Família

O que aprendi com as minhas gatas 

Por Brenda Torres

Estimativa de leitura: 4min 41seg

28 de novembro de 2023

Ao conviver com duas gatinhas completamente diferentes, aprendi diversas lições sobre relacionamento, personalidade e a importância do espaço pessoal.

Eu convivo com duas gatas, a Bethânia de 9 anos e a Kali de 3 anos. Quando fui morar com minha companheira, ela já tinha a Bethânia há 5 anos, que não gostou de uma estranha invadindo o seu espaço espalhando seu cheiro por tudo quanto é canto.

Bethânia em seu banho de sol (arquivo pessoal).

No começo, eu tinha medo da Bethânia, porque ela tinha fama de gata arisca e briguenta, além de uma cara de pouquíssimos amigos. Lembro que, por vezes, se a Bethânia estava no corredor, passar por ali era uma espécie de batalha, ou eu me esquivava, ou era atacada.

Aos poucos, ela foi se adaptando com o fato de vivermos juntas. O tempo, a necessidade de permanecer em casa, vide a pandemia, e as minhas tentativas incessantes de me tornar amiga dela foram trazendo resultados.

Eu forcei até que a Bethânia cedeu. Mas, hoje, acredito que faltou um pouco de respeito da minha parte. Aqui era a casa dela. Os felinos possuem rotinas e são muito territorialistas. Eu não só “invadi” o espaço dela, como trouxe toda uma dinâmica diferente para a casa que compartilhamos e tomei um pouco da atenção que, até então, era só para ela.

Não contente, ainda resolvi adotar outra gatinha, a Kali, que chegou aqui em casa com um mês de vida. No começo, ficamos apavoradas com a reação que a Bethânia teria. Ela não gostou muito, como era esperado, mas para nossa surpresa, poucas semanas depois elas já estavam dividindo os mesmos espaços sem problema algum.

Bethânia e Kali em um cochilo conjunto (arquivo pessoal).

Anteriormente, Bethânia conviveu com uma pessoa que não gostava de gatos e a trancava em um cômodo da casa, além de ter sido desmamada muito cedo. Também descobrimos que ela tem um problema na coluna e que, às vezes, seu mau-humor é sinônimo de dor. Criamos um estereótipo, ou um contexto, para tentar entender melhor sua personalidade tão forte.

Antes, a Bethânia se escondia ou atacava sempre que alguém diferente aparecia por aqui. Uma amiga tem rancor até hoje dela porque a Bethânia a mordeu enquanto ela dormia. Com a chegada da Kali, eu senti que a Bethânia se tornou mais amigável. Na minha percepção, ao ver a Kali superconfortável comigo, ela entendeu que eu era de confiança e não faria mal a elas.

Estabelecer uma relação com um felino requer paciência e respeito. Já é sabido que gatos podem desenvolver laços afetivos com seus tutores, demonstrando afeto, proteção e cuidado.

Kali sendo Kali (arquivo pessoal).

Para a Kali não tem tempo ruim, sempre é hora de fuçar alguma coisa e comer alguma planta que ela não pode. Kali faz amizade com qualquer pessoa que aparece por aqui e de alguma forma ajudou a Bethânia a ser mais sociável. Elas brigam e não é sempre que estão juntas. Mas hoje, a Bethânia se sente mais confortável em dividir o mesmo espaço com pessoas que ela não conhece. Vez ou outra as duas dormem juntas, principalmente quando está frio e, pasmem, eu já consigo pegar a Bethânia no colo.

Eu aprendi e aprendo muito com as duas. A Kali não tem medo de nada, a não ser da chuva que a faz se esconder embaixo do fogão. Ela é companheira, até demais, e está sempre nos nossos pés. Sempre que eu espirro, ela mia como quem diz “saúde!”. Ela gosta de desbravar a casa e caçar todos os grilos que aparecem por aqui. Tadinhos, eu tento salvá-los, mas às vezes é tarde demais. A Bethânia, apesar de mais séria, é também a mais falante. Ela é intuitiva e prefere ter seu próprio espaço. Ela demonstra seu amor de um jeito não convencional com o “ron ron” mais alto da casa.

Com a Kali, eu aprendi sobre me importar menos, sobre não ter medo e ser amável de um jeito não convencional. Com a Bethânia, eu aprendi sobre dar espaço, ter paciência e confiar no tempo. A Kali me lembra a Princesa Caroço e a Bethânia me lembra a Marceline*.

Os gatos são mais sutis em suas interações. Entendi que o respeito mútuo é essencial nesse relacionamento. Os felinos no geral valorizam a autonomia e, ao respeitar seu espaço e tempo, fortalecemos nossos laços de confiança.

Cada gato possui uma personalidade própria, assim como nós humanos. Alguns são extrovertidos, curiosos e sociáveis, como a Kali, enquanto outros podem ser mais reservados e independentes, como a Bethânia.

Bethânia e Kali juntinhas na sacada (arquivo pessoal).

Conviver com gatas de personalidades distintas me ensinou a apreciar a diversidade delas. Assim como nós, elas têm sentimentos, preferências e reações individuais a diferentes estímulos. A convivência com as minhas gatas transformou-se em uma rica troca de experiências e aprendizado. Eu me tornei uma pessoa gateira que passa horas vendo vídeos de gatinhos na internet, que assiste a documentário sobre gatos e acha eles fascinantes.

*Princesa Caroço e Marceline são personagens da animação Hora de Aventura.

Jornalista que atua como Redatora. Vivências em Comunicação Interna, Roteiro e Marketing Digital. Curte fotografia, artesanato e tatuagem.
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