Superior-Geral dos Irmãos Maristas visita a FTD Educação e reforça missão, cultura e inovação
Por FTD Educação
Estimativa de leitura: 12min 54seg
11 de setembro de 2026
Em passagem pelo Brasil, o Ir. Peter Carroll encontrou lideranças da FTD Educação, visitou o Parque Gráfico e destacou a importância de preservar a identidade marista em um cenário marcado por transformações sociais, educacionais e tecnológicas.
Como garantir que uma instituição continue crescendo, inovando e alcançando resultados sem perder de vista aquilo que lhe deu origem?
Essa foi uma das reflexões que marcaram a visita do Ir. Peter Carroll, Superior-Geral do Instituto dos Irmãos Maristas, à matriz da FTD Educação, no dia 8 de setembro de 2026. Em encontro com lideranças da instituição, ele falou sobre missão, cultura organizacional, inovação e sobre a responsabilidade de entregar às próximas gerações instituições que sejam não apenas bem-sucedidas, mas também profundamente maristas.
A passagem pela FTD faz parte de uma agenda mais ampla do Superior-Geral no Brasil. Peter Carroll veio ao país inicialmente para participar do Fórum Regional da Região América Sul (RAS), realizado entre 17 e 21 de agosto, no Centro de Espiritualidade Cristo Rei (Cecrei), em São Leopoldo (RS). O encontro reuniu mais de 90 participantes das cinco Províncias Maristas que integram a Região América Sul para momentos de reflexão, discernimento e construção conjunta dos caminhos da missão marista no continente.
A partir dessa agenda, o Superior-Geral aproveitou sua permanência no Brasil para conhecer e visitar as três Províncias Maristas do país: Brasil Sul-Amazônia, Brasil Centro-Norte e Brasil Centro-Sul.
A visita não corresponde, necessariamente, a uma agenda anual. Eleito recentemente para um mandato de oito anos, Ir. Peter deverá conhecer, ao longo desse período, as diferentes Províncias Maristas espalhadas pelo mundo. Mais do que uma visita de cortesia, esse movimento faz parte do próprio serviço de animação do Superior-Geral, já que as Constituições Maristas estabelecem que as Unidades Administrativas sejam visitadas ao menos uma vez durante o mandato, pelo próprio Superior-Geral ou por seus colaboradores, como expressão de proximidade, escuta e acompanhamento da vida e da missão do Instituto.
Quem é o Ir. Peter Carroll?
Australiano, natural de Queensland, Peter Gerard Carroll foi eleito Superior-Geral do Instituto dos Irmãos Maristas em 30 de setembro de 2025, durante o XXIII Capítulo Geral, realizado em Tagaytay, nas Filipinas.
Ele se tornou o 15º sucessor de São Marcelino Champagnat no serviço de Superior-Geral e assumiu um mandato de oito anos (2025–2033) à frente do Instituto.
Sua trajetória está profundamente ligada à educação. Ir. Peter atuou como professor, responsável por departamentos de Educação Religiosa e diretor de instituições de ensino, além de exercer diferentes funções de liderança e governança marista antes de chegar ao Governo Geral.
Como Superior-Geral, cabe a ele, juntamente com o Conselho Geral, animar a vida e a missão dos Maristas presentes em diferentes partes do mundo e contribuir para que os direcionamentos definidos pelo XXIII Capítulo Geral se traduzam em ações concretas.
Segundo as Constituições do Instituto, o Superior-Geral, como sucessor do Fundador, reúne os Irmãos em torno de Cristo, guia e acompanha sua fidelidade aos compromissos assumidos, discerne com eles como adaptar o apostolado às necessidades dos tempos e zela pela fidelidade à missão, especialmente a serviço das crianças e dos jovens mais vulneráveis. Junto com o Conselho-Geral, participa ainda da definição da orientação estratégica para a vida e a missão do Instituto, em resposta às necessidades do presente e às orientações do Capítulo Geral.
Hoje, a missão marista está presente em mais de 80 países e nos seis continentes, por meio de escolas, universidades, centros sociais, atuação com jovens, proteção de crianças, publicação educacional e ambientes digitais, entre outras frentes.
Nesse contexto, a liderança do Superior-Geral busca favorecer uma missão compartilhada entre Irmãos, leigos, leigas e colaboradores, respeitando a diversidade dos diferentes lugares em que o carisma marista está presente.
Esse horizonte ganhou contornos concretos no XXIII Capítulo Geral, que endossou prioridades como uma educação marista evangelizadora, de qualidade e transformadora; a promoção e a proteção dos direitos de crianças e jovens; a espiritualidade como fonte de sentido e cuidado com a vida; a escuta e a participação das novas gerações; o cuidado das relações familiares e da casa comum; e a promoção da saúde mental, do bem-estar e do cuidado integral. O Capítulo também reforçou o caminho de identidade, comunhão e pertença dos leigos maristas, dimensão especialmente significativa em uma missão hoje amplamente compartilhada entre Irmãos e leigos.
