Desde tenra idade, fui cativado pelos mundos que se desdobravam diante de meus olhos enquanto mergulhava nas páginas dos livros. A aventura e a imaginação que brotavam de cada história me fascinavam e me levaram a descobrir um amor duradouro pela leitura. Mas essa chama ardente que se acendeu em meu coração como leitor foi, entre outras tantas coisas, possível pelo amor, dedicação e apoio incansáveis de meu pai.
Dentro de suas possibilidades, ele sempre foi um incentivador da leitura. Lembro-me claramente de como ele comprava revistas em quadrinhos todas as semanas para mim. Era bancário e trabalhava no centro da cidade. Desta forma, apesar de voltar muitas vezes tarde da noite para casa, encontrava tempo para passar numa banca e comprar uma revistinha. Isso alimentava minha curiosidade e inspirava minha imaginação. Ele sabia que a leitura era uma porta para um mundo mais amplo, uma oportunidade de aprendizado e uma forma de escapar para lugares distantes sem sair do conforto do meu quarto. Naquela época descobri a Turma da Mônica, Pato Donald, Mickey, Tio Patinhas, Luluzinha e Bolinha e tantos outros personagens que fizeram parte importante da minha infância.

Transmitindo uma paixão aos filhos
Quando me tornei pai, sabia que desejava passar adiante a mesma paixão pela leitura que meu pai me proporcionara. Com o tempo, percebi que cada um dos meus filhos tinha uma relação única com os livros.
Minha filha, uma grande leitora desde cedo, mergulhou de cabeça nos clássicos da literatura. Compartilhamos inúmeras aventuras literárias juntos, desde as histórias encantadas de princesas até as sagas épicas de fantasia. Eu me vi espelhado nela, pois nossos momentos de leitura nos aproximaram e nos deram uma conexão especial. É dela este texto que segue:
Meu nome é Larissa Lima e tenho certeza de que eu pai foi (e é) uma das grandes influências da minha vida para me tornar a mulher leitora e escritora que sou. Desde pequena, sempre fui cercada de livros e pedia constantemente pro meu pai inventar histórias “da cabeça dele” pra eu ouvir. Cresci sendo incentivada a explorar o lado fantástico e imaginário das coisas e não surpreende que, aos 9 anos, eu tenha escrito um livro infantil. Com 16 anos, retornei a fazer isso que tanto amor e foi ele quem me ajudou, junto da minha madrasta, a editar e publicar o livro – além de me apoiar durante o processo inteiro. Com 18 anos, passei em Letras e Teatro nos vestibulares, e escolhi cursar o último. O meu ser artista é enriquecido de todas as experiências que tive graças ao meu pai, todas as histórias, as brincadeiras, a ajuda e o incentivo que ele sempre me deu (e dá) no que eu quisesse fazer. Feliz Dia dos Pais, pai! Te amo muito!
Meu filho Caio, por outro lado, tinha um fascínio pelas possibilidades da era digital. Embora a leitura de livros físicos não fosse seu forte, ele descobriu um mundo de histórias interativas e narrativas imersivas nos jogos e nas leituras digitais. Em vez de desencorajá-lo, abracei essa forma de leitura e procuramos juntos obras digitais que estimulassem sua imaginação e aprimorassem suas habilidades. Ainda assim, seu perfil de leitor e de produtor de textos é totalmente diferente daquele que a Larissa tem. Exemplifico isso com o texto que ilustra a fala da Larissa: quanto contei a eles que estava escrevendo esse artigo, imediatamente ela se dispôs a escrever um parágrafo sobre a minha influência em sua leitura e escrita. O Caio? Até hoje estou esperando o texto… Vejam como numa mesma casa, com uma mesma influência, você pode formar diferentes tipos de leitores ou até não formar, pois as pessoas são diferentes! Mas o importante, sempre, é apresentar os livros desde cedo, para que as crianças convivam com eles, sintam, cheirem, rasguem (e não tem problema!) e tornem esses livros parte de suas vidas.
A Importância de Adaptar-se
Através dessa experiência, aprendi que a leitura não é limitada a um único meio. O importante é estimular o amor pelos livros de alguma forma, seja por meio de páginas físicas ou telas digitais. Adaptar-se às preferências e interesses de meus filhos foi essencial para nutrir sua paixão pela leitura.
Hoje, quando meus filhos se reúnem para compartilhar suas descobertas literárias, sinto um orgulho imenso. A chama da leitura que meu pai acendeu em mim continua acesa na geração seguinte. Esta conexão, que atravessa gerações, é um tesouro inestimável que nunca deixarei de valorizar.
Um Legado Duradouro
A trajetória como leitor foi moldada pela influência amorosa do meu pai e pela minha própria jornada. A paixão pela leitura que ele despertou em mim se tornou um legado precioso que estou transmitindo aos meus filhos. Com a esperança de que eles também compartilhem esse presente com as futuras gerações, acredito que a leitura continuará a enriquecer e a transformar vidas, assim como fez com a minha própria.







