As férias estão chegando, que tal incluir uma oportunidade de fazer o bem no seu pacote de viagem? Descubra como é possível reunir turismo e trabalho voluntário.
Essa prática tem nome, é o volunturismo — neologismo que vem do inglês, volunturism, unindo turismo com voluntariado — um termo que começou a ser usado na década de 90 para definir as viagens de quem escolhe doar seu tempo, habilidades e energia para fazer a diferença ao redor do mundo apoiando uma organização ou causa.
O volunturismo surgiu para ser o oposto do turismo predatório e é praticado por aqueles que desejam contribuir de alguma forma com a comunidade local dos lugares que visitam. É ideal para quem ama viajar e está em busca de uma experiência em que encontre propósito, conhecimento, aventura e senso de comunidade.
Apesar de não ser algo novo, o volunturismo tem crescido nos últimos dez anos, impulsionado pela Geração Z, que engloba os nascidos entre meados dos anos 1990 até 2010, e tem em seus hábitos a busca por causar um impacto positivo no mundo. Isso tem refletido na procura por esse tipo de experiência e traz à tona o debate do turismo responsável, que hoje já não é visto mais como apenas um movimento, e sim uma necessidade para que possamos continuar viajando no futuro.
De acordo com a Exchange do Bem, empresa social voltada para o volunturismo, a maioria das pessoas que procuram esse tipo de viagem tem entre 21 e 35 anos, mas a instituição afirma que tem voluntários de 18 a 80 anos, afinal não existe idade para fazer o bem. E se você imagina que é preciso sair do país para ter uma experiência como esta, está enganado. A empresa afirma que o Brasil é um dos destinos mais procurados pelos voluntários brasileiros, em seguida, no exterior, a África do Sul desponta como um dos destinos mais buscados, seguida pelo Peru devido à sua proximidade.
O volunturismo geralmente se confunde com o turismo colaborativo ou work exchange, onde o viajante troca trabalho por hospedagem, gastando menos e permanecendo mais tempo no destino para que aprenda novas habilidades.
Contudo, no volunturismo a ideia não é trocar o trabalho voluntário por hospedagem, e sim doar seu tempo para se dedicar verdadeiramente a alguma iniciativa, com o intuito de melhorar vidas.

Foi isso que motivou Eduardo Mariano a fundar a Exchange do Bem. A ideia nasceu de uma experiência vivida por Eduardo, durante uma viagem ao Nepal em 2013. Foi lá que ele se deparou com a possibilidade de unir turismo ao trabalho voluntário, algo que nunca havia considerado antes. Sua motivação principal era ajudar, mas ao longo dessa experiência, ele percebeu quão transformadora ela poderia ser.
Viajar como voluntário permitiu uma imersão mais profunda na realidade do país: ele pôde compreender melhor a cultura local, identificar necessidades, entender os problemas enfrentados pela comunidade, apreciar a culinária e verdadeiramente absorver a história do lugar. Foi essa vivência enriquecedora que o fez apaixonar-se pelo conceito do volunturismo.
Benefícios do volunturismo
O intercâmbio voluntário proporciona uma experiência transformadora, pois além de explorar novos lugares e culturas, traz a oportunidade única de contribuir de forma significativa para as comunidades locais, seja ensinando, construindo ou prestando assistência onde necessário.
Durante essa jornada, você desfruta de benefícios pessoais como o aprimoramento de habilidades, a sensação de satisfação e a realização pessoal.

Mesmo que não viaje para fora do país, você tem a oportunidade de vivenciar uma realidade diferente da sua e aprender mais sobre a própria cultura ou vivenciar uma cultura estrangeira, aprendendo mais sobre outras pessoas e sobre si mesmo. É um mergulho em outro mundo, o que resulta em férias emocionantes. Além disso, as viagens voluntárias também são mais sustentáveis porque se desviam das típicas viagens turísticas.
No volunturismo, você é responsável pelo crescimento e pela mudança dos outros, o que é uma experiência diferente de qualquer outra. É uma oportunidade para estabelecer conexões significativas e para o autoconhecimento, pois quando você busca fazer a diferença, isso afeta a vida de muitas pessoas, inclusive a sua.


