Será que é possível conciliar os fantoches tagarelas dos desenhos educativos dos anos 90 com a geração da era digital, acostumada com um consumo rápido e com excesso de telas? É isso que te convido a refletir no artigo abaixo.

Você se lembra como era a infância com os desenhos educativos dos anos 90? E como os programas de TV contribuíam para o que era ensinado dentro da sala de aula? Hoje, com a era digital, muitos desses desenhos se tornaram ilustrações, que ainda podem contribuir com o ensino, mas criam um certo distanciamento pelo excesso de telas.
Consumir conteúdos rápidos, que liberam uma enxurrada de dopamina e causam uma sensação de prazer e satisfação momentâneas, são estratégias para gerar visualizações, curtidas e outras ferramentas disponibilizadas pelos aplicativos, que fogem do objetivo educativo que muitos programas da década de 90 tinham.
Embora a TV também libere algumas substâncias em nosso cérebro, quando conseguimos converter em conteúdos que podem ser adaptados para a sala de aula ou que podem complementar o que é ensinado nela, ressignificamos o uso da tela e otimizamos esse tempo que poderia ser desperdiçado sem perceber.
E se uníssemos um pouco da dinâmica dos desenhos educativos dos anos 90 com a digitalização dos tempos atuais?

Personagens humanizados são uma forma de gerar identificação para as crianças e criar uma aproximação, que pode ser aproveitada tanto em sala de aula quanto em casa. Se utilizar desses personagens mais populares para abordar temas educativos nos espaços escolares pode ser uma alternativa ao uso de telas e ao excesso de informações enviadas por minutos por aparelhos celulares.
Um exemplo de um desenho educativos dos anos 90, bastante famoso, que humanizava seus personagens e os utilizava para abordar temas voltados à Educação, está no Cocoricó, da TV Cultura. Ele utilizava fantoches de galinhas, vacas, cavalos, seres humanos e por vezes até de seres inusitados, como um cocô falante. Os fantoches do Cocoricó, por exemplo, podem ser levados para a sala de aula, possibilitando que o educador explore emoções, vozes, contextos e até mesmo assuntos diversos, sem depender do uso das telas, mas, ainda assim, se utilizando de uma referência que surge nelas.

TV Cultura na CCXP e os desenhos educativos dos 90
Estive na CCXP recentemente, e fiquei surpresa ao ver o estande da TV Cultura no espaço. Lembro-me que alguns programas que marcaram minha infância, como Cocoricó e Castelo Rá-Tim-Bum, me ajudavam a desenvolver senso crítico e moldavam muitos hábitos.
No Castelo Rá-Tim-Bum, por exemplo, a hora do banho do ratinho era sempre uma espera. Quando ele entrava com seu carrinho e começava sua música sobre “tchau preguiça, tchau sujeira, adeus cheirinho de suor”, eu entendia tudo o que um banho podia proporcionar para o ser humano e me lembrava nos meus banhos sobre as partes do corpo que deveriam ser lavadas e suas funções, como “meu pé, meu querido pé, que me aguenta o dia inteiro”. Um outro ponto forte do ratinho era a hora de escovar os dentes, marcada pela importante passada do fio dental.

Ainda, em alguns intervalos das aventuras no castelo, tinham alguns comerciais sobre lavar as mãos antes de comer, como fazê-las e em quais momentos a mão deveria ser lavada, como “depois de brincar no chão de areia a tarde inteira, antes de comer, beber, lamber, pegar na mamadeira”. Além disso, o castelo era mágico e tinham inúmeros personagens humanizados que nos causavam encantamento e ensinavam sobre diferentes temas, como os passarinhos no lustre e os famosos cientistas Tíbio e Perônio.
Agora, pense comigo, com tantas referências atemporais, será que a gente não pode introduzir essas figurinhas em sala de aula para os estudantes dessa geração? Será que tudo precisa ser tão digitalizado, curto, e por meio de uma tela tão pequena como o celular?
Os desenhos educativos dos anos 90 podem ser uma referência atual, não apenas como algo nostálgico que marcou a infância de muitos adultos, mas como uma criança revolucionária e atemporal, com o poder de marcar diferentes gerações. Com uma didática acessível, simples e inteligente, esses desenhos podem levar para as salas de aula mais conhecimento, diversão, aprendizado e trocas. E para os responsáveis em casa, pode ser um momento de união e troca, revivendo um pouco de sua infância e compartilhando seus aprendizados com seus filhos no sofá de casa.

Experimente levar para sua sala de aula algumas curiosidades do curral de Cocoricó, ou ainda, algumas das aventuras do Castelo Rá-Tim-Bum, com figuras tão clássicas como a Caipora, a Morgana ou o Mau e seu atrapalhado parceiro Godofredo, e veja como pode ser mais divertido ensinar e aprender sobre diferentes assuntos fora das telas!








