A maturidade e o autoconhecimento são fatores positivos na jornada de descoberta do mundo!
Aprender novas culturas, viver diferentes experiências, apreciar a arte e curtir a gastronomia, esses são alguns dos relatos de quem já viajou pelo mundo. Tem o idioma, é claro, mas todas as outras vivências tornam essa oportunidade única na vida de quem se aventura por aí. Mas muito se engana quem pensa que a vida de intercambista e todas essas experiências se reservam apenas para os adolescentes e jovens do Ensino Médio.
E como prova de que intercâmbio é para todos, só aqui do Brasil, são mais de 88 mil estudantes ao redor do mundo*. E na lista de países com mais pessoas estudando fora do seu país de origem, o Brasil ocupa a 10ª posição, ficando atrás de lugares como China (1º), Índia (2º), Vietnã (3º) e Estados Unidos (7º). Durante o período pandêmico, as fronteiras foram fechadas e o sonho de construir experiências no exterior precisaram ser adiados por muitas pessoas.
Entretanto, um ano pós-pandemia, foi registrado que a busca para realizar um intercâmbio cresceu até mais que o esperado, com um aumento de 18%. De acordo com a Belta (Associação das Agências de Intercâmbio no Brasil) no ano de 2022, 455.480 mil estudantes saíram do Brasil para fazer um intercâmbio, contra 386.000 mil em 2019**, período pré-pandemico.

Prepare o passaporte para as próximas viagens! Reprodução: shutterstock/Brenda Rocha
Sérgio Drabavicius, Diretor da agência Academia de Intercambio, conta que até o perfil do intercambista mudou nos últimos anos. Se antes, a faixa etária que mais buscava a agência para fazer um programa era até 20 anos, hoje o cenário é outro. “Os intercambistas variam de 20 a 45 anos, são pessoas que já fizeram graduação e atingiram o objetivo profissional, e agora eles querem embarcar para aproveitar a vida, estudar idiomas ou fazer cursos livres”, explica.
As possibilidades para fazer um intercâmbio são diversas, como cursos de idiomas, graduação, cursos profissionais, pós-graduação (MBA ou masters), mestrado ou doutorado, aupair (cuidar de crianças), voluntariado ou a modalidade de estudo e trabalho ao mesmo tempo. A duração quem escolhe é o estudante, de acordo com sua disponibilidade, desejos e dinheiro disponível para investir. O tempo pode ser de uma semana, duas, um mês, três, sete… ou um ano, dois, quatro, esses detalhes quem define é você.

Malas prontas? | Reprodução: Giphy
Lugares mais procurados x novas possibilidades
Os países mais procurados pelos estudantes segue sendo o Canadá e os Estados Unidos, na América do Norte, e o Reino Unido, na Europa. A Austrália, na Oceania, e a Irlanda, na Europa, são destinos que a busca cresceu muito, pois são locais que o intercambista pode trabalhar e estudar ao mesmo tempo.
Sérgio Drabavicius explica que Malta (Europa), Nova Zelândia (Oceania) e até mesmo Portugal (Europa) estão entre as escolhas diferentes e no auge para aprender a Língua Inglesa. “Hoje os intercambistas procuram mais por um país onde possam estudar e trabalhar, assim eles aproveitam melhor a estadia e ainda economizam”.

