Na vida temos muitos “de repentes”, alguns bons e outros não tão bons. Os de repentes bons, lidamos com o coração repleto de alegria e contentamento, conseguimos ver merecimentos, às vezes, até mesmo onde não tem, mas seguimos a vida de maneira tranquila e em paz. Portanto, sobre esse “de repente” não tenho muitos motivos para aqui escrever sobre, pois todos já temos ideia do que fazer de forma muito fácil e natural.
A questão pega mesmo quando acontece os “de repentes” ruins. Principalmente aqueles que vem em momentos em que tudo ao nosso redor está dando certo e funcionando bem, há algum tempo li sobre um noivo que faleceu em sua festa de casamento, por um acidente “bobo”; caiu sobre um copo que estava em seu bolso e este cortou uma veia importante que o levou a óbito.
No ano passado, um noivo faleceu em decorrência de um atropelamento logo após sua festa de casamento. Estes são apenas dois exemplos destas surpresas que muitas vezes a vida nos promove. Eu não sei por quantos “de repente” ruim você já passou, mas se você já tem mais de 20 anos, possivelmente algum você já teve. E nem sempre lidar com este “de repente” é fácil e leve. Mas se não soubermos usar bem nossos recursos internos, corremos o risco de ficarmos presos às consequências destes fatos por um longo tempo.
O que você fez quando seu “de repente” aconteceu?
Eu gostaria de agora estar tomando um café com você e ouvindo sua história e como você lidou. Como nestas duas histórias contadas acima, fico imaginando a vida destas noivas que perderam seus noivos no dia mais importante talvez da vida delas, quantas expectativas haviam por trás daquele momento, afinal, era o início de um novo ciclo em suas vidas, quanto tempo esperaram por ele, não sei a idade que elas tinham, mas existem mulheres que sonham com seus casamentos desde a adolescência, e quando acontece a realização do sonho, num “de repente”, vê toda sua projeção se esvaindo diante dos seus olhos, no momento mais inesperado.
Casos também de mulheres que sonham com seu bebê e num “de repente”, a gestação inteira caminhando bem, e quando chega o momento do nascimento, este não acontece como esperado, e elas partem para suas casas com seus braços vazios, que dor terrível.
Infelizmente este “de repente” faz parte da vida. E precisamos aprender a lidar com eles, e encontrarmos saídas saudáveis para continuarmos seguindo a vida e na vida apesar de. Fácil, claro que não é, mas é necessário.
Viktor Frankl, um famoso escritor que sobreviveu aos campos de concentração nazista, e que escreveu livros importantes, como o Em Busca de Sentido, onde ele relata como eram os dias no campo de concentração e como ele fazia para manter sua saúde mental, nos ensina muito sobre a lidar com os “de repente” da vida, e em uma de suas frases famosas ele diz: – “Quando não podemos mudar uma situação, somos desafiados a mudar a nós mesmos.”
O que fazer quando o “de repente” nos acontece?
Se pudéssemos escolher algo na vida, com certeza seria não ter que lidar com situações ruins e principalmente inesperadas. Mas fato é que não temos esse poder de fazer essa escolha, então o que nos resta é aprender a lidar com tais situações, a fim de que aquilo que está ruim não fique ainda pior.
Como na frase de Viktor Frankl, precisamos aceitar o desafio da vida de nos modificarmos frente à situação. Obviamente que não é não vivermos a dor que o momento traz, mas sentirmos a dor e encontrarmos recursos para passarmos por ela e não nos prendermos nela. Percebe a diferença? Não podemos ficar na dor!
A vida nos pede pra seguirmos, como diz Guimarães Rosa, “O que a vida quer da gente é coragem”. Coragem para encarar os “de repente”!
Seguem algumas sugestões de como enfrentar “O de Repente” ruim:
- Chore: Expressar emoções faz parte do processo. E é saudável a manifestação do que se está sentindo no momento, as lágrimas fazem o papel que muitas vezes as palavras não dão conta de expressar.
- Aceitação: Eu costumo dizer que um dos ditados populares mais reais, que mais faz sentido é o “aceita que dói menos”. Como pra mim isso faz sentido! Enquanto estamos na negação, parece que postergamos a solução da situação, ou mesmo a tornamos impossível de ser resolvida. Afinal, ao negarmos o fato, como lidaremos com ele de maneira adequada e exequível? Então aceite, diga pra si mesmo, – “Sim, tal fato aconteceu, infelizmente isso veio sobre mim, e eu preciso aceitar. Aceitar que não há nada que eu possa fazer para que seja diferente do que está posto. Aconteceu o que eu não queria, e a mim cabe aceitar.”
- Viver o Luto: Luto não é apenas quando alguém morre que podemos vivê-lo. Toda perda, imprimi em nós o sentimento de luto, ficamos de alguma forma quebrados, entristecidos, consternados. E em todo luto, precisamos nos recolher, tirar um tempo para sofrermos e olharmos para a dor, darmos a ela o seu devido lugar. Nos permitir refletir sobre a perda, sobre o momento ruim e entristecer.
- Ressignificar: Significa dar um novo sentido ao que estamos vivendo. Buscar uma nova função, um novo valor. Em muitas histórias de dor, os envolvidos conseguem encontrar um sentido para sua existência, para continuarem seguindo a vida e na vida, ajudando pessoas a lidarem com a mesma dor pela qual passaram, estas pessoas conseguiram lidar com seus “de repente” e saírem deles muito mais humanas e fortes do que antes, muitas encontram o verdadeiro sentido de suas vidas e conseguem ser ainda mais felizes do que antes da fatalidade que lhes atravessou o caminho.
Como eu disse anteriormente, ninguém quer passar pelo “de repente” ruim, mas ele existe e acontece em nossas vidas. E como sendo algo da vida, devemos aprender a lidar com ele, de forma que caso e quando ele nos atravessar o caminho, seja apenas uma pausa e não uma desistência da vida. Não permita que momentos ruins e difíceis te impeçam de continuar vivendo, sorrindo e sonhando. Toda tempestade tem seu fim!
O sol sempre volta a surgir! Portanto, continue seguindo, caminhando, se a caminhada estiver muito pesada, se você não estiver conseguindo passar pelas fases descritas acima sozinho, peça ajuda. Ninguém nunca está totalmente sozinho, existem pessoas que podem e querem te ajudar, mesmo que sejam profissionais da saúde.
Por isso, não desista nunca, peça ajuda sempre que precisar, sempre que achar que não consegue. O “de repente” não é o fim, ele pode ser o começo de uma nova história surpreendente, da qual você ainda terá muito orgulho de contar! Um super abraço em você!
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