Família

Por que começar a Educação Financeira na infância? 

Por Carolina Simões Lopes Ligocki

Estimativa de leitura: 3min 5seg

5 de setembro de 2023

A Educação Financeira não trata apenas de dinheiro, ensina a fazer melhores escolhas.

As pesquisas de Ciências Comportamentais mostram que um indivíduo toma aproximadamente 35.000 decisões por dia e a grande maioria são feitas de forma automática, sem pensar. Você já tinha parado para contabilizar suas decisões?  

Pois é, ao escolher a hora de levantar da cama, o que comer, como se locomover, e como utilizar as 24 horas do dia, estamos definindo muitos dos resultados que colheremos em diversas áreas da vida e estamos movimentando dinheiro. Isso mesmo, o dinheiro é um dos recursos que temos e geramos um fluxo a partir das decisões. Por exemplo, ao optar por comprar e consumir verduras orgânicas, a pessoa pode estar pagando mais caro, mas, ao mesmo tempo, provavelmente está ingerindo menor quantidade de aditivos químicos, que aumenta as chances de gastar menos com medicamentos e tratamentos de saúde, está preservando a qualidade da água e do solo, gerando menor impacto ambiental e está gerando empregos no campo.  

Sabendo de tudo isso, é possível decidir com melhor clareza já pensando em possíveis consequências. Mas isso não é necessariamente óbvio, não fomos incentivados a enxergar a cadeia produtiva, o lixo gerado, o que estamos deixando de ter e fazer, ao consumir algo e é por isso, que a Educação Financeira, desde a infância, pode contribuir tanto com a qualidade de vida das pessoas. 

Quanto antes, as crianças começarem a reconhecer a presença do dinheiro nos objetos ao redor, na escola, em casa, nos ambientes públicos, nos cuidados com os pets… mais fácil será planejar, estabelecer objetivos e agir de forma responsável e sustentável. 

A Educação Financeira vai muito além de saber calcular o troco ou guardar dinheiro para o futuro, ela possibilita enfrentar desafios e aproveitar oportunidades, independentemente da quantidade de renda. As crianças são público-alvo de várias propagandas, muitas já têm acesso a cartões para comprar lanches, jogam gastando e ganhando pontos em games cada vez mais sedutores. É fundamental prepará-las para resistir às pressões de consumo, entender o valor do dinheiro, a necessidade de planejar gastos e evitar os desperdícios. E, além disso, incentivá-las a usar o dinheiro de forma ética e colaborativa. 

Mas você deve estar se perguntando: Qual o momento ideal para começar a Educação Financeira das crianças? Como as habilidades comportamentais são mais importantes do que as informações financeiras, mesmo antes de entender números e quantidades, é possível ensinar a esperar, organizar, planejar, listar desejos, definir prioridades, gerir recursos, percebendo a quantidade e a finitude deles. Mesmo antes de dar dinheiro às crianças, é possível fazer com que gerenciem o tempo de uso de aparelhos eletrônicos, carga da bateria, consumo de guloseimas… e vão se organizando e definindo prioridades. 

Para ter uma vida financeira leve e sustentável, os comportamentos são mais importantes do que o conhecimento sobre Matemática, juros e investimentos. No Brasil, temos muita gente bem informada e com ótimos salários, com péssimos resultados financeiros e incapazes de usar esse dinheiro para viver bem. Segundo dados de 2022, da Confederação Nacional do Comércio, 76% das pessoas que ganham acima de 10 salários mínimos estão endividadas. 

Felizmente já existem iniciativas públicas e privadas para melhorar essa realidade, são escolas e famílias investindo na Educação Financeira de crianças e jovens para termos uma próxima geração melhor preparada para superar desafios e aproveitar oportunidades com maior autonomia, sustentabilidade e responsabilidade. 

Carolina oficina das finanças
Co-fundadora da Oficina das Finanças, autora, investidora, empresária, palestrante e bióloga.
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