Colunistas
Parceria Família-Escola: momentos delicados pedem atitudes dedicadas 
Por Leo Fraiman
Estimativa de leitura: 4min 40seg

As relações entre as famílias e as escolas sofreram mudanças muito intensas nas últimas décadas. Se até o começo dos anos 2000 a escola exercia uma autoridade quase que incontestável sobre as famílias, guiando os caminhos, definindo o certo e o errado, numa posição de autoridade quase absoluta, hoje em dia, vemos uma relação praticamente oposta a essa em instituições escolares em nosso país.  

De sujeitos passivos, muitos familiares tendem atualmente a se colocar como clientes, querendo ter sempre a razão. De onde vem isso? Não podemos esquecer que ambas, família e escola, estão inseridas em um contexto social, sendo produto e produtoras de algumas das mudanças que destacaremos a seguir.  

Vivemos hoje a era da experiência. Da padaria ao voo em uma aeronave, da visita a um museu a uma comida encomendada, somos incitados a todo tempo a emitir nossa opinião, a avaliar como foi nossa experiência. Com o crescimento da oferta de produtos e serviços, o cliente passa a ser o avaliador e muitas vezes o elemento que decide a continuidade ou não do que lhe é ofertado.  

Mas quando se trata do serviço educacional, as coisas se tornam um pouco mais complexas, afinal de contas, muito do que é vivido dentro das escolas, e também na experiência do estudo do meio, na lição de casa, em projetos e pesquisas que transcendem o horário escolar, nem sempre tudo é tão gostoso ou agradável de ser feito, experienciado. Paralelo a esse processo mercadológico, também observamos hoje um afã muito grande de agradarmos às crianças e os jovens.  

Marcas que atingem todas as classes sociais já descobriram isso e bombardeiam tanto os filhos como os pais, com apelos consumistas quase onipresentes. Soma-se a isso, a comparação social decorrente do uso cada vez mais intenso das redes sociais e poderemos ter um cenário um pouco mais completo que nos ajude a entender essa desautorização da escola como autoridade. 

É claro que o diálogo e a troca de experiências é bem-vinda, é um sinal de humanidade, mas estamos perdendo a mão quando achamos que uma pessoa leiga, seja ela a mãe ou a filha, podem ditar o livro de matemática, por exemplo, que a escola adota. Isso também se dá no momento em que, com a melhor das intenções, os familiares reclamam nas redes sociais ou nos grupos de WhatsApp sobre uma nota dada por um professor para seus filhos. 

Nem tudo está perdido e diante desse novo cenário, podemos adotar uma atitude empreendedora, transformadora, que promova uma nova alfabetização atitudinal de todos os envolvidos. Falamos aqui em uma proposta de um A, E, I, O, U que norteie nossas relações e nos traga mais serenidade e sabedoria.  

A – Amorosidade: Quando estiver em uma reunião com as famílias ou algum familiar, procure demonstrar empatia, olhe nos olhos, agradeça sua participação, mostre que você se importa com o filho e que tem um interesse genuíno, em juntos, encontrarem soluções. Estenda a mão e reforce a afetividade entre vocês. 

E – Elegância: Quando apresentar o trabalho de sua instituição escolar, quando enviar uma mensagem às famílias, procure verificar como é a experiência daquele que recebe esse conteúdo. É agradável? É claro? É consistente? É um sinal de elegância pensarmos não só no que queremos dizer, mas também no modo como o outro poderá receber aquilo que temos a comunicar. 

I – Interesse: Ressalte o seu interesse no filho, no momento que a família esteja passando. Faça perguntas sobre como estão, o que têm vivido, como está o dia a dia da casa. Demonstre que se importa de verdade com seu interlocutor, pois isso tende a acalmar os ânimos e a reforçar a parceria.  

O – Otimismo: A postura pessimista de carteirinha diante da vida nos tira da postura protagonista, transformadora, e nos paralisa. Por outro lado, o mero otimismo também tem seus perigos, pois podemos nos estagnar a partir da crença de que tudo vai se resolver e assim também podemos desprezar cuidados necessários. Quando preparar uma aula, uma reunião, uma roda de conversa com sua equipe ou quando orientar um aluno que esteja passando por uma situação difícil, você pode experimentar o otimismo realista, que significa perceber a realidade, o desafio e adotar uma postura humilde, criativa e visa encontrar caminhos. 

U – Utilidade: Quando comunicar algo delicado para uma família, procure perceber se o que você está falando sobre o aluno é realmente útil, claro, propositivo. Ao dizer, por exemplo, que a criança precisaria rever um comportamento ou que há sinais que indicam um possível diagnóstico, seja do que for, procure ser útil e indicar uma leitura, algum profissional, caminhos para que essa mãe, esse pai, entendam que sua fala não é acusatória, e sim, um ato de cuidado.  

Como vimos, as relações entre as famílias e as escolas, têm sido muito delicadas nos últimos tempos. Após a pandemia isso se intensificou. Porém, vale lembrar que momentos delicados, pedem atitudes dedicadas. Fica aqui o convite para que você se dedique a formar e manter uma parceria saudável, eficaz e feliz com aqueles que confiam na sua escola.  

Leo Fraiman
Psicoterapeuta, palestrante, autor de mais de 20 livros, criador da Metodologia OPEE, presente em mais de 1.500 escolas pelo Brasil.
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