dia das mães
Família

Lições de amor: a dupla jornada da mãe educadora  

Por Juliana Piccoli

Estimativa de leitura: 6min 8seg

8 de maio de 2025

A jornada entre ser mãe educadora representa duas missões, unidas aos propósitos do amor, do carinho e da dedicação. 

Ser mãe é significado de amor, de dedicação e de carinho. O que não é diferente de ser educadora. Mas, quando as mamães são também professoras, todos esses sentimentos se multiplicam. Não é muito incomum, no dia a dia, a troca de nomes em sala de aula, quando algum aluno se confunde e diz “mãe” ao invés de “professora”, ou quando, em casa, as tarefas também incluem ensinar e dar o apoio que os filhos precisam em sua Educação. 

Ser mãe e ser professora une dois papéis fundamentais na formação de uma criança. Mas, como será que as mamães se sentem cumprindo esses dois papéis?

Três mães professoras contaram para o Portal Conteúdo Aberto como é conciliar a maternidade com a rotina escolar. São momentos de muita troca, alegria, brincadeiras, travessuras e algumas broncas pelo caminho, mas nada que tire o amor e a dedicação em todos os momentos compartilhados por elas com seus filhos e seus alunos

Vamos juntos conhecer essas lindas histórias!  

Rafaella e filhas
Rafaella, com suas filhas Alice de 7 anos e Melissa, de 9 anos. | Foto: Arquivo pessoal 

Conheça a história da professora do Ensino Fundamental Anos Iniciais, Rafaella A. de Queiroga, Pedagoga e Psicopedagoga, Pós-graduada em Neurociência Aplicada à Aprendizagem e Educação: 

“Ser mãe e educadora é viver em um constante exercício de amor, paciência e criatividade. Em casa, sou a mãe da Alice e da Melissa; na escola, sou a “prô Rafa” de muitos outros pequenos que também ocupam um espaço especial no meu coração. As fronteiras entre esses dois mundos se misturam o tempo todo e, na verdade, é isso que torna tudo tão especial. Muitas dinâmicas que aplico em sala de aula acabam chegando à nossa rotina em casa, e o contrário também acontece. As brincadeiras, músicas e estratégias que funcionam com minhas filhas me inspiram a adaptar e levar para meus alunos. Às vezes, estamos jantando e alguém solta uma parlenda que aprendeu na escola, ou brinca de ser “aluno da mamãe”, e a sala de casa vira uma pequena sala de aula. 

As meninas adoram conhecer meus alunos, ficam curiosas para saber quem é da turma da mamãe. Já os meus alunos acham o máximo saber que tenho duas filhas, e mais ainda quando descobrem que elas estudam na mesma escola! É um misto de empolgação e surpresa, e sempre rende boas conversas e aproximações. Claro que nem tudo são flores. Às vezes, é cansativo equilibrar os dois papéis — ser a mãe que cuida, educa, acolhe, e a professora que planeja, ensina, organiza. Mas mesmo nos dias mais difíceis, encontro sentido no que faço. Ser mãe me fez uma professora melhor, mais sensível. E ser professora me fez uma mãe mais atenta, mais criativa. 

Tem dias em que troco o nome das minhas filhas com o dos alunos e todo mundo cai na risada. Em outros, trago um desenho feito por um aluno e ouço em casa: “Mamãe, eu também quero fazer um desenho pra sua sala de aula!”. É uma rotina corrida, mas cheia de afeto, descobertas e pequenas alegrias diárias.” 

Outra professora, Juliana Garcia, tem 24 anos de sala de aula e conta como é a sua rotina. Ela é mãe da Mariana, de 15 anos e da Rafaela, de 11 anos.  

Juliana em sala
Juliana Garcia, professora do Ensino Fundamental Anos Iniciais, em sala de aula. 
 

“Nossa casa parece uma sala de aula: livros, cadernos e provas por todo lado. À noite, reviso as tarefas das meninas e, em época de provas, só consigo corrigir as atividades dos meus alunos quando termina a semana delas de avaliação. 

Tem momentos no dia a dia que aquecem o coração. Ver minhas filhas passando pelos corredores já me enche de alegria, mas receber uma visita surpresa na minha sala e ganhar aquele abraço apertado no meio da tarde… não tem preço. 

Ser especialista em inclusão transforma não só minha prática como educadora, mas também a forma como minhas filhas enxergam o mundo. Dentro de casa, elas crescem aprendendo que todas as pessoas merecem respeito, empatia e oportunidades. Valorizam as diferenças, entendem a importância de promover uma sociedade mais justa e inclusiva, e reconhecem que a igualdade só é real quando acolhemos as necessidades de cada um. Ver esse reflexo no olhar delas é uma das maiores recompensas do meu trabalho. 

Mas nem tudo é simples. Trabalhar na mesma escola onde minhas filhas estudam exige equilíbrio. Sou funcionária da escola, antes de tudo. E às vezes, essa fronteira pesa. Há dias que sinto que, dentro da escola, sou sempre professora — e nunca mãe. Além da rotina intensa no colégio, passo boa parte dos meus finais de semana e feriados trabalhando em tarefas pedagógicas. São planejamentos, provas, atividades para corrigir, adaptar ou criar. Muitas vezes, o silêncio da casa é o momento em que consigo me concentrar — enquanto todos descansam, eu sigo trabalhando.  

“Ser mãe e educadora é viver entre afetos, responsabilidades e aprendizados diários. Não é fácil, mas é grandioso demais.” 

Para a professora Julyana Vicente, é um orgulho participar da trajetória de sua filha Laura, de 5 anos, assim como é incrível acompanhar o crescimento de seus alunos: 

“Foram quinze anos dedicados à sala de aula antes da chegada da maternidade. Muitas vezes, me pegava pensando em como seria conciliar essas duas funções, como separar o pessoal do profissional. Hoje, a experiência me ensina que ser mãe e professora é uma jornada conjunta, onde se driblam os obstáculos com resiliência. A rotina, inegavelmente exaustiva, compensa naquela conversa reveladora sobre os aprendizados – uma novidade fascinante para minha filha – e na observação atenta de seu desenvolvimento. 

Assim como vibro intensamente com cada progresso dos meus alunos, sinto um profundo orgulho em participar ativamente de suas trajetórias acadêmicas. No âmbito da maternidade, acompanhar os primeiros passos da minha filha no universo da alfabetização é uma alegria que me impulsiona a celebrar cada conquista intelectual. 

É corriqueiro, em sala de aula, ouvir um: “mãe”, ao invés de “prô”. A confusão gera risos, um momento leve e divertido. Mas, na verdade, é exatamente essa a sensação que me permeia quando estou com meus alunos: a de ser uma mãe zelosa, que anseia pelo melhor para cada um deles.” 

Julyana Vicente, Pedagoga, Neuropedagoga e Neuropsicopedagoga, com sua filha Laura, de 5 anos.
Julyana Vicente, Pedagoga, Neuropedagoga e Neuropsicopedagoga, com sua filha Laura, de 5 anos. | Foto: Acervo pessoal

Com muito orgulho, essas mães professoras representam muitas mulheres que seguem a mesma rotina, que se dividem nos diversos universos entre a família, a escola, mas… Não é só isso. Elas representam a força da mulher em tudo o que exercem.

A maternidade é uma das maiores formas de amor que existem e, escolher ser professora, também. Feliz Dia das Mães! 

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Publicitária com 20 anos de experiência em Comunicação. Redatora por amor. Apaixonada por livros, cultura e muitas viagens por esse mundão à fora.
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