matérias que aprendem. https://youtu.be/Dffs46VCJ_g

Karine Teles em “Bacurau” (2019). GIF: Tenor
Em suma, ao integrar música, filmes e livros contemporâneos no currículo escolar, os educadores conseguem conectar o conteúdo acadêmico aos interesses e experiências dos alunos, tornando o processo de aprendizagem mais significativo e envolvente. Vale ressaltar que a Educação Multimídia não substitui a importância do ensino tradicional, como a leitura de clássicos da literatura ou o estudo da Matemática e das Ciências. Pelo contrário, ela complementa e enriquece essas disciplinas, tornando-as mais acessíveis e relevantes para os estudantes.
Ademais, vale ressaltar que até mesmo os clássicos podem ganhar novos formatos com a contemporaneidade. É o caso das adaptações para os quadrinhos de livros como Odisseia, de Homero e Quincas Borba, de Machado de Assis, ou de versões ilustradas, como A Megera Domada, de Shakespeare. Outras formas de leitura também valem a atenção das escolas e estudantes, como audiolivros ou plataformas que integrem o aprendizado e a gamificação, a fim de engajar os estudantes com o conteúdo da grade curricular.
Como as escolas devem enxergar a Educação Multimídia?
É fundamental que as instituições de ensino e os educadores reconheçam a importância da Educação Multimídia e busquem maneiras de integrar música, filmes, quadrinhos e livros contemporâneos em suas práticas pedagógicas. Isso pode ser feito por meio de sistemas de ensino inovadores, que buscam soluções educacionais em fontes alternativas, como na música, no audiovisual e nos games.
Investir em uma Educação Multimídia é investir no potencial dos estudantes, na sua capacidade de se conectar com o mundo ao seu redor e de se tornarem agentes de mudança. É proporcionar a eles as ferramentas necessárias para compreender, questionar e transformar a sociedade em que vivem.







