Como você toma decisões financeiras no dia a dia? Já parou para pensar sobre isso? Leva em consideração o custo financeiro e os impactos em sua saúde? Prioriza escolhas que geram menores impactos na natureza e melhores resultados sociais?
Difícil pensar em tudo isso ao mesmo tempo, não é? Ainda mais em uma sociedade que enaltece primordialmente o próprio bem-estar, é imediatista e evita mostrar às pessoas o que está acontecendo ao redor.
Minha avó era uma pessoa muito lúcida, informada e inspiradora. Apesar de ter sido privada de fazer Ensino Superior e trabalhar para gerar renda, lia bastante e sempre estava com seu rádio ligado ouvindo notícias e se informando.
Lembro-me de, nas férias, ir visitá-la e vê-la usando um tipo de laquê, fixador, que precisava ser bombeado e deixava gotículas no cabelo, pois ela evitava o uso de aerossóis que, naquela época, continham CFC e prejudicavam a camada de ozônio. No supermercado, ela nos orientava a ler rótulos e priorizar a compra de produtos locais para gerar renda e empregos na região. Enfim, comportamentos responsáveis que tenho tentado replicar e disseminar, pois acredito na relevância das ações para impactar positivamente as pessoas ao redor.
É comum terceirizarmos a responsabilidade de nossos resultados e evitamos olhar para dentro. Acabamos sempre colocando a culpa nos pais, no governo, na situação econômica e política, e é claro que todos esses fatores impactam quem somos e o que temos. Mas tenho aprendido que não podemos controlar isso, e, o único poder que temos está em nossas AÇÕES. E, ter esse autocontrole, já é bem desafiador!
A forma como agimos no dia a dia é que determina muito do que obtemos de resultados e são nos “pequenos hábitos” que ganhamos poder de transformação. Foi assim conosco nas finanças.
Quando o Léo e eu começamos a empreender, acreditávamos que gerar boa renda resolveria a maior parte dos desafios financeiros, mas com o tempo, percebemos que a conta não fechava, pois quanto mais rendimentos, maiores eram os gastos. Conseguimos dar uma reviravolta em nossa vida financeira depois de muitas tentativas, erros, reavaliações de comportamentos, crenças… fomos mudando pequenos hábitos, e em 2008 iniciamos a jornada de compartilhar o que tínhamos construído, com o que chamamos hoje de Método dos 6Gs.
Os desafios econômicos estão aí e sempre estarão. Eles desestabilizam diversas áreas da sociedade, pois usamos o dinheiro para obter alimentos, Educação, moradia, vestimentas, cuidar da saúde e, sem ele, a qualidade de vida pode ficar bastante prejudicada, principalmente nos grandes centros. Por exemplo, quando falta dinheiro para pagar a mensalidade da escola, esse dinheiro deixa de remunerar professores e funcionários, fornecedores de materiais e prestadores de serviços, que são essenciais para manter a estrutura funcionando. Isso prejudica a qualidade do ensino, e interfere nos resultados de crianças e jovens, que afetará também, famílias e toda a sociedade.
A cadeia de produção e distribuição de produtos e serviços é afetada pelo fluxo de dinheiro, e isso acontece o tempo todo para todos os segmentos. É por isso que é tão importante melhorar suas decisões de consumo, pois está escolhendo a quem remunerar e fortalecer a cada momento.
Resolvi trazer o exemplo da Educação, pois como autora de materiais pedagógicos e parceira de centenas de escolas vejo o desafio crescente para conciliar questões financeiras da instituição enfrentando inadimplência, buscando garantir lucratividade e sustentabilidade, sem comprometer a qualidade educacional e nem deixar de contribuir com as famílias.
A solução pode estar no fortalecimento da parceria escola e família, e temos atuado colaborativamente de forma preventiva com a Educação Financeira Comportamental, preparando as pessoas para tomarem decisões financeiras mais responsáveis e sustentáveis.
A implementação de programas de Educação Financeira tem demonstrado resultados positivos na redução da inadimplência e endividamento, aumento de reservas e investimentos e redução de estresse financeiro. Por exemplo, um estudo publicado em dezembro de 2021 na Revista Brasileira de Gestão e Desenvolvimento Regional avaliou o impacto de um programa de Educação Financeira em idosos e constatou uma redução de 50% nas contas em atraso após a intervenção.
Além disso, os participantes apresentaram um aumento de 72% na capacidade de poupança. Esses dados reforçam a eficácia da Educação Financeira na promoção de comportamentos financeiros mais saudáveis e na diminuição da inadimplência. É possível aprender a usar o dinheiro de forma estratégica para reduzir desperdícios e garantir a concretização de desejos, sem colocar em risco o acesso ao essencial. Até a próxima!
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