Os problemas na adolescência podem ser um desafio para estimular a motivação e o interesse de ir à escola, ser criativo e construir uma educação básica enquanto diferencial na vida adulta.
Um dos grandes motivos de sofrimento dos pais ocorre quando os problemas na adolescência começam a travar o desenvolvimento escolar dos filhos. Além de limitar suas habilidades sociais e emocionais, os adolescentes podem ter dificuldades para experimentar novos desafios.
Essa é uma fase de grandes e rápidas mudanças, em que os conflitos são esperados, exigindo intervenção adulta. Saber como lidar com a adolescência é o primeiro passo para dar todo o suporte que um jovem precisa ao vivenciar suas lutas internas.
O objetivo deste conteúdo é ajudar pais e responsáveis a aceitarem os impasses inevitáveis na fase da adolescência e trazer dicas práticas para lidar com esse momento.
Continue lendo, veja os motivos e principais problemas enfrentados pelos adolescentes!
Como lidar com filhos adolescentes?
A entrada na adolescência é repleta de descobertas, incluindo as profissionais e até filosóficas. Geralmente, durante os anos juvenis, o adolescente lida, de um modo mais radical, com questionamentos sobre amores, trabalhos e objetivos de vida.
O puritanismo e a leveza da infância dão lugar a responsabilidades e escolhas mais complexas, desde avançar nos estudos de um segundo idioma e até tentar vivenciar um intercâmbio, focando na vida profissional do futuro.
Antes de combater esses impasses, é preciso aceitar que eles podem acontecer e se preparar para lidar com a adolescência da melhor forma possível. Nesse contexto, a escola, ao lado dos pais, atua como uma oportunidade de desenvolver a empatia, o respeito e a criatividade.
Para ajudar, trouxemos algumas sugestões de condutas para adotar com um filho adolescente e seus problemas!
Entenda as mudanças nessa fase
Para muitos pais talvez seja difícil assimilar que o filho que antes cabia no colo já tem vontade própria, mas sabe que isso não é o suficiente para tomar suas decisões. É uma transição repleta de percalços, uma vez que não existe mais a criança que só se preocupava com os brinquedos e nem o adulto que trabalha e ganha o próprio dinheiro.
A adolescência é um meio-termo recheado de camadas e questionamentos sobre o que será da vida agora que as responsabilidades se tornam mais sérias. Compreender que as alterações de comportamento e emoções são resultados de uma nova formação, ajuda a encontrar caminhos de orientação e direcionamento.
Tenha um bom diálogo
É possível educar adolescentes para se tornarem mais felizes, saudáveis e realizados, usando uma boa comunicação e acolhimento. Em uma época tão adversa é importante se abrir ao diálogo sem julgamentos, praticando uma escuta ativa, ou seja, com real interesse no que o filho quiser compartilhar para encontrar suas respostas.
Sabemos que, para os pais, a escola e a sociedade, essa não é uma tarefa fácil, no entanto, aprender a acolher é totalmente possível. Oferecer apoio, validando emoções, pode ser o principal meio de estreitar laços e fazer o adolescente se abrir para ultrapassar os momentos de frustração.
Saiba quando colocar limites
Os pais são acima de tudo educadores dos filhos, ainda que desejem ter uma postura de amigos. Dialogar e acolher não significa, contudo, abandonar os momentos de chamar às responsabilidades.
É fundamental agir com autoridade sem ser autoritário, priorizando a empatia e o respeito à individualidade do adolescente. Impor limites a partir do medo pode trazer consequências graves como o afastamento do filho e atos impensados de rebeldia.
Dê autonomia
A liberdade vigiada é uma forma de dizer ao filho que existe confiança, mas também uma preocupação. Conceda independência e autonomia parcial estimulando o adolescente a pensar e agir com cautela.
Para lidar com adolescentes é importante saber delegar. Este é um processo de transição e o jovem tanto espera como precisa ter maior autonomia.
“Claro que isso não significa dar liberdade total e deixar que seu filho tome todas as decisões, é um processo transitório no qual o responsável demonstra confiança. Além disso, também é preciso oferecer tarefas que apresentem consequências claras”, diz Karine Souza, pedagoga.
Por que a adolescência é uma das fases mais difíceis?
Todo mundo já viveu a adolescência. Para uns, essa fase pode resultar em boas lembranças, enquanto outros a entendem como um dos momentos mais traumáticos da vida. Isso acontece, em parte, porque é a partir dessa fase que se torna mais explícita a necessidade de construir o próprio espaço.
