Nos últimos anos, tenho sentido uma inquietação que não me deixa em paz. Um incômodo que cresce cada vez que vejo pessoas, e até crianças, sendo expostas, exploradas ou feridas em nome de algo que deveria ser apenas um recurso: o dinheiro.
É verdade que o dinheiro é necessário. Ele move o dia a dia, compra comida, paga remédio, viabiliza sonhos, mas quando ele começa a comandar tudo, quando se torna o fim e não o meio, corremos um risco silencioso e perigoso: perder o que temos de mais valioso.
A pergunta que não sai da minha cabeça é: “Estamos trocando o que importa… por dinheiro?”
É natural buscar mais renda, especialmente quando as contas não fecham. E, por favor, isso não é um julgamento. Eu sei o que é sentir aperto, medo, frustração e insegurança. O Léo e eu já passamos por isso, mas o que tenho visto vai além do esforço saudável por dignidade.
Estamos presenciando, cada vez mais:
- pessoas que aceitam qualquer trabalho, mesmo que vá contra seus valores;
- desvio de verbas para benefício próprio em instituições públicas e privadas;
- pessoas de todas as idades sendo transformadas em produtos nas redes sociais;
- famílias sendo destruídas pelo envolvimento com jogos financeiros e “bets”;
- comportamentos focados no enriquecimento, sem ética nem responsabilidade.
Isso tudo é muito perigoso! Quando tudo vira moeda de troca, passamos a negociar nossa saúde física, mental e emocional, nossa família, nossos relacionamentos, nossa paz…
E, como colocar o dinheiro no lugar certo?
Se tem uma coisa que aprendi nesses 17 anos de prática com Educação Financeira Comportamental, é que o problema financeiro raramente é só falta de dinheiro. Já prestamos atendimento financeiro para bancários, empresários, dentistas, servidores públicos com salários altos — mas com dívidas, angústias e relações adoecidas.
O que muda o jogo, de verdade, são três pilares:
Comportamento: nossos hábitos e ações diárias;
Mentalidade: o que acreditamos e sentimos sobre dinheiro, trabalho, consumo, investimentos;
Repertório: o quanto conhecemos e sabemos usar o dinheiro com estratégia e propósito.
Construir uma vida financeira saudável, sustentável e próspera com o dinheiro passa por autoconhecimento, reflexões, questionamentos, compreensão do que é realmente valioso e suficiente. É um processo contínuo e quanto mais cedo começar, melhor! Por isso, temos um Programa específico para escolas.
Na Oficina das Finanças, tomamos uma decisão libertadora! Não fazer qualquer coisa por dinheiro e incentivamos sempre essa prática. Nosso critério é simples (e poderoso): ética como limite de ganho. Isso significa colocar os valores acima do dinheiro e poder dizer não a propostas desalinhadas a eles.
Se seu filho está aprendendo sobre dinheiro com a gente na escola, essa é uma chance linda de fortalecer esse aprendizado dentro de casa. Conversem sobre o que realmente importa. Revisem juntos os gastos. Transformem o orçamento em uma ferramenta de bem-estar, e não de estresse. Envolvam as crianças nas decisões. Ensinem que nem tudo o que dá lucro vale a pena.
Acredite, isso vai muito além do dinheiro e você também pode fazer parte dessa transFORMAÇÃO. Até a próxima!