Na América do Sul, a Argentina é um dos países mais buscado para estudar espanhol. | Reprodução: shutterstock/Mamong
Já Espanha (Europa) e México (América do Norte) ainda lideram as buscas para estudar a Língua Espanhola. Porém, outros países da América do Sul já figuram como opções mais acessíveis, principalmente para os brasileiros, como a Argentina, Chile, Colômbia, Uruguai, Peru e Bolívia.
Outro ponto de destaque que Drabavicius traz é a procura por novos idiomas: coreano, japonês e alemão têm ganhado muita relevância. A Coreia do Sul (Ásia), Japão (Ásia) e Alemanha (Europa) são destinos que estão em alta, provando que outros idiomas além do inglês e espanhol também têm um grande cenário de oportunidades.
Experiências de quem já embarcou para outros países
>> África do Sul
Quem realizou esse sonho foi Viviane Franco, de 29 anos, para Capetown, onde ficou por 8 semanas. Engenheira de Minas de formação, decidiu estudar Inglês para conquistar oportunidades melhores no seu mercado de trabalho, se comunicar sem falhas com os colegas e conseguir estudar as tendências da sua área. Além disso, ela conta que, como era tímida, queria vivenciar outras experiências sem julgamentos.
“Eu fiquei me questionando se valeria a pena ir agora, já adulta, porque eu só via gente novinha indo… E eu fui trabalhando daqui do Brasil, com obrigações e demandas a cumprir, mas consegui aproveitar tudo e imergir na cultura. Lá eu ficava sempre exposta ao idioma, pois estava em contato com pessoas do mundo todo, inclusive da minha idade.”

Viviane explorando CapeTown, na África do Sul. | Acervo pessoal
A engenheira conta que o segredo da viagem é aproveitar cada segundo e todas as oportunidades. “Fiz todas as atividades gratuitas, explorei a cultura do lugar, e fiz todos os passeios que no Brasil não são possíveis, como um Safari e ver um leão ali no seu habitat, é uma oportunidade única na vida”, relata.
O que o intercambio proporcionou – “Eu perdi minha timidez e me ajudou a desbloquear o idioma, porque tinha muito medo de errar… Hoje tenho uma visão de mundo muito diferente, aprendi a me expressar com os nativos e a gesticular, eles me deixaram muito confortável para aprender. Tanto que essa confiança na minha expressão eu trouxe até para o português!”
>> Irlanda e Alemanha
24 países, quatro idiomas e muitos sonhos pela frente. Isso resume bem o professor Jefferson Ferraz, de 33 anos. Primeiro, passou dois anos na Irlanda estudando inglês, mas ao voltar para o Brasil, percebeu que queria viver mais dessas aventuras e voltou para Europa, mas decidido a aprender alemão na Alemanha. Não satisfeito, enquanto estava lá, ainda se dedicou sozinho a aprender espanhol. Também conta com uma passagem pela Holanda, na qual fez uma graduação em Marketing.
Nessas andanças, visitou lugares como Vaticano, Marrocos, Croácia, França, Espanha, Bélgica, Polônia e outros mais! “A coisa mais legal do intercambio é, sem dúvida, estar em contato com pessoas de variadas culturas, porque você aprende a ser flexível, a compreender a visão de mundo do outro, a ver tudo com outros olhos”, comenta.

Jefferson por Londres, no Reino Unido, Paris, na França, e no Deserto do Saara, em Marrocos. | Acervo pessoal
“Eu era professor universitário no Brasil, e nessas de voltar a ser estudante de novo, tanto na escola de idiomas quanto na faculdade, eu aprendi muito com todos os professores com quem cruzei, troquei muito com eles, porque a didática é diferente, a forma de dar aulas também”, explica.
O que o intercambio proporcionou – “Mudou minha vida por completo, 360º. Mudei de carreira, hoje eu moro na Irlanda como residente mesmo, trabalho, posso estudar, viajar e ver a história com meus próprios olhos e ter um lar para voltar.”
>>EUA, Colômbia e Canadá
Natana Nunes, de 33 anos, decidiu que queria conhecer o mundo enquanto aprendia um segundo e terceiro idioma, ao passo que aprimorava suas habilidades em engenharia. Tanto que, atualmente, é estudante de mestrado e pesquisadora em Engenharia de Minas na University of Utah, em Salt Lake City, Utah, no oeste dos Estados Unidos.
Mas essas aventuras começaram em 2013 com um intercâmbio durante a graduação para três locais diferentes dos Estados Unidos: aulas de inglês por um semestre, em Boulder, Colorado; um semestre como exchange student na Southern Illinois University, em Carbondale, Illinois; e outro semestre na University of Nevada, em Reno, Nevada. “Nessa oportunidade, tinha 23 anos, fiquei 1 ano e meio no total e posso dizer com certeza que foi a experiência que mudou minha vida”, conta.