A personalidade, com opiniões, escolhas de roupas, músicas, planos de vida, entre outros, começa a ficar mais delineada.
Nesse momento, o adolescente costuma perceber que o seu modo de entender o mundo pode entrar em conflito com os olhares dos pais. Aliás, as opiniões da família começam a ter uma centralidade maior na atenção dos filhos.

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Aprendem a ter a própria opinião
Se na infância os direcionamentos morais, éticos e culturais dos pais eram absorvidos automaticamente pelos filhos, ou, quando em conflito, resolvidos com a autoridade, na adolescência o cenário muda.
Isso porque o adolescente descobre o poder de argumentar e põe em dúvida opiniões que até então eram muito corretas. A tendência é surgir um jovem com personalidade desafiadora, sobretudo, diante dos pais, professores e lideranças religiosas que até então ocupavam uma posição de autoridade.
Um período de questionamentos e descobertas que não significa, necessariamente, um confronto ou contestação direta. Essa é uma forma de buscar respostas e de se autodescobrir nesse novo capítulo da vida.
Criam uma identidade mais forte
Durante esse processo, que envolve a criação de uma identidade, também acontecem as mudanças físicas, hormonais e psicológicas.
O resultado disso pode ter consequências no modo como os colegas, a família e a sociedade em geral aceitam esse novo ser em mudança. Acontece que quadros de ansiedade podem aparecer devido aos sentimentos de vulnerabilidade e fragilidade.
Afinal, se antes, por exemplo, o rosto do estudante era liso, a adolescência pode trazer as mudanças das espinhas e dos pelos indesejados. Isso pode criar situações de bullying, gerando o sentimento de exclusão.
Em outras palavras, a adolescência é um período tão difícil porque coloca como ponto central a autoimagem. Há uma necessidade de encaixe em relação a determinados padrões. Isto é, o corpo mais perfeito para ser aceito, o jeito certo de ser popular e as escolhas mais corretas para se dar bem na vida.
Lidam com responsabilidades
A família, a escola e a sociedade têm diferentes níveis de exigência. Aprender a administrar tudo isso é uma tarefa desafiadora, por ser algo novo, que demanda do adolescente um certo grau de autonomia para que ele encontre suas próprias ferramentas.
Ele lidará, mais frequentemente, com situações de escolha que, consequentemente, implicam renunciar a outros desejos.
Decisões individuais são, constantemente, colocadas à prova. Os resultados podem ser momentos recorrentes de raiva, capazes de gerar quadros de revolta e até mesmo de depressão. Diante de tudo isso, é preciso estar preparado para atravessar um período naturalmente cheio de obstáculos e contrariedades.
Quais são os principais problemas na adolescência?
É comum atribuir aos hormônios a mudança e o impacto no comportamento adolescente, afinal, ocorrem alterações corporais e, sobretudo, no humor. Nessa fase surgem muitos problemas de ordem social e emocional que interferem no processo de transição.
Veja alguns desses percalços e adversidades!
Autoestima frágil
Segundo a pedagoga, “por mais que uma criança se relacione com outras pessoas, o adolescente se torna um ser muito mais disponível para o social, mas isso não significa que ele vai se tornar uma pessoa sociável.”
As alterações na aparência, incluindo a voz, podem colocar em conflito a autoimagem. Os resultados são problemas de autoestima, principalmente se o adolescente não estiver cercado de uma rede de afeto que o valide.
Assim, a questão estética é um ponto que, em variados níveis, pode afetar os adolescentes e trazer consequências para a vida adulta. Além dos problemas de acne e do crescimento de pelos já mencionados, há o engrossamento da voz, o desenvolvimento dos seios, a menstruação e o alargamento dos ossos.
Disposição em falta
O corpo se transforma e o metabolismo muda. Logo, o adolescente pode se sentir mais cansado, com muito sono. O repouso se prolonga e pode entrar em conflito com as demandas em casa e no ambiente escolar.
Se antes, após as refeições, o corpo continuava atento, com a mudança metabólica, pode haver letargia, fazendo o adolescente ficar mais lento. Esse cenário pode ser particularmente complicado para aqueles que experimentam o contraturno na escola.
É por isso que, como falamos no início, o acolhimento das queixas desse estudante com um novo metabolismo deve acontecer cotidianamente. Os jovens querem e devem ser compreendidos, e isso pode ser feito administrando responsabilidades.
