Eduque seu filho para ganhar dinheiro com propósito, usar com sabedoria e gerar valor ao longo da vida.
Você confiaria que seu filho soubesse andar de bicicleta sem nunca ter subido nela? Provavelmente não. Antes, você seguraria firme no banco, correria ao lado dele, deixaria que desequilibrasse e levantasse, até que, com prática, ganhasse confiança para seguir sozinho.
Aprender a lidar com dinheiro funciona exatamente assim: não basta falar sobre finanças, é preciso permitir que a criança experimente, erre, aprenda e, aos poucos, ganhe autonomia.
O grande erro de muitos pais é acreditar que a educação financeira só começa na adolescência ou na vida adulta, quando surgem as primeiras contas ou o primeiro emprego. Mas a ciência mostra o contrário.
De acordo com um estudo da Universidade de Cambridge, os hábitos financeiros começam a se formar até os sete anos de idade.
Ou seja: deixar para depois é, na prática, entregar seu filho despreparado ao mundo financeiro, onde ele terá de tomar decisões importantes sem nunca ter praticado.
Por que começar a gerir dinheiro cedo?
Apesar de estarmos imersos em um mundo digital, onde pagamentos são feitos por aproximação e compras acontecem com um clique, as crianças e jovens não participam ativamente desses processos.
Eles observam os pais utilizando cartões bancários, sacando dinheiro em caixas eletrônicos e realizando transferências online, mas raramente têm a oportunidade de aprender a gerir o próprio dinheiro de forma prática e responsável.
Isso cria uma geração hiperconectada, mas muitas vezes financeiramente insegura.
O cenário atual: Geração Z conectada, mas vulnerável financeiramente
Segundo pesquisa recente da CNDL e do SPC Brasil, em parceria com o Sebrae (2023), quase metade dos jovens de 18 a 24 anos (47%) não realiza o controle das próprias finanças.
As justificativas variam:
- Não sabem como fazer (19%);
- Falta de hábito ou disciplina (18%);
- Preguiça (18%);
- Não possuem rendimentos (16%).
Por outro lado, chama a atenção que, embora extremamente conectados, 26% ainda utilizam bloquinho de papel para organizar o orçamento. Isso evidencia que não é a tecnologia que forma bons hábitos financeiros, mas a prática, a orientação e o exemplo.
Além disso, o estudo revela que 78% dos jovens possuem alguma fonte de renda — sendo:
- 36% com carteira assinada;
- 23% em trabalhos informais.
E mais: 65% contribuem para o sustento da casa, assumindo despesas significativas como:
- Alimentação (51%);
- Roupas e acessórios (43%);
- Produtos de higiene (34%);
- Serviços como internet ou TV por assinatura (31%);
- Contas de água e luz (27%).
Apesar de movimentarem dinheiro, 52% ainda guardam de forma pouco estratégica:
- 53% na poupança;
- 25% em casa;
- 20% na conta corrente.
Ou seja: sabem ganhar dinheiro, mas ainda não sabem planejar nem investir adequadamente.
Como ajudar seu filho a usar, gerar e ganhar dinheiro com responsabilidade?
1. Ensine-o a usar: praticando a gestão e a escolha
Assim como andar de bicicleta, usar dinheiro exige tentativa, erro e prática. Você pode dar dinheiro esporadicamente. Se você optar por oferecer uma mesada ou semanada, evite o recebimento automático: vincule-o a alguns comportamentos.
Proposta prática: crie uma lista de tarefas ou objetivos — como leitura, lavar o carro, reduzir a conta de energia, fazer o levantamento do que está acabando, montar a lista, pesquisar preços on-line para contribuir com as compras de supermercado… Evite incluir tarefas que julgue ser obrigatórias para quem vive em comunidade como: arrumar o quarto, ajudar a preparar uma refeição, cuidar de um pet ou organizar materiais escolares. Lembre-se que você está educando os comportamentos . Ao cumprir cada objetivo estabelecido, seu filho pode receber dinheiro proporcional ao esforço ou à importância da atividade.
Esse modelo ensina, na prática, que o dinheiro é fruto de ações e responsabilidade. Além disso, promove valores como organização, disciplina e autonomia.
Também é importante orientar seu filho nos gastos e no planejamento futuro. Mostre a ele que é possível:
- Gastar com aquilo que necessita ou deseja, avaliando sempre as prioridades;
- Guardar para diferentes objetivos futuros;
- Guardar para imprevistos;
- Ganhar dinheiro com investimentos;
- Doar para ajudar quem precisa ou apoiar uma causa.
Esse exercício cria uma base sólida, promovendo o entendimento de que o dinheiro serve a diversos propósitos e precisa ser usado com inteligência, responsabilidade e ética.
2. Estimule-o a gerar: desenvolvendo a criatividade e o empreendedorismo
O perfil empreendedor já está presente nos jovens brasileiros: o Global Entrepreneurship Monitor (2023) coloca o Brasil entre as 10 nações mais empreendedoras do mundo.
Estimule que seu filho se envolva em pequenas iniciativas:
- Vender ou trocar brinquedos, roupas e itens que deixaram de ser prioridade;
- Organizar bazares físicos e on-line, por exemplo, whastapp;
- Vender produtos feitos por ele;
- Prestar serviços para vizinhos e parentes(lavar carro, passear com pet…)
Isso o ajuda a perceber que gerar dinheiro é fruto de esforço, inovação e capacidade de solucionar problemas. Avalie as possibilidades que estejam alinhadas aos valores da família, realidade e idade da criança.
Gerar dinheiro é resultado de trabalho e competência, não de sorte ou acaso. Mostre isso ao seu filho, reconhecendo suas pequenas conquistas e incentivando que associe ganhos financeiros a valores como esforço, ética e colaboração.
Mas cuidado: nem toda tarefa precisa ser remunerada. Algumas devem ser realizadas pelo bem coletivo da família, desenvolvendo também o senso de responsabilidade e solidariedade.
Educação financeira não é para depois. É para agora.
Esperar que seu filho aprenda a lidar com dinheiro sozinho é tão arriscado quanto soltá-lo numa rua movimentada sem antes ensinar a atravessar.
A infância é o melhor momento para começar:
- Aos 3 anos, ele já pode praticar esperar, escolher entre dois objetos, brinquedos, alimentos, roupas — aprendendo sobre escolhas e limites.
- Aos 6 anos, pode começar a compreender o valor das coisas.
- Aos 10 anos, pode experimentar gerar sua própria renda, ainda que de forma simbólica.
o valor e as tarefas conforme a idade, maturidade e contexto da sua família. Para crianças pequenas, atividades mais simples; para adolescentes, tarefas que exigem mais comprometimento.
Ferramentas que ajudam na prática
1. Livros infantis sobre finanças:

