dia internacional da mulher
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Apoiar os interesses das meninas na Ciência não é só um caminho, é uma missão global! 

Por Juliana Piccoli

Estimativa de leitura: 6min 57seg

6 de março de 2024

Na Ciência ou em qualquer carreira na qual deseja seguir, a mulher tem papel fundamental e isso já está mais do que provado. 

Ao longo dos anos, muitas mulheres lutaram para que outras pudessem ter acesso à Educação, à igualdade de oportunidades e à valorização de sua inteligência e habilidades. O 8 de março não representa apenas a lembrança de ser mulher, a data é importante para celebrar as conquistas femininas ao longo da história e refletir sobre as desigualdades ainda presentes na sociedade. 

Você sabia, por exemplo, que apesar de as mulheres serem maioria nas Universidades, ainda é baixo o percentual daquelas que se mantêm na graduação? As mulheres enfrentam diversos desafios e quadros discriminatórios para permanecerem firmes no propósito do estudo. 

Em outubro de 2023, a Comissão de Educação (CE) debateu a permanência feminina na academia. Confira no vídeo a seguir:

Reprodução: Canal TV Senado 

As conquistas das mulheres na Educação 

Apesar de desafiador, as mulheres vêm deixando seu legado na Educação. Vamos a um pouco de história: no Brasil, elas só tiveram acesso ao Ensino Superior em 1879, na época do Brasil Império, mas a primeira matrícula só foi feita em 1887. As casadas precisavam pedir autorização do marido e as solteiras, dos pais. 

Mas antes disso, uma mulher foi pioneira em realizar seu sonho: Maria Augusta Generoso Estrela foi a primeira médica brasileira, ingressando no curso de Medicina do New York Medical College and Hospital for Women, nos Estados Unidos, em 1876, já que no Brasil ainda não eram permitidas mulheres médicas.  

maria augusta generoso
Maria Augusta Generoso Estrela | Foto reprodução: Agenda Bonifácio 

Maria Augusta exerceu a profissão por muitos anos, mesmo após casada e com filhos, atendendo principalmente mulheres e pessoas vulneráveis. Faleceu aos 86 anos e seu legado é inspirador até hoje. 

Após a conquista do acesso ao Ensino Superior, as mulheres não mais retrocederam, tendo sua participação se intensificando cada vez mais ao longo dos anos.  

A publicação Education at a Glance (EaG), de 2021, desenvolvida pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), aponta que as mulheres têm mais chances de fazer o Ensino Superior do que os homens.   

Estudos, pesquisas e exames realizados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) refletem a superioridade quando se trata de levantamentos sobre o cenário educacional no Brasil. As mulheres são, em grande parte, maioria entre estudantes e docentes, assim como lideram índices relacionados a cargos de gestão e à participação em avaliações.   

A carreira e o caminho para as meninas em áreas STEAM 

STEAM – Sigla em inglês para Ciências, Tecnologia, Engenharia, Arte e Matemática. Talvez o termo não seja familiar para você, mas não se preocupe, pois, trabalhar em uma dessas áreas também é algo ainda distante do universo das meninas. Conforme pesquisa realizada pela Meninas Brasileiras e STEAM,

“62% das estudantes brasileiras não conhecem nenhuma mulher que trabalhe na área. E o mercado comprova o distanciamento de gênero: no Brasil, apenas 13% das cadeiras de tecnologia e educação são ocupadas por mulheres; 21,6% delas estão em cargos de engenharia e produção industrial.”  

Meninas Brasileiras e STEAM: O abismo do presente e a oportunidade de um novo futuro | Reprodução: Fundação ArcelorMittal 

Conforme pesquisa realizada pela plataforma “Força Meninas”, na sociedade em geral, nem meninos e nem as próprias meninas consideram que tais áreas podem ser ocupadas por mulheres. Ambos não sabem quais profissões existem e não conhecem pessoas que trabalham nas áreas de Ciências. Este cenário de desconhecimento do que significam áreas STEAM se repetiu na maior parte das escolas públicas ou privadas, em diferentes contextos sociais.   

Para mudar esse cenário, é fundamental cultivar iniciativas e projetos que têm como objetivo levar empoderamento às meninas pelo Brasil, para que se tornem protagonistas de suas histórias.  

