autonomia financeira de jovens
Conteúdo formativo Educador

Autonomia financeira de jovens: preparação para trabalho, renda, investimentos e cidadania 

Por Carolina Ligocki

Estimativa de leitura: 9min 25seg

7 de outubro de 2026

Tecnologia, gamificação e linguagem acessível podem aproximar os jovens de temas como trabalho, geração de renda, planejamento e investimentos, tornando a Educação Financeira mais prática e conectada às decisões, ao projeto de vida e ao futuro que desejam construir. 

“Como faço para ficar rico?” 

“Vale a pena investir em criptomoedas?” 

“Quanto preciso ter de renda para morar sozinho?” 

“É melhor fazer faculdade, empreender ou começar a trabalhar?” 

“Dá para viver de investimentos?” 

Perguntas como essas aparecem cada vez mais cedo. As crianças e os jovens estão expostos a vídeos sobre investimentos, bets, empreendedorismo, profissões, renda extra e pessoas que prometem caminhos rápidos para conquistar liberdade financeira. Ao mesmo tempo, muitos chegam ao Ensino Médio sem ter experimentado situações que os ajudem a perceber e entender o fluxo de dinheiro, nem a relação entre trabalho, renda, escolhas, planejamento, ações, responsabilidades sociais e futuro. 

É justamente por isso que existe uma grande oportunidade para a escola. Mais do que ensinar nomes de investimentos ou fazer cálculos de juros, podemos ajudar os estudantes a desenvolver comportamentos e atitudes e a construir repertório que lhes permita responder a esta pergunta: Quem eu sou, onde estou, que vida quero construir e quais decisões e ações preciso iniciar para chegar até lá? 

Essa jornada de transFORMAÇÃO financeira não acontece do dia para a noite. É um processo de estímulos, conversas e vivências de Educação Financeira Comportamental em um ambiente controlado e protegido, como um projeto de vida na prática. 

Lembro-me como se fosse hoje de uma conversa com o coordenador de Matemática de um renomado colégio de SP, que iniciou o planejamento das aulas chamando o novo curso de “Letramento Financeiro”. Os professores foram mediando as atividades e os projetos dos nossos livros com os estudantes, recebendo feedbacks das famílias e, no final do ano, decidiram mudar o nome do curso para “Vida na Prática”. 

Os jovens estavam percebendo as diferenças sociais, o custo de vida (do transporte, da energia, da água, da Educação, do lazer), reconhecendo com gratidão os privilégios e as oportunidades pela qualidade de vida que estava sendo proporcionada pelas famílias, questionando desperdícios e alguns até reaproveitando copos de requeijão que antes iam para o lixo. Segundo ele, a escola estava causando, com o curso, uma grande revolução positiva. 

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Antes de investir dinheiro, é preciso aprender a gerar valor 

Quando conversamos com jovens sobre dinheiro, existe curiosidade e uma tendência de se interessarem pelos investimentos. Perguntam sobre Tesouro Direto, ações, fundos, renda fixa, criptomoedas… 

Tudo isso faz parte do repertório financeiro. Mas existem etapas anteriores que merecem espaço intencional dentro da escola e que possibilitam compreender e preparar para gerenciar o fluxo de dinheiro, percebendo os impactos das ações na vida pessoal, familiar, social e no meio ambiente. 

No Método dos 6Gs, da Oficina das Finanças, diferenciamos duas habilidades capazes de encher o reservatório de dinheiro. 

Gerar dinheiro está relacionado à capacidade de perceber habilidades, aprender, trabalhar, empreender, resolver problemas e produzir renda a partir do próprio tempo e esforço. 

Ganhar dinheiro, por sua vez, é colocar recursos para trabalhar e gerar dinheiro por meio de investimentos, direitos autorais, negócios… 

Essa diferença parece simples, mas pode provocar discussões muito valiosas. Se quero investir R$ 200 por mês, primeiro preciso perguntar: como esses R$ 200 entrarão no meu fluxo financeiro? 

