Desvende os equívocos mais comuns e descubra a verdade essencial para uma compreensão mais clara e precisa do câncer de mama.
O câncer de mama é um tópico amplamente discutido e, por isso, frequentemente cercado por uma série de mitos e desinformações.
Essas crenças errôneas podem influenciar desde a forma como percebemos a doença até as decisões que tomamos sobre prevenção e tratamento. Em um cenário repleto de informações conflitantes, é vital separar fatos de ficção para garantir que todos tenham acesso a informações precisas e úteis.
Neste artigo, vamos examinar oito mitos sobre o câncer de mama, desmascarando conceitos equivocados e fornecendo clareza sobre o que realmente importa quando se trata de entender e lidar com essa condição. Com conhecimento correto, podemos tomar decisões mais informadas e promover uma abordagem mais eficaz para a saúde das mamas.
Neste Outubro Rosa, junte-se a nós e descubra a verdade sobre o câncer de mama – a informação é a melhor prevenção!

Mito nº 1: Se você tem histórico familiar de câncer de mama, é provável que você também desenvolva câncer de mama
Segundo a National Breast Cancer Foundation (INC), enquanto mulheres com histórico familiar de câncer de mama estão em um grupo de risco mais elevado, a maioria das mulheres com doença não tem antecedentes familiares. Estatisticamente, apenas cerca de 5-10% dos casos de câncer de mama estão associados a um histórico familiar da doença.
No entanto, é importante estar ciente de alguns pontos sobre o histórico familiar de câncer de mama:
- Parentes de primeiro grau: Se você tem uma mãe, filha ou irmã ou até mesmo pai que desenvolveu câncer de mama antes dos 50 anos, é recomendado iniciar exames de imagem, como mamografias, 10 anos antes da idade em que seu parente descobriu. Por exemplo, se sua mãe foi diagnosticada com 43 anos, você deve começar a realizar mamografias a partir dos 33 anos.
- Parentes de segundo grau: Se você tem uma avó ou tia com câncer de mama, seu risco é ligeiramente maior, mas não é tão alto quanto o risco associado a um parente de primeiro grau com a doença.
- Histórico familiar extenso: Se vários membros de sua família, especialmente parentes de primeiro grau, foram diagnosticados com câncer de mama em idades jovens (antes dos 50 anos) ou se a doença é recorrente em várias gerações do mesmo lado da família, isso pode indicar a presença de um gene associado ao câncer de mama, como o BRCA. Nesses casos, os médicos podem recomendar testes genéticos para avaliar a presença de mutações relacionadas ao câncer de mama.
Mito nº 2: O câncer de mama afeta apenas mulheres de meia-idade ou mais velhas.
Embora a maioria dos casos de câncer de mama ocorra em mulheres de meia-idade ou mais velhas, o diagnóstico de câncer de mama pode ocorrer em qualquer idade ou momento.
Uma pesquisa publicada no periódico científico BMJ Oncology que revelou que o número de diagnósticos precoce (diagnóstico abaixo de 50 anos) aumentou 79,1% entre 1990 e 2019, saltando de 1,82 milhão para 3,26 milhões.
No Brasil, o Observatório do Câncer, que compila dados de pacientes tratados no AC Camargo Cancer Center, mostra que entre os anos de 2000 e 2020, o número de casos de câncer de mama em mulheres jovens (abaixo dos 40 anos) é de 11,9%. Essa taxa é mais alta no Brasil que em outros países; nos Estados Unidos apenas 5% dos pacientes têm menos de 40 anos.
Mito nº 3: Dor nos seios é um sinal definitivo de câncer de mama
Curiosamente, dor nos seios geralmente não é um sinal de câncer de mama, embora não deva ser completamente descartado.
O sintoma mais comum do câncer de mama é o aparecimento de um novo nódulo na mama. A maioria dos nódulos não é cancerígena e não causa dor. Outros sintomas potenciais do câncer de mama podem incluir:
- inchaço;
- secreção;
- alterações no mamilo ou na pele;
- gânglios linfáticos inchados e, ocasionalmente, dor no peito ou no mamilo.
É importante lembrar que muitos desses sintomas podem indicar condições benignas (não cancerígenas). Da mesma forma, a dor no peito pode resultar de qualquer coisa, desde um sutiã sem suporte até hormônios, uma lesão ou até mesmo retenção de água.
Portanto, embora a dor nos seios não seja, geralmente, um sinal de câncer de mama, é crucial não a desconsiderar.
Se você notar qualquer mudança em suas mamas, especialmente se for localizada e persistente, é importante procurar um médico para uma avaliação adequada. A detecção precoce e a avaliação correta são essenciais para o tratamento e sua saúde geral.
Mito nº 4: Os homens não têm câncer de mama; ele afeta apenas as mulheres
Embora o câncer de mama também possa acometer homens, sua incidência é muito menor, representando menos de 1% dos casos totais, conforme relatado pelo Ministério da Saúde.
