A avaliação integra o sistema educacional como o alicerce de um processo contínuo, que se estende por toda a jornada estudantil, da Educação Básica ao nível superior. Um fator histórico da avaliação vem como um conjunto de normas, herdado pelos jesuítas no Brasil, em 1599, enfatizando a memorização e dava especial importância à retórica e à redação, assim como à leitura dos clássicos e à arte cênica.
Um outro fator histórico, é que o professor era considerado o detentor de todo o saber e o transmissor absoluto dos conteúdos, cabendo aos estudantes obedecerem a ele em todas as circunstâncias, como apresenta Paulo Freire sobre as avaliações. Mas, com a metamorfose educacional, requer que esse processo avaliativo seja repensado. A avaliação deve, urgentemente, ser conduzida sob uma perspectiva que privilegie o viés humanizador.
Neste artigo convido você a refletir sobre as características e as possibilidades no âmbito avaliativo, trazendo provocações e reflexões a respeito de uma avaliação mais humanizada com ênfase no desempenho educacional do indivíduo.
Para que avaliamos?
A avaliação é atualmente um dos meios do professor avaliar o desempenho dos estudantes, nortear o processo de ensino e aprendizagem, acompanhamento do estudante de perto, além de ferramenta para reorganização do seu planejamento escolar. É como uma bússola docente que podemos resumir em três formatos: Diagnóstico, Formativo e Somativo.
Avaliação Diagnóstica
Esse formato de avaliação oportuniza os professores em diagnosticarem os estudantes logo no início do ano letivo, verificando as aprendizagens essenciais e as habilidades dos estudantes, possibilitando o professor na realização de um plano de retomada com a turma, além de promover um plano de ensino personalizado no decorrer do ano.
A aplicação periódica da diagnóstica, é fundamental para o acompanhamento na evolução dos estudantes e na perspectiva de recomposição das aprendizagens, pois sabemos que há estudantes de diferentes níveis cognitivos em uma turma.
Avaliação Formativa
Geralmente esse método é usado de maneira informal ao longo das aulas, fazendo com que o professor viabilize de maneira fluida debates, atividades práticas, explicações dos estudantes e das oficinas. Diferente das avaliações tradicionais, a avaliação formativa, tem como o objetivo formar o estudante, desenvolvendo as habilidades críticas, criativas e sociais, além de promover o envolvimento ativo dos estudantes.
Avaliação Somativa
A avaliação Somativa é a mais conhecida e aplicada pela maioria dos núcleos educacionais espalhadas em todo território nacional, que tem como objetivo verificar a aprendizagem dos estudantes por meio de provas no final de um processo de aplicação do conteúdo, a mais conhecida como “prova”.
Mas existe um agravante nesse cenário, onde a comunidade escolar acostumou-se com um formato de avaliação completamente baseada em notas, fazendo com que uma geração de pais se firmasse no conceito que o estudante de boa “performance”, era estudante com o boletim recheado de notas azuis ou nota 10. Esse fator tem influenciado no processo de ensino e aprendizagem ao ponto de criar os muros sobre a avaliação, sem ao menos acompanharem como o estudante resultou no 10, independentemente de como ele tirou, o importante é a nota máxima.
Fazer parte do processo é mais importante que o resultado, pois formamos seres para vida (Weyvison Matos).
A construção dos muros
O poema a seguir é de Valdemir Cavalcante Teixeira, que é fantástico para refletimos sobre esses muros criados.
Dia de Avaliação
Quando a professora adentra à sala
A turma toda fica aflita!
Somente o coração palpita
Quando ela emite a fala.
Neste momento todo mundo se cala,
Ninguém mais se agita,
Nem Claudinha, Andreia ou Benedita,
Nem Amanda ou Ana Paula.
A sala é um mar de silêncio,
Não conversa mais Juvêncio,
Nem Pedrinho com João.
Só se fala se for a palavra presente!
Quem estudou tá confiante, outros descontentes,
Pois é assim no dia de avaliação.
No texto que acabamos de ler, claramente contemplamos uma sala de aula com alguns muros erguidos em possíveis cenários de diferentes realidades, seja por uma promessa de castigo se não for excelente na “prova”, seja por uma viagem, pode ser que exista estudantes que são pressionados pelos professores ou até mesmo pela autocobrança, sem contar no sofrimento “pré-prova”, que muitos passam.
Essa pressão impacta no desempenho ao longo da avaliação, por isso trabalhar o autocuidado e a saúde mental desses estudantes é crucial para um sucesso nas avaliações. Esses muros precisam ser quebrados para que estudantes e professores não se sintam na obrigação de realizarem avaliações por uma questão cultural.
Além de mensurar dados e destinar notas
A avaliação precisar ser um método Intrínseco na concepção de formação integral do estudante, não apenas na mensuração de nível, dados ou notas. Precisamos desmistificar um processo avaliativo visivelmente rejeitado pela maioria dos estudantes, para um processo mais leve, intencional, aceito e coerente para sua jornada, trazendo tranquilidade aos estudantes e às famílias. Ao elaborarmos uma avaliação precisamos enxergar a realidade de cada estudante, pois essa avaliação não pode estar longe do alcance cognitivo, tampouco com viés punitivo.
Jussara Hoffman traz um conceito de uma avaliação mediadora, que deve ser um ato de acompanhamento reflexivo e intervenção que favoreça a construção do conhecimento, e não um julgamento final. Para ela, o erro é uma pista e um ponto de partida para o professor e para o estudante.
Construindo pontes
O envolvimento da família no processo de avaliação é primordial para integralidade da Educação. A parceria escola-família, fortalece o acompanhamento do progresso dos estudantes e promove uma compreensão mais abrangente de suas necessidades e potencialidades, nos aproximando das especificidades de cada estudante, possibilitando a construção de pontes diante do processo avaliativo. Assim teremos uma avaliação mais humanizada, pautada no desenvolvimento de cada indivíduo.
Avaliação como pontes para o futuro
Conectar estudante ao conteúdo: A avaliação deve ser um elo que conecta estudantes, professores e conteúdo de forma significativa. O olhar do professor no âmbito avaliativo, é enxergar possibilidades de intervenções pedagógicas e correção de rota.
Ambientes motivadores: Precisamos promover ambientes de aprendizagem inclusivos e altamente motivadores, para que estudantes e famílias se sintam à vontade com o processo.
Preparar para desafios reais: Construir pontes fortalece o aprendizado e prepara os estudantes para os desafios do mundo real.
Avaliar em benefício do estudante, valorizando diferenças, preservando sua liberdade e dignidade, refletindo acerca de ações educativas que sejam pertinentes aos seus interesses e necessidades e dedicando-se todo o tempo a efetivá-las (Jussara Hoffman).
Referências Bibliográficas:
- Jussara Hoffman – Livro – Avaliação Mito e Desafio.
- Valdemir Cavalcanti Teixeira – Dia de avaliação.
Este conteúdo foi elaborado por Weyvison Franco Matos. Consultor Educacional, formado em Pedagogia e Teologia, pós-graduando em Alfabetização e letramento, Docência no Ensino Superior e Psicomotricidade, Gestão Escolar Integrada e Práticas Pedagógicas.