Sustentabilidade financeira – com crianças – Autor(a): Carolina Ligocki
Livro de atividades em família, Educação Financeira Comportamental, para formar crianças fluentes na linguagem do dinheiro, agindo com ética, empreendedorismo, cidadania, cooperativismo e responsabilidade social, previdenciária e ambiental.

De pouquinho em pouquinho, se faz muitão – Autor(a): Carolina Ligocki
É um livro interativo composto por uma história, uma sessão mão na massa com fantoches e atividades, além de acesso à vídeos e serviços de educação financeira para a família, por meio de código exclusivo. Traz uma história leve, colorida e instigante, protagonizada pela Rebeca, cheia de aprendizados sobre o processo de realização, o tempo que é necessário esperar e a importância da persistência, consistência e colaboração nas ações diárias. Traz reflexões e aprendizados sobre a natureza, família, rotina, organização, colaboração, persistência, relacionamentos, alimentação.

Achado não é roubado – Autor(a): Nathalia Immisch
É um livro interativo, o leitor se coloca na situação dos personagens, toma decisões que fazem com que a história tenha diferentes finais. Dá, inclusive, oportunidade para que crie e escreva o seu próprio final. Os irmãos protagonistas Gastão e Maria Pratinha encontram um misterioso saco de moedas douradas e imaginaram o que poderiam fazer com tanto dinheiro. É preciso ter cuidado! Toda escolha levará a uma consequência e a um desfecho diferente.
2. Jogos de tabuleiro:
Monopoly, Banco Imobiliário.

3. Apps educativos:
FluxoGRANA, jogo educativo na AppleStore e GooglePlay, Jogo de perguntas comportamentais na Alexa, basta dizer: “Alexa, abrir Oficina das Finanças”; ; nextJoy, do Bradesco; Conta Kids – Banco Inter; Blu by BS2.
4. Oficinas escolares para o Ensino Básico:
Educar para a liberdade, não para o medo
O objetivo da educação financeira não é criar crianças obcecadas por dinheiro, mas cidadãos livres, conscientes e responsáveis para tomar boas decisões.
Como disse Warren Buffett: “Ensinar seus filhos sobre dinheiro é um dos legados mais importantes que você pode deixar.”
Seu filho pode — e deve — usar, gerar e ganhar dinheiro com responsabilidade. E essa jornada começa com você.
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