Construir a árvore da família promove a descoberta e valorização da ancestralidade, ao mesmo tempo que aproxima as gerações.
Na minha infância e adolescência não tinha muito interesse em buscar as origens mais longínquas de minha família. E, entre pessoas de minha geração, não sou a única.
As gerações atuais parecem ter despertado o interesse pelas origens da família. Pelo menos se levarmos em conta o grande número de visualizações em plataformas como o Tik Tok, na hashtag #arvoregenealogica.
#arvoregenealogica
Filha de imigrantes espanhóis – mais especificamente galegos – eu ouvia, com certo distanciamento, relatos de meus pais sobre familiares e a terra que deixaram do outro lado do Atlântico. O interesse pela ancestralidade, no entanto, despertou com o passar dos anos… a necessidade de buscar fotos antigas, ouvir as histórias dos familiares, tentar lembrar as palavras de quem já se foi – como minha mãe – ou de quem a memória está se tornando uma página em branco – como meu pai, que tem Alzheimer.
Galego
Pessoa nascida na Galícia, região do noroeste da Espanha.
A inexistência da terra firme
O livro, de 2003, trata da imigração de espanhóis da região da Galícia para São Paulo entre 1946 e 1964. A autora, filha de imigrantes galegos, fez uma pesquisa de peso sobre esse grupo.

Como aluna nas décadas de 1970 e 1980 na Educação Básica – hoje Ensino Fundamental e Médio – não me recordo de atividades escolares sobre a origem familiar, sequer a construção de uma simples árvore genealógica. Eram raras as aulas que conectavam a vida dos estudantes e de familiares com os conteúdos ditos “escolares”. Das minhas memórias de Estudos Sociais, História e Geografia fazem parte conteúdos distantes da realidade e metodologias de ensino, no mínimo, enfadonhas.
Árvore genealógica
É um desenho ou esquema que representa a genealogia de uma pessoa, ou seja, o estudo da origem de sua família, mostrando os graus de parentesco entre os membros.
Toda minha vida na Educação Básica aconteceu em escolas públicas na periferia leste da cidade de São Paulo, em São Miguel Paulista. O bairro teve seu crescimento acelerado por uma grande indústria química, atraindo muitos migrantes, especialmente de estados do Nordeste e do interior de São Paulo. Quantos conteúdos significativos poderiam ser explorados a partir das memórias de experiências e “causos” de pais e mães! Relatos de vida se entrelaçando com as histórias do Brasil e do mundo… êxodo rural, industrialização, crescimento urbano de São Paulo, migração nordestina, guerras na Europa, heranças culturais, rotas migratórias nacionais e internacionais. A escola contribuiria também para a valorização de diferentes culturas, grupos e saberes dos mais velhos, ao mesmo tempo, em que promoveria a aproximação de gerações, como avós e netos.
Como professora da Educação Básica nas décadas de 1990 e 2000, trabalhando principalmente com público periférico, ao propor atividades que exploravam histórias de vida, percebia o constrangimento de muitos estudantes, temerosos que isso aprofundasse o preconceito de região e condição social que sofriam. Afinal, não lhes orgulhava falar das origens marcadas pela pobreza e sofrimento ou, ainda não ter informações sobre suas origens. E meu papel, enquanto educadora, era também contribuir para mudar essa situação, buscando combater racismos e discriminações e refletindo sobre a diversidade e riqueza cultural dos diferentes grupos.
Que tal estimular o interesse de crianças e jovens pela ancestralidade familiar? Assim, oferecemos a oportunidade de descobrirem que há muitas outras pessoas que comungam da mesma origem, com histórias e culturas semelhantes.
Hoje, muitos livros, sites, professores e escolas buscam resgatar e valorizar as memórias das famílias e da comunidade, relacionando passado e presente numa perspectiva de valorizar nossas origens, reconhecer a contribuição de diferentes grupos na formação da sociedade brasileira e contribuir para a formação de pessoas empáticas, tolerantes e antirracistas. Abaixo, algumas referências para inspirar-se.
Construindo uma árvore genealógica

Uma árvore genealógica pode ser construída de diferentes maneiras, de forma digital ou impressa. Com fotos, mapas, desenhos e colagens. Na imagem acima, é um exemplo de árvore genealógica em livro didático de 7º ano. Nela, há nomes dos familiares e locais de nascimento. Como muitos brasileiros, a jovem Júlia, tem poucas informações sobre as gerações mais distantes da família paterna, que é negra.


Árvores genealógicas de personagens famosos, mesmo que fictícios como os Simpsons, podem servir de mote para a pesquisa das origens da família. | Fonte: Creately e NerdPai
Sites e aplicativos
Há diversos sites, gratuitos e pagos, que permitem pesquisar a origem da família e montar de forma digital a árvore genealógica. Os indicados abaixo são gratuitos.


>> Museu da pessoa
É um museu colaborativo e virtual, onde os relatos de vida são acervos históricos. Você também pode contar histórias por lá e montar uma coleção com imagens e fatos favoritos. Clique aqui.


>> Livros para o público infantil e infanto-juvenil

A árvore da família
O livro estimula a pesquisa sobre a origem das famílias e propõe a produção de uma árvore genealógica.
Coleção Meu avô
A coleção, da editora Panda Books, é voltada ao público infantil e conta histórias de avós de diferentes origens.