Salário? Prestação de serviço? Venda de itens que tenho em casa? Um negócio? Trabalho temporário? Estágio? Jovem Aprendiz? 

E, antes disso: Que valor sou capaz de gerar para outras pessoas? 

Essa pergunta coloca o estudante como protagonista, alguém capaz de identificar problemas, desafios e enxergar oportunidades. 

Autonomia financeira começa quando o jovem percebe que suas habilidades, suas escolhas e suas ações têm impacto real sobre os resultados que constrói e sobre as possibilidades de futuro que cria para si. 

Planejamento como bússola 

O exercício de imaginar a própria vida daqui a cinco ou dez anos é fundamental. Para isso, vou deixar aqui algumas sugestões de perguntas. 

  • Onde gostariam de estar e de morar? 
  • Com o que gostariam de contribuir? 
  • Que lugares desejam conhecer? 
  • Que valores pessoais desejam desenvolver (paciência, disciplina, persistência, coerência, amabilidade…)? 
  • Que negócios, empresas ou pessoas admiram e gostariam de construir algo parecido? 
  • Gostariam de dedicar-se a uma atividade artística ou esportiva de forma profissional? 
  • Que itens gostariam de adquirir (eletrônicos, equipamentos, vestuário, veículos…)? 
  • Como imaginam a convivência e a ajuda aos familiares? 
  • Gostariam de contribuir com causas e projetos sociais? 
  • O que gostariam de fazer no tempo livre? 

Planejar a vida é uma oportunidade para o estudante exercitar o autoconhecimento, reconhecer prioridades e perceber que escolhas diferentes exigem estratégias e ações diferentes. 

O Léo, meu marido, e eu aprendemos e começamos a praticar exercícios de planejamento como esses muito jovens. Estamos casados desde 2001 e escrevemos anualmente objetivos pessoais em dez diferentes áreas (saúde, espiritual, intelectual, lazer, comportamental, profissional, comunitária, familiar, pessoal e financeira). Temos um combinado de não pisar fora da cama no dia primeiro de janeiro se não tivermos revisitado nossos objetivos. Tem gente que dá risada, acha que é maluquice ou que são muitos objetivos para cumprir. Mas nossa experiência mostra que isso é poderoso! Principalmente porque não nos deixa perder o foco, sabemos a vida que queremos construir e fica mais fácil perceber se estamos AGINDO na direção certa. 

Isso é muito importante! Sonho e fantasia não são a mesma coisa. Os dois podem começar no pensamento. Mas o sonho gera ações. Quando um objetivo é colocado no papel, analisado e conectado a decisões e ações no presente, começam a aparecer resultados. 

Planejar não significa prever exatamente o que acontecerá. A vida muda, imprevistos acontecem, as profissões se transformam, oportunidades aparecem, desejos e necessidades também mudam. O planejamento funciona mais como uma bússola: ele indica uma direção e ajuda a avaliar as ações. Por isso, temos nosso mantra: “Fazer isso me afasta ou me aproxima dos meus objetivos?” 

Essa pergunta pode e deve acompanhar os estudantes muito além da aula de Educação Financeira. 

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Tecnologia e jogos podem treinar decisões e ações 

Para muitas crianças e muitos jovens, ouvir explicações teóricas talvez seja pouco envolvente. Mas tomar decisões e observar suas consequências é bem mais estimulante. 

É por isso que usamos a gamificação para contribuir para a Educação dos comportamentos financeiros. O FluxoGRANA, jogo desenvolvido pela Oficina das Finanças, utiliza uma metáfora que está no centro do nosso Método dos 6Gs: o dinheiro tem um fluxo, assim como a água em um reservatório. Ele entra, circula, pode ser guardado em baldes e sai pelas torneiras. Ele precisa ser gerido de forma estratégica porque é finito e pode acabar. 

Durante o jogo, o participante precisa tomar decisões para construir um fluxo financeiro sustentável, para ter dinheiro SEMPRE. O dinheiro é representado pela água, e as escolhas interferem também em aspectos como saúde e felicidade. 