Uma visita que coloca a missão no centro da conversa
Na FTD Educação, Peter Carroll chamou a atenção justamente para a relação entre identidade, missão e cultura.
Para ele, uma organização não preserva sua identidade apenas por meio de documentos, discursos ou planejamentos estratégicos. Essa identidade é construída diariamente nas relações, nas decisões e nos comportamentos das pessoas.
“A liderança não é simplesmente sobre alcançar objetivos. É sobre formar cultura.” (Irmão Peter Carroll)
Durante o encontro, cultura foi apresentada como o conjunto de valores, pressupostos, comportamentos e relações que orientam aquilo que as pessoas fazem — inclusive quando ninguém está observando. Nesse sentido, estratégias, estruturas e orçamentos são fundamentais, mas é a cultura que determina como esses planos serão efetivamente vividos.
Essa compreensão dialoga com uma reflexão que Ir. Peter já vinha desenvolvendo antes de assumir o Governo Geral. Em 2022, quando era Provincial da Austrália, ele assinou o capítulo “Liderança e cura”, na obra Vozes Maristas: Ensaios sobre Liderança Profética e Servidora. Ali, apresenta a liderança cristã como serviço capaz de gerar confiança, encontro, escuta, humildade e cuidado com as pessoas, especialmente em contextos marcados por incerteza e vulnerabilidade. Essa perspectiva ajuda a compreender por que, na FTD, ele voltou a relacionar liderança, cultura e desenvolvimento humano.
A reflexão ganha importância em um período de rápidas mudanças na educação. Inteligência artificial, tecnologias digitais, novas formas de aprender, transformações no mundo do trabalho e mudanças sociais exigem que instituições educacionais sejam capazes de inovar.
Para o Ir. Peter, porém, “fidelidade à missão não significa permanecer imóvel”. Cada geração precisa encontrar novas maneiras de expressar o mesmo propósito diante das necessidades de seu tempo. Ao mesmo tempo, a inovação precisa estar a serviço das pessoas e do desenvolvimento humano.
A mesma tensão entre inovação e centralidade humana aparece na Missão Educativa Marista, que apresenta as obras educativas como lugares de aprendizagem, vida, evangelização e inovação. O documento orienta que as tecnologias sejam utilizadas de modo consciente, ético e responsável e recorda que o virtual não substitui o encontro humano. Assim, inovar, na perspectiva marista, não é apenas incorporar novos recursos, mas discernir como eles podem ampliar a aprendizagem, a inclusão, o bem comum e o desenvolvimento integral das pessoas.
O que a missão marista tem a ver com a FTD Educação?
Na própria história da FTD, educação e missão caminham juntas. Durante sua fala, Ir. Peter lembrou que o nome FTD remete ao Irmão Théophane Durand, Superior-Geral dos Irmãos Maristas no período em que se desenvolveram os primeiros trabalhos editoriais que deram origem à atuação da instituição.
Essa história ajuda a compreender a publicação educacional não apenas como uma atividade comercial, mas como uma das formas pelas quais a missão educadora se concretiza.
“Um livro pode ser visto como produto. Uma plataforma, como serviço. Um recurso digital, como tecnologia. Mas, dentro dessa perspectiva, todos eles também podem se tornar instrumentos de formação humana, capazes de ajudar crianças e jovens a compreender quem são, interpretar o mundo, conviver com outras pessoas e imaginar possibilidades para o futuro”. (Irmão Peter Carroll)
Durante sua passagem pela FTD Educação, o Ir. Peter também visitou o Parque Gráfico e acompanhou de perto as diferentes etapas da produção de um livro. A visita permitiu conhecer um dos processos que materializam essa missão educativa: da produção editorial ao livro que chega às mãos de estudantes e educadores. Na ocasião, o Superior-Geral destacou a importância da atuação da FTD Educação para a missão marista e para a formação de crianças e jovens.
A experiência reforçou uma das ideias centrais apresentadas durante o encontro: excelência, inovação e resultados são importantes, mas encontram seu sentido mais profundo quando permanecem a serviço da Educação e da formação humana.
Esse equilíbrio também está presente na tradição educativa marista. A Missão Educativa Marista valoriza iniciativa, sustentabilidade, planejamento, avaliação e respostas criativas às necessidades contemporâneas, mas adverte que resultados, reputação ou retorno econômico não podem se tornar os únicos critérios de uma obra. A questão central, portanto, não é escolher entre missão e desempenho, e sim assegurar que a competência profissional, a inovação e a sustentabilidade permaneçam efetivamente a serviço da missão (Júlio Souza).
O desafio de crescer sem perder a identidade
Outro tema abordado foi o chamado “mission drift”, expressão utilizada para descrever o afastamento gradual de uma organização de sua missão original.
