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Fomo: O medo de ficar de fora e os passos para superar a ansiedade digital

Por Juliana Piccoli

Estimativa de leitura: 5min 12seg

15 de outubro de 2025

Quando a comparação e o medo roubam a paz, está na hora de ligar um sinal de alerta. Entenda o que é Fomo! 

Sabe aquela sensação de estar perdendo algo, de não estar participando, ou aquela necessidade de estar em todos os momentos? Esse comportamento tem nome: Fomo, do inglês “Fear of Missing Out”, termo exclusivo introduzido em 2004 para descrever um fenômeno observado principalmente nas redes sociais. 

O “Medo de Ficar de Fora”, ou Fomo, é um conceito novo, que pode existir como um sentimento que ocorre em meio a uma conversa, como uma disposição de longo prazo ou um estado de espírito que leva a pessoa a sentir inferioridade social, solidão ou raiva intensa. Atualmente, mais do que nunca, as pessoas estão expostas a muitos detalhes sobre o que os outros estão fazendo e se deparam com a incerteza em estar fazendo o suficiente ou se estão onde deveriam estar na vida.  

O termo é novo, mas o Fomo é algo que sempre existiu. Segundo uma pesquisa de 2012 feita pela agência de publicidade J. Walter Thompson, sete em cada dez Millenials (nascidos entre 1981 e 1996) dizem que já sentiram Fomo. Naquela época, apenas 8% dos entrevistados conheciam o termo, mas se identificaram com a sensação após a explicação da sigla.  

Segundo a psicóloga Naomi Eisenberger, da Universidade da Califórnia (Ucla), a rejeição social ativa o córtex cingulado anterior – uma das regiões do cérebro relacionadas à dor física. Expressões como “machucar os sentimentos” ou “corações partidos” não poderiam ser mais precisas. O cérebro responde à rejeição social da mesma forma que responde à dor física. As descobertas sugerem que nossa necessidade de inclusão está enraizada em nossa aversão à dor

Dentre os principais sintomas da Fomo, estão: 

  • Dedicar muito tempo às redes sociais; 
  • Usar excessivamente o celular; 
  • Ter dificuldade em viver o momento; 
  • Esperar constantemente notificações no celular;  
  • Aceitar propostas para todas as festas e eventos por medo de se sentir excluído; 
  • Ansiedade e comparação excessiva; 
  • Sensação de exclusão e insatisfação com a própria vida; 
  • Queda na autoestima. 

Relação do Fomo com as redes sociais 

Um dos sintomas mais comuns é a sensação constante de ansiedade, especialmente relacionada ao uso das redes sociais, onde a pessoa sente um impulso incontrolável de estar conectada o tempo todo, com medo de perder qualquer oportunidade. esse estado de alerta contínuo pode gerar tensão, irritabilidade e até dificuldade para relaxar ou dormir. 

A exposição constante de uma vida perfeita nas plataformas digitais, em que as pessoas estão sempre conquistando tudo o que desejam e estão constantemente em eventos sociais, faz com que quem está do outro lado da tela se sinta excluído, inadequado ou insatisfeito. A questão é que essas postagens são apenas recortes positivos que não mostram a totalidade da realidade, que apresenta frustrações e dificuldades do dia a dia. 

fomo: o que é
Fomo, do inglês “Fear of Missing Out”, é o medo de ficar de fora.

Quem sofre com Fomo costuma comparar sua vida com a dos outros de forma negativa. Portanto, surge a sensação de que os outros estão vivendo melhor, o que reforça sentimentos de inferioridade e frustração, causando ansiedade digital. 

Como lidar com o Fomo? 

Existe uma combinação de cuidados emocionais que podem ajudar: 

  • Psicoterapia: fundamental para trabalhar pensamentos distorcidos, inseguranças e a ansiedade gerada pela comparação constante. 
  • Vínculos reais: encontros com amigos e tempo de qualidade com a família. 
  • Atenção plena: ajuda a trazer o foco para o momento presente, reduzindo o impulso de checar o celular, por exemplo. 
  • Autoestima: Reconhecer suas conquistas, valorizar quem você é e praticar a autocompaixão. 

Além disso, é preciso estabelecer alguns limites e praticar o autocuidado diariamente, promovendo uma relação mais saudável com a tecnologia. Por exemplo: 

  • Definindo limites para o uso das redes sociais e silenciando notificações; 
  • Incluindo momentos de prazer, exercícios físicos e passeios na rotina; 
  • Valorizando os momentos no presente, evitando comparações; 
  • Desconectando sem pensar no que poderia estar perdendo; 
  • Escolhendo consumir conteúdos que fazem bem. 

O melhor é focar no Jomo! 

Assim como existe a sigla Fomo, surgiu também Jomo – Joy of Missing Out, que é exatamente o contrário de Fomo, ou seja, é a “Alegria de ficar de fora”.  

fomo

O Jomo surgiu como uma resposta contracultural e não apenas um simples desligar de celular. O termo está ligado a diversas práticas de produtividade, rotina, qualidade de vida e relacionamento, não se tratando apenas de ficar off-line, mas de aproveitar o momento presente.

Em seu livro The Joy of Missing Out, o professor de psicologia dinamarquês Svend Brinkmann faz um incentivo ao retorno das ideias antiquadas de contenção e moderação. “Optar por não participar e dizer não”, escreve ele, “são habilidades que nos faltam tanto como indivíduos quanto como sociedade”. 

Algumas formas simples de praticar o Jomo: 

  1. Priorize o que importa: escolha atividades alinhadas aos seus valores, como hobbies, leitura ou tempo com pessoas queridas. 
  1. Cultive a gratidão: registre pequenas alegrias do dia, reforçando a satisfação com o que você já tem, sem comparar com os outros. 
  1. Abrace o ócio criativo: reserve momentos para simplesmente não fazer nada, deixando a mente descansar e as ideias fluírem naturalmente. 
  1. Estabeleça limites saudáveis: aprenda a dizer “não” a convites ou tarefas que não trazem significado, preservando sua energia e tempo. 

Em um mundo cada vez mais conectado, o Fomo pode minar o bem-estar emocional e a produtividade. Reconhecer esse comportamento é o primeiro passo para retomar o controle. Ao cultivar presença e propósito, é possível transformar a comparação em inspiração e assim, deixando de viver para acompanhar tudo e passando a viver o que é essencial.  

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Publicitária com 20 anos de experiência em Comunicação. Redatora por amor. Apaixonada por livros, cultura e muitas viagens por esse mundão à fora.
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