Recentemente, um grupo de cinco meninas estudantes de São Gonçalo – RJ, venceu um desafio lançado pela Nasa e vão conhecer as instalações da empresa nos EUA. Larissa Vargas, Sara Soares, Samara Santos, Jennifer Marques e Kezia Alexandre criaram o jogo: “Eclipse: Celestial Shadows”. Nele, os jogadores aprendem sobre todo o funcionamento dos eclipses e porque somente algumas pessoas da Terra podem vê-los em um determinado momento. 

Meninas reunidas no desenvolvimento do jogo “Eclipse: Celestial Shadows”. Foto: A Tribuna – RJ 

A competição Space Apps, organizada pela Nasa desde 2012, já teve mais de 280 mil inscritos. O desafio reúne programadores, cientistas, designers, criadores, construtores, tecnólogos e muito mais. 

Mulheres cientistas que inspiram 

Carol Shaw. Foto reprodução: Canaltech 

Você sabe quem é atualmente considerada a mãe da Ciência? O nome dela é Ada Lovelace (1815-1852), descrita como a primeira mulher a programar um computador. Em meados do século XIX a condessa analisava e traduzia materiais matemáticos, que numa época com mais desenvolvimento tecnológico, poderia ter criado o primeiro algoritmo do mundo, provando assim sua lógica, que mais tarde foi legitimada. 

Carol Shaw (1955), engenheira da computação, também é uma dessas mulheres que revolucionaram a época em que vivia. Em 1955 foi pioneira no trabalho com desenvolvimento de jogos digitais: criou softwares para games e consoles. Entre outros nomes, temos Frances Allen, Grace Hopper, Roberta Williams, Katherine Johson e Hedy Lamarr. 

Shaw é a primeira mulher a trabalhar na indústria de games, sendo uma das principais pioneiras para a igualdade de gêneros nesse segmento.   

Confira as três brasileiras que são destaque atualmente 

1. Na bioengenharia: Nadia Ayda 

Nadia Ayda. Foto: napratica.org

A jovem carioca criou um sistema inovador de dessalinização da água. Nadia Ayda decidiu seguir carreira em bioengenharia, que trata do desenvolvimento de novas tecnologias do ponto de vista da engenharia para resolver problemas da ciência da vida.

Na Física: Bárbara Crunivel 

cientista Bárbara Crunivel
Bárbara Crunivel. Foto: Facebook

A jovem que desenvolve instrumentos para o estudo das galáxias. Desde criança, Bárbara participa de olimpíadas científicas e hoje é uma referência para muitas jovens.

Na Química: Ligia Melo 

Ligia Melo. Foto: Facebook. 

Medalhista em olimpíadas internacionais de Química. Atualmente, Ligia estuda Engenharia Química na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos.

Um dia para celebrar o Dia Internacional das Mulheres é pouco. Queremos mais!

Sabemos que o Dia Internacional da Mulher é uma data comemorativa, que foi oficializada pela Organização das Nações Unidas na década de 1970. Mas o que talvez você não saiba é que existe, também, uma data que celebra as Mulheres e Meninas na Ciência, celebrada em 11 de fevereiro, instituída em 2015 pela Assembleia Geral e celebrada pelas Nações Unidas e Unesco, destacando o engajamento e a persistência da mulher em ultrapassar barreiras e fomentar a liberdade de escolha, a fim de aumentar sua participação nas áreas STEAM. 

Dicas para levar a Educação STEAM para meninas (e meninos também!) 

  • > Apresentar referências das muitas mulheres que fazem ciência atualmente; 
  • > Conversar sobre as questões de desigualdade; 
  • > Debater o que impede a participação efetiva das mulheres nas áreas STEAM; 
  • > Promover a abordagem STEAM em casa e em sala de aula, com atividades práticas; 
  • > Ficar atento ao material oferecido em sala de aula; 
  • > Estimular a participação de meninas em olimpíadas científicas. 

Alguns dos caminhos para incentivar e aumentar a representatividade feminina são apoiar e reconhecer seus interesses, estimular a curiosidade, ampliar o repertório e ajudar as meninas a reconhecerem essas áreas como ferramentas para mudar o futuro. 

É papel de todos encorajar, apresentar referências inspiradoras, levando em conta recortes diversos – mulheres negras, mulheres maduras, mulheres com deficiência. Mostrar que é possível alcançar sucesso na área independentemente do seu gênero! 

Publicitária com 20 anos de experiência em Comunicação. Redatora por amor. Apaixonada por livros, cultura e muitas viagens por esse mundão à fora.
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