Conheça os efeitos do tempo excessivo diante das telas e por que equilibrar tecnologia e vida real é urgente para a nova geração.
Nos últimos anos, o tempo médio de uso de dispositivos eletrônicos aumentou significativamente, refletindo mudanças na forma como nos relacionamos com o mundo e consumimos informações.
Um estudo recente do portal Electronics Hub revelou que o Brasil ocupa a segunda posição no ranking global de países cujos habitantes passam mais tempo diante de uma tela enquanto estão acordados.
De acordo com a pesquisa, os brasileiros passam, em média, 9 horas e 13 minutos por dia utilizando dispositivos eletrônicos, o que equivale a 54,7% do período em que estão despertos. Esse dado impressionante demonstra como a tecnologia se tornou uma presença onipresente na rotina diária da população.

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Embora a conectividade digital traga benefícios inegáveis, como acesso instantâneo à informação, facilitação do trabalho e do aprendizado remoto, a alta exposição às telas levanta preocupações crescentes sobre os impactos na saúde física e mental, além de influenciar profundamente as relações interpessoais.
O uso excessivo de dispositivos eletrônicos tem sido associado a uma série de desafios, como:
- aumento do sedentarismo;
- distúrbios do sono;
- dificuldades de concentração;
- e até mesmo impactos no desenvolvimento cognitivo de crianças e adolescentes.
Além dos efeitos físicos, estudos indicam que a exposição prolongada a conteúdos digitais pode comprometer a capacidade do cérebro de processar informações de forma profunda. Isso ocorre porque o consumo acelerado de conteúdos on-line tende a fragmentar a atenção, resultando em um pensamento mais superficial e em dificuldades na retenção da memória.
Segundo a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025, “em relação às faixas etárias, mais de 90% dos indivíduos de 11 a 12 anos (92%), de 13 a 14 anos (94%) e de 15 a 17 anos (95%) eram usuários de Internet em 2025. Entre as crianças de 9 a 10 anos, o crescimento foi intensificado durante a pandemia COVID-19: o percentual de usuários passou de 79% em 2019 para 92% em 2021, diminuindo para 87% em 2025”.
A pesquisa também evidencia que o contato com o ambiente digital acontece cada vez mais cedo: 28% das crianças entrevistadas afirmaram ter acessado a Internet pela primeira vez antes dos 6 anos de idade. Nesse contexto, o celular se consolidou como o principal dispositivo de acesso, presente diariamente na rotina da maioria das crianças e adolescentes.
Ao mesmo tempo em que as tecnologias digitais ampliam possibilidades de comunicação, aprendizagem e entretenimento, o uso intenso e contínuo das telas também levanta preocupações importantes. A lógica das interações rápidas, dos estímulos constantes e do consumo fragmentado de informações pode impactar a capacidade de concentração, reflexão crítica e construção de conhecimentos mais profundos e duradouros.
Diante desse cenário, torna-se cada vez mais necessário buscar estratégias para equilibrar o uso da tecnologia no cotidiano. Reduzir o tempo excessivo de tela, promover pausas digitais e incentivar experiências offline são caminhos importantes para preservar o bem-estar, fortalecer vínculos sociais e contribuir para uma relação mais saudável com o ambiente digital.
Para compreender melhor os impactos dessa exposição excessiva e explorar soluções viáveis, conversamos com Rayssa Martins, nutricionista, pós-graduada em Nutrição Clínica e Hospitalar e Gestão em Saúde e Mestre em Saúde Pública pela UFMG, que nos explica a importância de estabelecer limites saudáveis para o uso de dispositivos eletrônicos e compartilha recomendações práticas para promover uma relação mais equilibrada com a tecnologia.
1.Quais são os impactos mais preocupantes do excesso de tempo de tela em crianças e adolescentes?
O excesso de tempo de tela em crianças e adolescentes pode trazer diversos impactos preocupantes, como o aumento do consumo de alimentos ultraprocessados, contribuindo para hábitos alimentares inadequados desde cedo. Além disso, o sedentarismo decorrente do uso prolongado de dispositivos eletrônicos reduz a prática de atividades físicas, elevando o risco de obesidade e problemas metabólicos.
A exposição à luz azul das telas também pode prejudicar a qualidade do sono, afetando o desenvolvimento cognitivo e emocional. Outro fator relevante é a redução da interação social presencial, o que pode comprometer habilidades sociais e emocionais. Esses aspectos ressaltam a importância de um uso equilibrado da tecnologia para minimizar efeitos negativos na saúde e no bem-estar dos jovens.
2.Como o tempo de tela influencia o desenvolvimento emocional e cognitivo das crianças e dos jovens?