Esse processo raramente acontece de forma repentina. Pode começar quando determinadas práticas deixam de ser valorizadas, quando a formação perde espaço, quando a eficiência se torna o único critério de decisão ou quando resultados começam a ocupar o lugar do propósito.
Uma instituição pode, inclusive, continuar usando a linguagem de sua tradição sem necessariamente viver os valores que ela representa.
Por isso, Ir. Peter apontou a formação das lideranças e dos colaboradores como uma dimensão essencial para o futuro das obras maristas.
Conhecer a história, compreender o carisma e conseguir relacioná-lo às situações concretas do cotidiano são condições importantes para que a identidade permaneça viva, especialmente em organizações que atravessam mudanças tecnológicas, sociais e culturais.
Na linguagem da tradição marista, essa postura pode ser compreendida como fidelidade criativa ao carisma de Marcelino Champagnat: conservar o núcleo que dá identidade à missão e, ao mesmo tempo, encontrar formas novas, pertinentes e corajosas de responder às necessidades de cada tempo. É uma fidelidade dinâmica, capaz de integrar espiritualidade, profissionalismo, inovação e leitura atenta dos contextos culturais e educacionais.
Dignidade, espírito de família, simplicidade, excelência e esperança
Durante o encontro, o Ir. Peter apresentou cinco pilares que ajudam a expressar a cultura marista e indicou como eles podem se manifestar concretamente na atuação das lideranças.
1. Dignidade
Cada pessoa tem valor inerente e merece respeito, calma e interesse genuíno. Para as lideranças, isso significa conhecer as pessoas, escutar com cuidado e demonstrar preocupação real com colaboradores e famílias.
2. Espírito de família
As relações devem ser marcadas por confiança, respeito mútuo, colaboração e corresponsabilidade. Na prática, isso envolve compartilhar sucessos, enfrentar dificuldades em conjunto e lidar com as diferenças com honestidade e caridade.
3. Simplicidade
Está relacionada à autenticidade, à comunicação honesta e ao foco no que realmente importa. Entre as implicações para a liderança estão reduzir hierarquias desnecessárias, evitar burocracias excessivas e criar espaço para contribuições genuínas.
4. Excelência
Expressa-se por meio da competência, da iniciativa, da melhoria contínua e do trabalho bem feito. Ir. Peter ressaltou que a busca por padrões elevados deve ser compreendida como uma forma de serviço e de respeito àqueles que são atendidos, e não como busca por prestígio ou vaidade.
5. Esperança
Significa confiar no potencial dos jovens e na presença de Deus na vida cotidiana. Esse valor convida as lideranças a enfrentar os problemas com realismo, sem cinismo, e a acolher as mudanças com criatividade, fé e confiança.
Os pilares mostram que a identidade marista não se limita a uma declaração institucional. Ela se manifesta nas relações, nas escolhas e nos comportamentos que formam a cultura da organização no cotidiano.
Os cinco pilares apresentados por Ir. Peter também dialogam com traços clássicos do estilo educativo marista. “A Missão Educativa Marista destaca o jeito de Maria, o espírito de família, a presença, a simplicidade e o amor ao trabalho como características que se traduzem em acolhida, proximidade, confiança, responsabilidade e serviço. Nesse horizonte, excelência não se reduz à performance: é competência colocada a serviço das pessoas e da missão”, afirma Júlio Souza, consultor especialista institucional.
Liderar, inovar e proteger a identidade
Mais do que responder aos desafios de mercado, acompanhar as transformações tecnológicas ou alcançar bons resultados, o futuro das obras maristas passa pela capacidade de permanecer fiel ao sonho que lhes deu origem.
Foi essa perspectiva que atravessou a mensagem de Ir. Peter à FTD Educação: continuar crescendo, inovando e buscando excelência sem permitir que o propósito se perca pelo caminho.
“Vista nesse contexto, a passagem do Superior-Geral pela FTD Educação ganha também densidade institucional: integra o início de uma nova Administração Geral, com mandato até 2033, chamada a transformar os discernimentos do XXIII Capítulo em prioridades, decisões e modos concretos de viver a missão marista em diferentes realidades do mundo”, explica Júlio Souza.
“O futuro das obras maristas não será determinado apenas por mercados, tecnologias ou condições econômicas, mas pela fidelidade ao sonho que lhes deu origem. Nossa esperança é que continuemos crescendo como instituições maristas: lugares em que excelência e humanidade, inovação e valores, competência profissional e profundidade espiritual caminhem juntas”, destaca o Ir. Peter.
Ao falar sobre o legado que esta geração é chamada a construir, Ir. Peter reforçou ainda:
“Não se trata apenas de administrar uma grande herança, mas de construir um futuro no qual a missão marista continue florescendo.”
O encontro na FTD Educação foi concluído com agradecimentos e uma oração em grupo, reafirmando, também nesse gesto, a espiritualidade que sustenta a missão e acompanha a vida das obras maristas.
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