Houve uma época em que eu acreditava que a tranquilidade financeira viria quando “ganhasse mais”. Eu repetia essa frase como um mantra: “Quando conquistar mais dinheiro, quando tiver uma renda mensal de X reais, aí sim vou ter tranquilidade e liberdade financeira”. Mas o tempo passou, a renda aumentou, e depois de oscilações e alguns sustos no meio do caminho, aprendi que a liberdade financeira se conquista cuidando do fluxo de dinheiro e ampliando o olhar para perceber novas possibilidades, novas práticas e para enxergar melhor o que já se tem.
Lembro com nitidez de um dia em que o Léo, meu marido, e eu sentamos para escrever as 10 coisas que eram realmente importantes em nosso dia a dia. Foi uma experiência incrível porque entraram na lista coisas como: banho de chuveiro com ducha forte e quente, cama confortável e macia, comida saudável e saborosa, condições de pagar por bons médicos e remédios… foi como um clique. Naquela hora, percebemos que estávamos correndo atrás do dinheiro e gastando em coisas que não eram as que valorizávamos. Estávamos no automático, seguindo padrões, desperdiçando, sem pensar e sem planejar a NOSSA VIDA.
Esse foi um dos passos que nos fez entender que a gratidão é uma lente que muda tudo, inclusive a forma como lidamos com o dinheiro. Ela desacelera o impulso de se comparar, reduz o desejo de consumir e nos lembra que abundância não é sinônimo de excesso.
Com o tempo, fomos readequando hábitos, repensando valores, estabelecendo metas e testamos muitas práticas. As pessoas ao redor questionavam alguns comportamentos: Vocês não vão comprar o segundo carro? Não vão financiar a compra da casa própria? Vão aproveitar o berço e roupinhas de bebê de amigos?
Tínhamos uma estratégia, estávamos focados colocando o máximo de dinheiro possível em investimentos, comprando terrenos, consórcios… para fazer o dinheiro trabalhar para nós. Queríamos construir liberdade de tempo e liberdade de consumo. Nessa época eu já não precisava comprar coisas para mostrar aos outros o meu valor, e isso foi uma parte fundamental da liberdade que conquistamos.
Somos treinados para nos comparar, reclamar e correr atrás do que falta, aprendemos a ver escassez, mesmo tendo muito. Descobri que quando celebramos o que temos e o que somos, usufruímos melhor do dinheiro e passamos a fazer melhores escolhas.
Nossa casa se tornou um “laboratório de finanças”. Estamos sempre questionando padrões, fazendo perguntas, desenhando cenários, experimentando ter mais, ter menos e avaliando os impactos de tudo isso. A partir desse espaço nasceram decisões mais sustentáveis, menos reativas e mais alinhadas com nossos valores. Passamos a aprender e a compartilhar aprendizados financeiros com milhares de pessoas.
Convido você a exercitar esse olhar para mapear e buscar estabelecer o SEU SUFICIENTE. É um processo, é dinâmico, as necessidades e os desejos vão mudando ao longo do tempo. De repente, o dinheiro deixa de ser um vilão e volta a ser o que sempre deveria ser: um meio, não um fim.
Quando as famílias incorporam esse olhar, algo poderoso acontece. As conversas sobre dinheiro deixam de gerar tensão e passam a gerar oportunidades. Os filhos entendem que o dinheiro está a serviço, que é fundamental evitar desperdícios e guardar sempre uma parte. Cria-se o hábito de aprender a investir e usar o dinheiro novo, fruto do dinheiro trabalhando, para pagar pelos sonhos maiores.
Cada dia mais, acredito que o caminho para a liberdade financeira está na disciplina e na capacidade de encontrar o suficiente, mesmo em movimento. Gratidão não é conformismo, é clareza. Ela nos ajuda a ver o que já está dando certo, e a planejar o próximo passo com mais leveza. Até a próxima!