O que é preciso para praticar o volunturismo?
Geralmente as viagens com impacto sociais são mediadas por empresas de turismo responsável que conectam os interessados a projetos sociais verificados.
O pré-requisito inicial é ter no mínimo 18 anos e nem sempre é necessário falar outro idioma. Você pode fazer viagens com inglês ou espanhol básico, mas também é possível optar por viagens em grupo, onde não é preciso ter conhecimento de nenhuma língua estrangeira.
Tudo vai depender do local que pretende visitar e da causa que deseja apoiar, podendo escolher dentre opções como apoio a comunidades, à educação, ao empoderamento feminino, aos esportes, à proteção à infância, à proteção aos animais, à saúde, entre outros.

É possível atuar na rotina de um projeto de regeneração da vida das tartarugas da Amazônia, apoiar a proteção da infância ajudando creches e centros comunitários na Índia, levar atendimento médico a um vilarejo no interior do Nepal, apoiar a educação de crianças no Quênia ou apoiar um projeto de surf com crianças e jovens em vulnerabilidade social em Moçambique.
Existem projetos para todos os perfis de voluntários na América Latina, África e Ásia e, além do Brasil, lugares como Cabo Verde e Moçambique, por exemplo, também tem o português como língua nativa. Para que o idioma não seja uma barreira para o voluntariado, algumas empresas também garantem a presença de um representante brasileiro fluente no idioma local para apoiar os voluntários.
Os custos para participar são equivalentes aos de um turista que visitaria o mesmo destino. Isso inclui passagens aéreas, hospedagem, alimentação, transporte e guias. Como é trabalho voluntário, não há pagamento em dinheiro nem benefícios como hospedagem grátis ou bolsas. Por isso, os custos são os mesmos para todos os voluntários que querem viajar.
Já o tempo de duração pode variar e fica a sua escolha, existindo viagens de uma, duas, três, quatro semanas ou a partir de um mês ou mais.
Como ser um bom turista voluntário?
Em primeiro lugar, é preciso estar verdadeiramente aberto para esse tipo de experiência. Uma viagem com voluntariado é bem diferente de uma viagem relaxante de férias, podendo ser bastante desafiadora, inclusive emocionalmente, dependendo do projeto. Por isso, é importante estar motivado a fazer a diferença.
Uma das orientações essenciais é assumir a responsabilidade e o compromisso com o projeto para o qual está se dirigindo e estar aberto a novas culturas.
“Os problemas enfrentados em outros locais podem ser distintos dos nossos, e é essencial estar receptivo para compreender a realidade local e oferecer ajuda de forma eficaz. É importante escutar atentamente as necessidades da comunidade e agir de acordo, sem tentar impor uma perspectiva baseada apenas na realidade brasileira. Também é fundamental entender um pouco mais sobre a cultura de cada local e identificar as necessidades específicas, priorizando sempre o diálogo e a compreensão mútua”, reforça Júlia Fontes, assistente de marketing da Exchange do Bem.
Isso ajuda a balancear alguns pontos negativos que os críticos apontam em relação ao volunturismo como a quebra do vínculo emocional por conta dos períodos de duração do voluntariado e a utilização desse tipo de viagem para autopromoção, seja pessoal ou profissional.
Por isso, é necessário que o volunturismo seja sustentável e bem pensado para que as ações realizadas tenham impacto a longo prazo.
Uma sugestão é que ao invés de ir para uma viagem ensinar algo diretamente à população, podemos ajudar na formação dos professores e seus métodos de ensino, mantendo o emprego da comunidade local e perpetuando conhecimento, algo que não será perdido.

Confira algumas dicas para um volunturismo bem-feito:
- Escolha uma causa pela qual você seja apaixonado e pesquise ao máximo sobre ela.
- Empreste seus pontos fortes, não seus pontos fracos. Busque ajudar em atividades que condizem com as suas competências para proporcionar um resultado de valor.
- Escolha um projeto que faça parceria com os trabalhadores locais, ao invés de colocar voluntários em seus empregos.
- Examine seu coração e suas intenções.
- Pergunte a si mesmo: Por que eu quero fazer isso?
- Você está em busca de validação e likes em posts de viagens nas redes sociais?
- Você quer bancar o herói para seus amigos e familiares?
- Ou você tem um desejo genuíno de servir comunidades e pessoas?
Lembre-se: existem muitas pessoas prontas para apontar problemas na sociedade, mas poucas estão dispostas a fazer parte da solução.
Embarque no volunturismo se você realmente quer uma oportunidade de ser parte da mudança que deseja ver no mundo. Até mais!








