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gastos financeiros com a copa do mundo 2026
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Copa do Mundo: muito além do futebol, uma oportunidade para educar escolhas

Por Carolina Ligocki

Estimativa de leitura: 8min 1seg

3 de junho de 2026

A Copa movimenta emoções, desejos, consumo, pertencimento, comparação, oportunidades e decisões. Por isso, pode ser uma grande aliada de professores e famílias que desejam formar crianças e adolescentes mais responsáveis, curiosos, críticos, autônomos e preparados para a vida.

A Copa do Mundo tem um encanto difícil de explicar. De repente, a rotina muda.

As conversas ganham novas cores, as crianças aprendem nomes de países que talvez nunca tivessem ouvido falar, as famílias combinam horários para assistir aos jogos, e as escolas se enchem de bandeiras, mapas, tabelas, palpites e perguntas. A bola começa a rolar em campo, mas algo muito maior também começa a acontecer fora dele.

Quando falamos em Educação Financeira, muita gente ainda pensa em planilhas, contas, juros e orçamento. Tudo isso tem valor, mas não deveria ser o ponto de partida.

Antes dos números, vêm os comportamentos. Vêm as perguntas: Por que queremos tanto comprar algo? O que sentimos quando todo mundo tem e nós não temos? Como decidimos quando estamos empolgados? Como lidar com desejos, limites, prioridades e consequências?

Em nosso trabalho com a Oficina das Finanças, reforçamos que Educação Financeira não trata apenas de dinheiro, mas da forma como as pessoas se relacionam com os recursos, tomam decisões e agem.

A Copa como laboratório de escolhas

Você já parou para pensar que a Copa é um laboratório perfeito para isso? 

Durante esse período, muitas decisões aparecem de forma concreta: comprar ou não uma camisa oficial da seleção? Fazer encontros em casa para assistir aos jogos? 

  • Completar o álbum de figurinhas? Viajar? 
  • Comprar uma televisão nova? 
  • Participar de bolões? 
  • Entrar no clima das promoções? 
  • Aproveitar para gerar renda extra vendendo lanches, lembrancinhas ou serviços? 

Cada escolha abre uma torneira do nosso reservatório financeiro. Algumas são pequenas, outras parecem inofensivas, mas, juntas, podem alterar todo o fluxo de dinheiro de uma família.

A grande questão não é dizer que tudo isso é errado. Pelo contrário.

A Copa pode gerar memórias afetivas lindas, fortalecer vínculos, ampliar repertórios culturais e criar experiências significativas. O problema está em viver esse momento no automático, sem perceber quanto das nossas decisões nasce do planejamento e quanto nasce da empolgação, da pressão do grupo ou da sensação de “todo mundo está fazendo”.

Oportunidades para professores

Para os professores, a Copa oferece possibilidades riquíssimas. Ela permite trabalhar Geografia, História, Matemática, Língua Portuguesa, Artes, Ciências, Cultura, Ética, Sustentabilidade e Educação Financeira de forma integrada.

Um jogo pode virar pesquisa sobre países. Uma tabela pode virar leitura de dados.

Uma camisa pode gerar conversa sobre cadeia produtiva, pirataria, trabalho, consumo e pertencimento.

Uma propaganda pode abrir reflexão sobre influência, desejo e senso crítico.

Uma comemoração pode ensinar planejamento, cooperação e responsabilidade.

Na escola, os estudantes podem criar o mapa financeiro da Copa: 

  • Quais setores ganham dinheiro com o evento?
  • Turismo, comércio, alimentação, transporte, publicidade, tecnologia, mídia, produtos esportivos, pequenos empreendedores. Quem consome?
  • Quem trabalha?
  • Quem lucra?
  • Quem assume riscos? 

Assim, os alunos percebem que a Copa não é só esporte; é um evento global que movimenta dinheiro, pessoas e decisões, revelando o comportamento financeiro em escala ampliada. 

Outro caminho é propor uma investigação sobre o efeito manada. Quantas vezes compramos porque todo mundo está comprando? Quantas vezes sentimos urgência porque a propaganda diz que a oportunidade é imperdível? Quantas vezes confundimos desejo com necessidade? 