Isolamento social
Em muitos filmes e séries adolescentes, é possível encontrar personagens que lidam com a falta de aceitação e integração entre os grupos. Essas dificuldades de construir uma rede de afetos resultam em isolamento, logo, falta estímulo para honrar compromissos sociais e ir à escola.
Um dos fatores para isso é a timidez e as mudanças bruscas do corpo. Assim, o jovem pode até mesmo entrar em conflito com outros adolescentes que já encontraram seu espaço de identificação.
O isolamento social atrapalha o convívio saudável, gerando uma solidão que pode aprofundar ou iniciar quadros depressivos.
Pressões escolares
Outro problema na adolescência são as pressões escolares, afinal, pai, mãe, parentes, professores e coordenadores se preocupam com o rendimento escolar, mas muitos podem errar na intensidade das cobranças por resultados.
Nesse período de formação de base, o volume de conteúdo pode gerar estresse, insônia, ansiedade, frustração e, em conjunto com outros problemas, desestimular o estudante, desencadeando problemas emocionais e psicológicos.
Além disso, atualmente, temos o ambiente digital das redes sociais, os games e todos os outros recursos tecnológicos que podem atuar como elementos limitadores para os estudos.
A questão da pressão escolar para dar conta de todo o conteúdo dos livros está diretamente relacionada às oportunidades profissionais e à exigência do estabelecimento da escolha de uma profissão.
Mais uma vez repetimos que o acolhimento é o eixo de equilíbrio para criar condições saudáveis nas escolhas do adolescente. Conversar com o filho e saber como ajudar a enfrentar as dificuldades pode reduzir os abalos na saúde emocional.
Bullying
Um debate bastante atual e uma expressão que já faz parte de debates dentro e fora da sala de aula, o bullying é muito vivido durante a adolescência. Ele é um problema social que tem início ainda na infância. No entanto, a adolescência parece inaugurar uma forma mais intensa de violência, trazendo consequências até definitivas, como o fim da vida.
A solução é a criação de um ambiente em que haja respeito e um convívio saudável em sociedade. Para isso, é preciso entender que cada pessoa tem a sua singularidade.
Tentar diminuir o outro por conta do que se atribui como defeito é o caminho mais rápido para a construção de um caráter duvidoso, permanentemente infantil e com baixa autoestima.
Falta de oportunidades amorosas
Sabia que é principalmente na adolescência que acontecem as primeiras descobertas amorosas para além da relação com os pais e a família?
Nesse sentido, esse momento viabiliza a construção de uma maturidade emocional, experimentando relacionamentos que demandam o exercício de determinadas condutas. Ou seja, a sinceridade, a conversa sobre sentimentos e a responsabilidade sobre as emoções que uma pessoa causa na outra.
Por isso, é importante ficar atento para encontrar formas de preservar o respeito aos limites de cada pessoa. Nesse processo, a falta de oportunidades amorosas pode gerar o sentimento de rejeição, abrindo espaço para o isolamento e a manutenção de uma autoestima fragilizada.
Tendência aos vícios
Se o adolescente não se sente acolhido, valorizado e respeitado, há uma abertura para que ele desconte a sua frustração em prazeres imediatos que preencham esses vazios.
Assim, o aparecimento de comportamentos compulsivos é um alerta para a comunidade. A adolescência é um momento em que esses problemas podem surgir, colocando os filhos em risco.
Olhar com atenção para os espaços que o adolescente frequenta, sem querer isolá-lo, assim como para as mudanças de comportamento, é uma atitude assertiva para combater esse cenário.
Aqui, não falamos apenas das drogas, mas também do descontrole alimentar, do vício nas redes sociais e em jogos, entre outras situações que apresentam um volume de repetição que fragiliza os estudos e o convívio social.
“Saber lidar com o filho adolescente, em meio a todas as outras demandas da vida adulta, é uma tarefa que exige tempo e dedicação. Querer ignorar essa realidade não é o melhor caminho.”
Como uma boa relação com a escola pode ajudar?
Como última dica, lembre-se da importância da escola ao lidar com os problemas na adolescência. O local é mais um espaço onde o jovem pode fortalecer a sua individualidade e ser acolhido.
Agora você já sabe, em detalhes, os principais desdobramentos dessa fase e como lidar com a adolescência. Atue como um braço amigo para navegar com o seu filho durante um período cheio de mudanças — ensine-o a aceitar os sentimentos conflitantes, estabelecendo um diálogo aberto e franco.
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