Natana se aventurando em sua experiência pelo Canadá. | Acervo pessoal
Com objetivo de estudar espanhol, ela passou um mês em Cartagena, na Colômbia, e para aprimorar o vocabulário dentro da engenharia, passou um mês em Vancouver, Canadá, estudando mais focada em “business”. Natana conta que a parte mais legal de fazer um intercâmbio é viajar e conhecer gente, fazer amizades para a vida.
“Na Colômbia e no Canadá aproveitei todos os finais de semana para viajar para diferentes cidades e ter novas experiências. Como eu amo montanhas e estar na natureza, meu local favorito no Canada foi em Banff National Park, com vibrantes lagos e montanhas incríveis, já na Colômbia foi fazer parasailing (parapente) na ilha de San Andres, vendo as cores maravilhosas do mar do Caribe!”, conta.
O que o intercambio proporcionou – ” Não consigo mensurar quantas coisas positivas eu colhi de meus intercâmbios. Desde oportunidades profissionais, amizades, viagens e mais recentemente a oportunidade de fazer meu mestrado. Todas as coisas aconteceram por influência deles.”
>> Canadá
Já Maria José de Araújo, 70 anos, fez seu primeiro intercâmbio aos 60. A viagem foi para Vancouver, no Canadá, com o intuito de aperfeiçoar a Língua Inglesa e viver a cultura canadense. “Minha filha ia trabalhar em Toronto por um período e me pediu para acompanhá-la e cuidar dos meus netos. E como eu queria conhecer a cultura do país, aproveitei para conhecer Vancouver também!”
Ela conta que passou oito semanas no modelo ‘host family’, quando o estudante fica hospedado na casa de uma família nativa, e aproveitou muito todos os passeios feitos com a turma. “A família que me hospedou foi muito carinhosa e atenciosa e minha idade não foi empecilho em nenhum momento do intercâmbio.”

Maria José se divertindo pelo Canadá. | Acervo pessoal
O que o intercambio proporcionou – “Tive mais segurança para me comunicar, cuidar dos meus netos e resolver questões do dia a dia enquanto estava em Toronto. Conhecer outra cultura me mostrou o quanto nosso país é diferente, mas que é maravilhoso também. E depois do intercambio, fui para Taiwan apresentar um artigo em um evento internacional, em que o idioma oficial era o inglês.”
Será que 2 semanas vale a pena? Eu fiz!
Sempre sonhei em fazer um intercâmbio, mas as condições enquanto estava na escola e até mesmo na faculdade não eram favoráveis ($$$). Então, no ano de 2022, aproveitei as férias e embarquei para a Espanha para estudar espanhol por 2 semanas (e, de quebra, ainda fiquei mais uma semana passeando pelo país).

Sagrada Família e Camp Nou, em Barcelona, e o Palácio Real de Madrid. | Acervo pessoal
A cidade escolhida foi Barcelona e fiz a modalidade curso de idiomas, estudava pela manhã e tinha o resto do dia livre para curtir. E, se você que está lendo este artigo acha que é muito pouco, lhe digo com firmeza: não é. Qualquer período já faz muita diferença, e como estava viajando sozinha, falava espanhol 100% do meu tempo. Tanto que na primeira aula pós-viagem, minha professora (@espanholeschevere) comentou que evolui um ano em apenas 20 dias.
Fui para Stiges, Zaragoza e Madrid. Vi obras de Gaudí (um dos maiores arquitetos que já passaram pela Terra), o mar de águas geladas do mediterrâneo, provei os melhores gelatos e a tradicional paella. Vi a história viva acontecendo, no protesto em prol da liberdade da Cataluña. Então, aprendi muito, não só a fluência na fala e na escuta, mas a leitura e escrita (afinal, sou jornalista) e, principalmente, sobre um povo e uma cultura muito diferente da minha.
E se você quer fazer um intercâmbio, faça. É uma experiência ÚNICA na vida! 🌏💫
*Diversify with Data: Insights for Higher Ed Institutions, apoiado em números da UNESCO (2022).
**Belta, via Bom Dia Brasil, edição 22 de maio de 2023. Confira aqui.







