A memória auditiva pode ser o segredo para o sucesso escolar das crianças! Saiba como ela afeta a leitura, a escrita e muito mais!
Por trás da capacidade de aprender, existe um tipo de memória que, talvez, você nem tenha notado tanto: estamos falando da memória auditiva. Ela é a responsável por auxiliar as crianças a reter e organizar as informações que ouvem, desempenhando um importante papel no desenvolvimento da linguagem, do raciocínio e até na resolução de problemas no futuro.
Parece simples, mas o modo como uma criança lida com os sons e as palavras influencia diretamente o seu desenvolvimento cognitivo e a capacidade de aprender de maneira geral. O mais interessante é que existem diversas maneiras de ajudar uma criança a melhorar essa habilidade, sem ser algo entediante ou difícil.
Para entender mais sobre esse assunto, continue a leitura e tire suas dúvidas!
O que significa memória auditiva e como funciona?
A memória auditiva se refere à capacidade do cérebro para armazenar e lembrar sons, palavras, músicas e outros estímulos percebidos pelo ouvido. A maneira como funciona é bem simples: assim que você escuta algo, o cérebro processa esse som e o armazena para lembrá-lo com facilidade em outro momento.
Para ativar esse tipo de memória, não é necessário visualizar nada, o que conta mesmo são os sons. Dessa forma, se você já conseguiu lembrar de uma música que tocou na sua cabeça ou conseguiu reconhecer a voz de alguém mesmo sem olhar para ela, já usou a sua memória auditiva sem perceber.
Quais são os problemas relacionados a ter uma memória auditiva ruim?
São vários os problemas que surgem quando nossa capacidade de recordar sons e palavras não funciona da melhor forma. Vamos falar sobre alguns deles.
Dificuldades no processo de aprendizagem
A memória auditiva é uma das ferramentas para o processo de aprendizagem verbal. Quando ela está enfraquecida, a assimilação de conteúdos transmitidos de forma falada — como palestras, aulas ou discussões em grupo — se torna prejudicada.
Nesse sentido, um estudo de 2021 investigou como a memória auditiva afeta o aprendizado em crianças com implantes cocleares (ICs) e comparou com aquelas com audição normal (NH).
Os resultados desse estudo revelaram que as crianças com ICs apresentaram déficits significativos na memória de trabalho, particularmente no que diz respeito ao armazenamento e processamento de informações verbais.
A memória de trabalho verbal é necessária para realizar tarefas como lembrar instruções, entender conceitos falados ou acompanhar explicações em sala de aula. Quando não funciona bem, o aprendizado verbal fica comprometido.
Reconhecimento prejudicado de sons familiares
Se a capacidade de reconhecer esses sons diminui, o indivíduo pode se sentir desorientado em situações cotidianas, como ao tentar identificar a voz de um amigo em um local movimentado ou ao perceber um alarme, ou notificação importante.
A falha na identificação de sons conhecidos pode prejudicar a resposta imediata de uma pessoa e torná-la mais suscetível a perder informações no ambiente ao seu redor.
Frustração e comprometimento da confiança cognitiva
Há algo que acontece com quem lida com uma memória auditiva deficiente: uma sensação persistente de frustração, como se fosse mais difícil se conectar ao que está sendo dito ao mundo ao redor.
Se o cérebro não consegue processar e armazenar as informações sonoras da forma correta, a confiança nas próprias capacidades cognitivas começa a diminuir. Assim, o sentimento de inadequação pode se expandir para outras áreas da vida, criando um círculo vicioso de autossabotagem.
Quando isso ocorre, as pessoas acabam se evitando participar de discussões ou de atividades que dependem da audição, temendo mais uma vez a incapacidade de processar o que é dito.
Como avaliar a memória auditiva da criança?
Para uma análise completa, é importante contar com um especialista em neurologia, profissional capacitado para dar as orientações certas. Ele pode realizar uma avaliação neuropsicológica, que consiste em um conjunto de testes aprofundados para entender como o cérebro lida com a informação auditiva.