Durante a Copa, os comportamentos coletivos se intensificam, e produtos como camisas, álbuns de figurinhas e televisores podem se tornar símbolos de identidade e pertencimento, não apenas objetos de consumo. 

Oportunidades para famílias 

Para as famílias, a Copa também pode ser um convite. Em vez de apenas atender a pedidos ou negar desejos, é possível conversar. 

  • O que estamos querendo comprar: o produto ou a sensação de fazer parte?
  • Essa escolha cabe no nosso momento?
  • Existe outro jeito de viver essa experiência?
  • O que podemos criar com o que já temos?
  • Como podemos torcer, celebrar e nos divertir sem desperdício? 
  • O que poderíamos vender ou fazer para conseguir o dinheiro? 

Essas perguntas não tiram a alegria da Copa. Elas ampliam a consciência.

Um exemplo simples: assistir a um jogo em casa pode ser apenas mais um gasto com comida, decoração e compras por impulso. Mas também pode virar um projeto familiar. As crianças podem ajudar a definir o cardápio, pesquisar preços, comparar fazer em casa ou comprar pronto, reaproveitar materiais para decorar, dividir tarefas, combinar um valor máximo e registrar os gastos.

O que parecia apenas lazer se transforma em aprendizado sobre escolhas.

O que a Copa ensina para além do placar? 

Esse olhar é poderoso porque prepara crianças e jovens para situações muito além da Copa. Hoje é a camisa da seleção. Amanhã pode ser o celular novo, a festa, o tênis da moda, a viagem, o curso, o carro, o cartão de crédito, o investimento, a escolha profissional.

A habilidade de parar, pensar, comparar, esperar, negociar e decidir com responsabilidade será útil por toda a vida.

E aqui entra um ponto essencial: professores e famílias não precisam ter todas as respostas. O mais importante é fazer boas perguntas. Crianças e adolescentes aprendem muito quando percebem que os adultos também pensam, avaliam possibilidades, ajustam decisões e reconhecem limites.

Isso ensina que dinheiro não é tabu. É recurso. É fluxo. É escolha.

A metáfora da Engenhoca® ajuda muito nessa conversa: imagine o dinheiro como água em uma caixa. Ele entra por algumas fontes e sai por várias torneiras. Se abrimos muitas torneiras ao mesmo tempo, o reservatório esvazia. Se fechamos tudo, deixamos de viver experiências importantes. O desafio é aprender a regular o fluxo para que haja dinheiro para as necessidades, os desejos, os sonhos e o futuro.

Por isso, a Copa pode ser vivida como um grande jogo educativo.

Não para controlar tudo, mas para ampliar a visão. Não para proibir a alegria, mas para mostrar que alegria também pode nascer da criatividade, da cooperação, da presença e da gratidão.

Não para transformar cada momento em aula, mas para perceber que a vida ensina o tempo todo — especialmente quando escola e família caminham juntas.

Para refletir com crianças e jovens 

Que tal, nesta Copa, convidar crianças e jovens a observar o que acontece fora do campo?

  • Quem está tentando vender algo para nós?
  • Quais emoções aparecem quando queremos participar?
  • Que escolhas cabem no nosso reservatório financeiro?
  • Como podemos torcer com criatividade e responsabilidade?
  • Que oportunidades podemos enxergar além do consumo?
  • O que os jogadores tiveram que fazer no dia a dia para chegar até aí?

No fim, talvez a grande vitória não esteja apenas no placar. Pode estar na criança que aprende a esperar. No adolescente que percebe a influência do grupo. Na família que conversa melhor sobre dinheiro. No professor que transforma um evento mundial em experiência de aprendizagem. Na escola que ajuda seus estudantes a enxergar o mundo com mais senso crítico, autonomia e responsabilidade.

A Copa passa. Os jogos acabam. Mas o olhar que desenvolvemos pode ficar.

E quando ensinamos crianças e jovens a perceberem que toda escolha tem impacto, estamos formando muito mais do que torcedor. Estamos formando pessoas capazes de decidir melhor, cuidar melhor dos recursos e construir uma vida mais responsável, sustentável e feliz.

Até a próxima! 

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Carolina Simões Lopes Ligocki
Co-fundadora da Oficina das Finanças, autora, investidora, empresária, palestrante e bióloga.
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