Mesmo que essa porcentagem ainda seja pequena, os homens também devem fazer periodicamente um autoexame das mamas enquanto tomam banho e relatar quaisquer alterações ao seu médico.
O câncer de mama em homens é detectado como um caroço duro abaixo do mamilo e da aréola.
Mito nº 5: Antitranspirantes, sutiãs, tinturas de cabelo, laticínios e uso de celulares causam câncer de mama
Não há evidências científicas que relacionem o tipo de sutiã (incluindo sutiãs com aro), o tamanho do sutiã ou o tamanho dos seios a um risco elevado de câncer de mama.
Isso vale para antitranspirantes, desodorantes, alimentos específicos, tinturas de cabelo e uso de celulares. No entanto, o câncer de mama tem sido associado ao estilo de vida e fatores ambientais.
Para ajudar a diminuir o risco, os especialistas recomendam manter um peso saudável, praticar exercícios regularmente e limitar a quantidade de álcool ingerida.
Lembre-se: A obesidade está associada a um risco aumentado de desenvolver alguns tipos de câncer, por exemplo, câncer de cólon (câncer colorretal) e câncer pancreático. Por isso, ter uma dieta saudável e equilibrada é importante.
Mito nº 6: O câncer de mama é mais comum em mulheres com seios maiores
Há um mito persistente de que mulheres com seios grandes têm um risco maior de desenvolver câncer de mama. No entanto, não há evidências científicas que comprovem essa afirmação. O tamanho dos seios em si não é um fator de risco significativo para o câncer de mama.
O risco de câncer de mama é influenciado por uma combinação de fatores genéticos, hormonais e ambientais. Entre os principais fatores de risco estão a idade avançada, histórico familiar de câncer de mama, presença de mutações genéticas específicas (como BRCA1 e BRCA2), exposição prolongada a estrogênios e fatores de estilo de vida, como má alimentação e falta de atividade física.
É importante que todas as mulheres, independentemente do tamanho dos seios, realizem exames regulares de rastreamento e estejam atentas a quaisquer alterações em suas mamas. A detecção precoce é crucial para o tratamento eficaz e para a melhoria dos prognósticos.
Em resumo, o tamanho dos seios não determina o risco de câncer de mama. A melhor maneira de proteger sua saúde é manter um acompanhamento médico adequado e adotar práticas de prevenção recomendadas.
Mito nº 7: Um caroço no seio é o único sintoma que preciso observar
O câncer de mama nem sempre começa com um caroço, apesar de ser um dos sintomas mais comumente conhecidos da doença.
Além de um caroço, os sintomas a serem observados incluem:
- Uma nova área de tecido espessado em sua mama;
- Uma alteração no tamanho ou formato de uma ou ambas as mamas;
- Uma mudança na aparência do seu mamilo, como ficar afundado;
- Um caroço ou inchaço em qualquer axila;
- Erupção cutânea, crostas, pele escamosa ou com coceira ou vermelhidão no mamilo ou ao redor dele;
- Enrugamento ou covinhas na pele do seu peito;
- Descarga de fluido de qualquer mamilo.
Se você sentir algum desses sintomas, entre em contato com seu médico o mais rápido possível.
Mito nº 8: Todos os cânceres de mama são iguais
Um equívoco comum é a ideia de que todos os cânceres de mama são iguais. Na realidade, o câncer de mama é uma doença complexa e multifacetada, com várias formas e características distintas. A classificação e o tratamento do câncer de mama dependem de diferentes fatores que podem variar significativamente entre os casos.
Os tipos de câncer de mama podem ser classificados com base em características como a origem do tumor (por exemplo, carcinoma ductal invasivo ou carcinoma lobular invasivo), a presença ou ausência de receptores hormonais (estrogênio e progesterona) e a expressão do HER2, uma proteína que pode promover o crescimento das células cancerígenas. Essas características influenciam tanto o comportamento do câncer quanto as opções de tratamento.
Além disso, o câncer de mama pode variar em termos de agressividade, taxa de crescimento e resposta ao tratamento. Por exemplo, alguns tipos de câncer de mama são mais sensíveis a hormônios e podem ser tratados com terapias hormonais, enquanto outros podem ser mais agressivos e exigir tratamentos mais intensivos, como quimioterapia ou terapias direcionadas.
É crucial que o diagnóstico e o tratamento do câncer de mama sejam personalizados com base nas características específicas de cada caso. As decisões sobre o tratamento são tomadas considerando o tipo de câncer, seu estágio e outras características individuais da paciente.
Portanto, ao enfrentar um diagnóstico de câncer de mama, é fundamental obter informações detalhadas sobre o tipo específico da doença e discutir as opções de tratamento com um especialista. Reconhecer que o câncer de mama não é uma doença uniforme é essencial para um tratamento eficaz e personalizado.
Autoexame
A detecção precoce inclui fazer autoexames mensais das mamas e agendar exames clínicos regulares das mamas e mamografias. É recomendável aprender mais sobre o autoexame das mamas para aumentar as chances de detecção precoce.

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