Mas, se você está só curioso para saber como está a memória auditiva do seu filho ou deseja fazer alguns testes iniciais, existem alguns métodos simples que podem ajudar bastante. Explicaremos alguns deles, a seguir.
Teste da sequência de números ou palavras
Esse é bem simples e ótimo para começar! A ideia é falar uma sequência de números ou palavras, e depois a criança tentar repetir exatamente o que ouviu. Comece com três ou quatro palavras e vá aumentando aos poucos, conforme a criança for acertando.
Veja como funciona:
- fale uma sequência de 3 a 4 números ou palavras;
- a criança deve repetir exatamente o que foi dito;
- aumente a quantidade de palavras ou números à medida que ela for acertando.
Se ela conseguir repetir sem dificuldade, ótimo! Isso significa que a memória auditiva da criança está funcionando bem. Mas, se perceber que começa a esquecer algumas partes ou errar a ordem, pode ser um sinal de que a memória auditiva precisa de um pouco mais de treino.
Teste de atenção auditiva
Aqui, o objetivo é ver o quanto a criança consegue focar nas informações auditivas. Então, você pode contar uma história ou explicar algo e pedir para que ela tente relembrar os detalhes.
Como fazer esse teste:
- conte uma história ou explique algo à criança;
- após ouvir, ela deverá tentar lembrar o máximo de detalhes possível;
- além dos detalhes óbvios, a criança precisa lembrar também da sequência da história e conexão entre os eventos.
Caso a criança consiga lembrar de boa parte do que foi dito, fique tranquilo. Mas, se perceber que se perdeu no meio da história ou não lembra de muitos detalhes, talvez a memória auditiva dela esteja um pouco fragilizada.
Teste de repetição de sons
Esse exercício é bem interessante porque trabalha a capacidade de lembrar e reproduzir sons. Pode ser uma sequência de batidas ou até sons de instrumentos. A ideia é tentar imitar exatamente como foi ouvido.
Entenda como pode ser a dinâmica:
- crie uma sequência de sons ou batidas (pode ser com as mãos ou até com instrumentos);
- a criança deve imitar o som exatamente como foi feito;
- comece com sequências curtas e vá aumentando a complexidade à medida que ela for conseguindo.
Se a criança conseguir fazer isso sem problemas, é sinal de que a memória auditiva dela está boa. Mas, se tiver dificuldade em replicar o som, ou se os sons saírem trocados, isso pode indicar a necessidade de um melhor treinamento nesse sentido.
Para uma análise completa, é importante contar com um especialista em neurologia, profissional capacitado para dar as orientações certas. Ele pode realizar uma avaliação neuropsicológica, que consiste em um conjunto de testes aprofundados para entender como o cérebro lida com a informação auditiva.
Como estimular essa memória?
Existem várias formas de treinar e estimular a memória auditiva A boa notícia é que não é preciso fazer grandes sacrifícios para melhorar esse aspecto. Com alguns truques e hábitos diários, você pode fortalecer a memória auditiva do seu filho, de maneira prática:
- exercite a percepção auditiva da criança, identificando o máximo de sons que ela conseguir em diferentes ambientes;
- ouvir com atenção e foco vai ajudar a treinar a memória auditiva;
- peça para alguém falar uma lista de palavras ou números para a criança tentar repeti-los, ou até mesmo fazer isso de trás para frente;
- revise o que ela aprendeu durante o dia, estimulando-a lembrar dos detalhes após algum tempo;
- proporcione uma alimentação saudável, com alimentos ricos em ômega-3.
Como você pôde ver, é possível melhorar a capacidade da memória auditiva da criança por meio de exercícios específicos. Com o tempo, o cérebro consegue reter uma maior quantidade de informações sonoras e, ao mesmo tempo, facilitar a recordação desses sons em momentos necessários.
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