O uso excessivo de tela pode comprometer o desenvolvimento emocional e cognitivo ao reduzir interações sociais, prejudicar a atenção e a concentração e afetar a qualidade do sono, essencial para a memória e para o aprendizado. Além disso, a exposição a conteúdos inadequados pode aumentar o estresse e a ansiedade, dificultando o equilíbrio emocional dos jovens.
3.Quais abordagens você recomenda para que os pais consigam equilibrar o uso da tecnologia sem gerar conflitos excessivos?
Sugiro que os pais incentivem hábitos saudáveis, como refeições sem telas e maior tempo dedicado a atividades físicas. Além disso, o estabelecimento de limites claros para o tempo de tela e o diálogo aberto sobre o uso da tecnologia podem ajudar a reduzir conflitos e promover um equilíbrio adequado.
4.Há diferenças significativas nos efeitos do tempo de tela entre diferentes faixas etárias?
Sim, os efeitos do tempo de tela variam conforme a faixa etária. Crianças menores são mais vulneráveis a impactos no desenvolvimento cognitivo e emocional, pois estão em fase de aprendizado e socialização.
Já adolescentes tendem a sofrer mais com questões como sedentarismo, piora na qualidade do sono e aumento do consumo de alimentos ultraprocessados, o que pode influenciar sua saúde metabólica e mental a longo prazo.

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5.Você acredita que as políticas públicas atuais são suficientes para conscientizar as famílias sobre a saúde digital das crianças? Quais melhorias poderiam ser implementadas?
As políticas públicas ainda são limitadas no que se refere à conscientização sobre o uso de telas e seus impactos na alimentação e na saúde. Medidas mais eficazes poderiam incluir campanhas de educação digital para pais e para educadores, regulamentação mais rígida sobre publicidade de alimentos ultraprocessados e incentivos para a prática de atividades ao ar livre.
6. Em seu estudo, você aponta que adultos que passam mais tempo em telas tendem a consumir mais alimentos ultraprocessados. Como esse comportamento pode se desenvolver desde a infância e quais medidas podem ser adotadas para evitá-lo?
Medidas preventivas devem ser adotadas para a adoção de hábitos alimentares saudáveis desde cedo, através da não oferta de telas de qualquer tipo e por qualquer período para crianças menores de dois anos, restrição ao uso de telas durante as refeições e maior controle sobre a publicidade infantil de produtos ultraprocessados.
7. Existe uma correlação entre uso excessivo de tela e transtornos metabólicos, como obesidade e diabetes? Como a redução do tempo de tela pode contribuir para a prevenção dessas doenças?
O estudo identificou uma relação entre maior tempo de tela e pior qualidade da alimentação, o que pode estar associado a um maior risco de obesidade e doenças metabólicas. A redução do tempo de tela pode contribuir para um maior engajamento em atividades físicas e uma alimentação mais saudável, fatores fundamentais na prevenção dessas condições.
8. O sedentarismo associado ao uso excessivo tempo de tela impacta diretamente a saúde cardiovascular? Há evidências de que limitar o tempo de exposição pode trazer benefícios rápidos para a saúde infantil?
Sim, o tempo prolongado de tela está frequentemente ligado ao sedentarismo, o que pode impactar negativamente a saúde cardiovascular. Estudos sugerem que a redução do tempo de tela pode levar a benefícios rápidos, como melhora na aptidão física, melhor regulação do apetite e padrões de sono mais adequados, fatores que reduzem o risco de eventos cardiovasculares.
9. O uso excessivo de tela também tem sido relacionado a distúrbios do sono. Como a higiene do sono pode ser trabalhada em conjunto com a redução do tempo de tela?
A higiene do sono pode ser trabalhada por meio da limitação do uso de telas antes de dormir, visto que a exposição à luz azul pode interferir na produção de melatonina. Estratégias incluem o estabelecimento de uma rotina noturna sem dispositivos eletrônicos, sendo ideal manter a televisão e outros aparelhos fora do quarto. Além disso, a promoção de atividades relaxantes, como ouvir música ou ler um livro, pode facilitar o sono.
10. Considerando a realidade digital atual, é possível criar um equilíbrio sustentável entre o uso das telas e um estilo de vida saudável? Que estratégias podem ser implementadas pelos pais e no ambiente escolar para reforçar esse equilíbrio? (Lembrando que já foi proibido o uso de celular, isso pode auxiliar os jovens?)
Sim, é possível equilibrar o uso das telas com um estilo de vida saudável. Estratégias incluem incentivar atividades físicas, promover momentos de lazer sem telas e reforçar a importância de interações sociais presenciais.
No ambiente escolar, a proibição do uso de celulares pode ser uma medida útil para reduzir distrações e incentivar o aprendizado ativo. Para um resultado efetivo o assunto deve ser trabalhado também nas salas de aula.