Isso cria uma oportunidade interessante para educadores e famílias. Em vez de perguntar apenas “qual decisão deu mais dinheiro?”, experimente ampliar a análise: 

  • Qual escolha aumentou o dinheiro, mas prejudicou outra área? 
  • O que aconteceu quando todo o recurso foi gasto? 
  • Foi possível guardar e continuar atendendo às necessidades e aos desejos atuais? 
  • Que decisões geraram resultados apenas no curto prazo? 
  • O que mudou quando o dinheiro começou a ganhar dinheiro com investimentos? 
  • Existe uma estratégia perfeita? 
  • O que você faria diferente se jogasse novamente? 

A riqueza pedagógica está justamente na reflexão posterior. Jogar, por si só, pode ser divertido. Jogar, analisar a própria decisão, identificar consequências e testar uma nova estratégia transFORMA financeiramente porque gera aprendizagem. 

Outra possibilidade é utilizar a Viva na Alexa, skill educativa da Oficina das Finanças desenvolvida para a plataforma Alexa, dispositivo da Amazon. 

Por comando de voz, ao dizer “Alexa! Abrir Oficina das Finanças”, a personagem Viva faz perguntas relacionadas a comportamentos financeiros e explica o porquê das escolhas, independentemente de a resposta ter sido certa ou errada.  

O formato pode ser especialmente interessante para gincanas na escola ou interações em família. Depois de jogar, conversem sobre os aprendizados. Queremos ajudá-los a ampliar repertório, analisar cenários, identificar consequências e melhorar a qualidade das próprias decisões. 

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Ensinar a pesquisar também é fundamental 

Os estudantes têm acesso a informações financeiras na internet. Então, podemos ensinar a melhorar a qualidade da busca. 

Uma atividade simples é pedir que os estudantes escolham um tema — inflação, juros, investimentos, trabalho, empreendedorismo ou orçamento — e comparem conteúdos de diferentes fontes. Depois, discutam: 

  • Quem produziu esse conteúdo? 
  • Há interesse comercial envolvido? 
  • A informação apresenta riscos ou apenas vantagens? 
  • Existem dados ou fontes? 
  • A promessa parece realista? 
  • É possível confirmar a informação em uma instituição confiável? 

O exercício desenvolve Educação Financeira e, ao mesmo tempo, leitura crítica do ambiente digital. 

autonomia financeira de jovens

O estudante não precisa sair da escola sabendo qual ação comprar, mas que ação tomar. 

Talvez esse seja um dos pontos mais importantes. O objetivo principal da Educação Financeira na escola não deveria ser formar pequenos especialistas do mercado financeiro. Precisamos formar pessoas capazes de aprender, avaliar, escolher, fazer e assumir as consequências das decisões. 

Um jovem financeiramente mais autônomo é aquele que começa a perceber que: 

  • dinheiro tem limite; 
  • trabalho e habilidades podem gerar renda; 
  • nem toda renda precisa ser consumida; 
  • guardar cria possibilidades futuras; 
  • investimentos podem fazer o dinheiro gerar mais dinheiro; 
  • ações de hoje interferem na própria vida, na sociedade e no meio ambiente; 
  • dinheiro é fundamental, mas a ética deve ser o limite de ganho de pessoas, empresas e governos. 

Essa é uma Educação Financeira que prepara não apenas para lidar com dinheiro, prepara para escolher e agir com responsabilidade, empreendedorismo, colaboração e de forma sustentável. Até a próxima! 

Quer tornar a Educação Financeira mais prática e interativa? Conheça o FluxoGRANA no Google Play e Apple Store. E para experimentar a Viva na Alexa, basta dizer: “Alexa! Abrir Oficina das Finanças”. São recursos para provocar decisões, discussões e novas estratégias dentro e fora da sala de aula.

A Oficina das Finanças é a solução da FTD para que sua escola faça a transFORMAÇÃO financeira de toda comunidade escolar. Conheça e adote!

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Co-fundadora da Oficina das Finanças, autora, investidora, empresária, palestrante e bióloga.
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