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Dia dos Povos Indígenas: termos para tirar do seu vocabulário 

Por Brenda Torres

Estimativa de leitura: 3min 20seg

8 de abril de 2024

Ao evitar termos inadequados e estereótipos prejudiciais, podemos promover uma maior compreensão e solidariedade às comunidades indígenas. 

O Dia dos Povos Indígenas, celebrado em 19 de abril, é uma oportunidade para celebrar a diversidade cultural e reconhecer as lutas e conquistas das comunidades indígenas em todo o mundo.   

É também um lembrete para todos nós sobre a importância de respeitar, proteger e apoiar os direitos dos povos indígenas. 

Apesar das contribuições significativas dessas comunidades para a diversidade cultural e a preservação ambiental, eles continuam enfrentando uma série de desafios.  

É fundamental que o Estado brasileiro e a sociedade civil se mobilizem para garantir os direitos dos povos indígenas a fim de proteger seus modos de vida, suas terras e suas culturas. 

Como parte do esforço contínuo para promover o respeito e reconhecimento em relação aos povos indígenas, é importante rever a linguagem que utilizamos a fim de evitar termos que podem ser considerados inadequados ou ofensivos. 

Lista de termos para começar a evitar: 

  • >> Índio: genérico e estereotipado, não reconhece a diversidade dos povos originários. É preferível usar “indígena” ou o nome específico da comunidade ou grupo étnico quando conhecido. 
  • >> Primitivo: carrega conotações de inferioridade e falta de desenvolvimento, o que não reflete a complexidade das sociedades indígenas. 
  • >> Selvagem: ofensivo, perpetua estereótipos negativos e desumaniza as comunidades indígenas. 
  • >> Tribos: o uso indiscriminado desse termo pode simplificar e reduzir a diversidade cultural e social dos povos indígenas. O ideal é usar “aldeia” ou “comunidade”. 
  • >> Mitos: o termo “mito” ao se referir às crenças religiosas ou histórias tradicionais dos povos indígenas desvaloriza suas práticas espirituais e culturais. 
  • >> Tabajara: usado como sinônimo de “falso” ou “ruim”, é extremamente ofensivo para os povos indígenas. 
  • >> Tupiniquim: como sinônimo de “brasileiro”, tem conotação pejorativa visto que Tupiniquim é um dos muitos povos indígenas presentes no Brasil. 
  • >> Beleza exótica: reforçando a visão do “outro”, colocando pessoas indígenas em um local de diferenciação. 

Descolonizando a narrativa do “descobrimento” do Brasil 

 

A história do Brasil frequentemente começa com a chegada dos colonizadores europeus em 1500. No entanto, essa perspectiva tradicional ignora a invasão e colonização de um território já habitado por povos indígenas há muito tempo. 

A palavra “descobrimento” em si carrega conotações eurocêntricas e colonialistas, sugerindo que o Brasil era uma terra vazia antes da chegada dos portugueses.  

O que os navegadores portugueses “descobriram” em 1500 já era uma terra rica em diversidade cultural, com sociedades indígenas que haviam desenvolvido modos de vida adaptados às diferentes regiões do território.  

Eles conheciam as terras, os rios, as plantas e os animais muito antes da chegada dos europeus. 

A colonização europeia trouxe consigo a exploração desenfreada dos recursos naturais, a violência, o genocídio e a imposição de sistemas sociais e econômicos estrangeiros.  

Os povos indígenas foram subjugados, escravizados e dizimados em uma tentativa de impor uma visão de mundo dominada pela Europa. 

A resistência dos povos indígenas, no entanto, é uma parte crucial da história do Brasil que muitas vezes é ignorada. Eles lutaram bravamente contra a colonização, defendendo suas terras, suas culturas e suas formas de vida.  

Mesmo diante de séculos de opressão, eles persistiram, mantendo vivas suas tradições e lutando por seus direitos. 

Descolonizar a narrativa do “descobrimento” significa reconhecer e confrontar o legado de injustiça e violência que acompanhou a chegada dos colonizadores europeus. 

Somente ao reconhecer plenamente o passado colonial do Brasil e suas consequências duradouras, podemos avançar em direção a um futuro mais justo e inclusivo, onde as vozes e os direitos dos povos indígenas sejam verdadeiramente respeitados e valorizados. 

Jornalista que atua como Redatora. Vivências em Comunicação Interna, Roteiro e Marketing Digital. Curte fotografia, artesanato e tatuagem.
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