Rayssa Martins reforça a importância de hábitos saudáveis desde a infância, incluindo o uso moderado de telas e uma alimentação equilibrada. Para ela “o envolvimento da família e da escola é essencial para garantir que crianças e adolescentes desenvolvam comportamentos que promovam a saúde a longo prazo”.
Saiba como estabelecer limites saudáveis para o uso de tecnologia sem comprometer o aprendizado digital
Se você não quer comprometer o bem-estar físico, mental e social das crianças, precisa estabelecer limites quanto ao uso de telas
Esses limites permitem equilibrar o tempo dedicado à tecnologia, aproveitando seus benefícios educativos enquanto protege as crianças de possíveis danos.
Primeiramente, é essencial que os limites tecnológicos sejam adequados à idade e maturidade da criança. Nesse momento, é preciso:
- determinar que tipo de conteúdo pode ser acessado;
- quanto tempo de tela é permitido;
- em quais horários do dia a criança pode usar os dispositivos.
Esse cuidado ajuda a estabelecer uma relação mais saudável com a tecnologia, uma vez que o acesso é controlado e direcionado de maneira construtiva.
É igualmente importante diferenciar o tempo de tela dedicado a atividades educacionais do tempo destinado ao entretenimento. Priorizar o uso de dispositivos para tarefas escolares e atividades educativas ajuda a promover um desenvolvimento cognitivo positivo.
Por outro lado, é necessário limitar o tempo gasto em jogos e redes sociais, a fim de diminuir o risco de dependência e garantir que a tecnologia cumpra um papel educacional.
O monitoramento e controle dos pais também são fundamentais. Usar as ferramentas de controle parental ajuda a gerenciar o conteúdo acessado pelas crianças.
Além disso, é importante que os pais se envolvam ativamente na educação sobre segurança online, discutindo regularmente temas como privacidade, segurança na internet e o uso responsável das redes sociais.
Outro ponto relevante é a modelagem de comportamento. As crianças tendem a imitar o que veem em casa, por isso, você precisa ser um exemplo positivo, demonstrando como gerenciam o próprio tempo de tela e mantêm um equilíbrio saudável com a tecnologia.
Leia o texto: Tempo de tela: conheça os impactos e como ajudar os filhos
Quais atividades alternativas podem ser incentivadas para reduzir o tempo de tela?
Para diminuir o excesso de telas, você precisa incentivar as crianças a executar atividades mais equilibradas e saudáveis. Nesse momento, é necessário buscar alternativas que envolvam o desenvolvimento físico, social e cognitivo de forma divertida e interativa.
Veja alguns exemplos práticos!
Incentive brincadeiras ao ar livre e sem o celular
Pular corda, brincar de esconde-esconde ou explorar o ambiente natural são ótimas maneiras de exercitar a criatividade — inclusive, esses exercícios ajudam as crianças a desenvolverem habilidades sociais.
Além do mais, brincar ao ar livre oferece uma excelente oportunidade para reforçar os laços familiares, especialmente quando toda a família participa. Essas brincadeiras são alternativas simples e acessíveis, que não dependem de aparelhos eletrônicos e ajudam a manter as crianças ativas em atividades saudáveis.
Resgate as brincadeiras antigas
Estamos falando de brincadeiras que fizeram parte da sua infância, como jogos como amarelinha, queimada, bolinha de gude e pega-pega. Essas atividades são clássicos que podem ser feitas em qualquer lugar e não requerem tecnologia.
Além de ser uma forma de divertir as crianças, elas também contribuem para o desenvolvimento de habilidades motoras e o trabalho em equipe.
Aposte em jogos educativos
Jogos educativos proporcionam diversão e aprendizado simultaneamente. Por exemplo, tabuleiro e cartas, como quebra-cabeças, dominó e jogos de memória ajudam a desenvolver habilidades cognitivas, como concentração, paciência e habilidades matemáticas.
Atividades manuais para soltar a criatividade
Estimular atividades manuais como desenho, pintura, recorte e colagem é uma excelente maneira de desviar a atenção das telas. Essas atividades ajudam a desenvolver a criatividade e a coordenação motora das crianças, além de incentivarem a expressão artística e a imaginação.
Você pode propor desafios, como criar cartões ou montar objetos com material reciclado e, com isso, transformar momentos simples em um aprendizado significativo e longe das telas.
Valorize a leitura e a contação de histórias
A leitura ajuda no desenvolvimento linguístico, no vocabulário e na imaginação das crianças. Portanto, escolha livros adequados à faixa etária do seu filho e torne a leitura um momento especial.
Você pode estimular ainda mais a criatividade ao criar histórias juntos ou usar recursos como fantoches para tornar a atividade mais interativa.
O excesso de telas e seu impacto no desenvolvimento infantil é um assunto muito sério e você, como responsável, precisa prestar atenção nisso. O futuro de quem você ama também depende de você!







