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Uso seguro da Internet: orientações para pais e professores no combate ao abuso infantil on-line 

Por FTD Educação

Estimativa de leitura: 8min 38seg

6 de maio de 2025

Entre jogos, vídeos e curtidas, há ameaças invisíveis. Promover o uso seguro da internet é o primeiro passo para proteger crianças e adolescentes. 

Imagine que seu filho ou aluno está sentado com o tablet, jogando ou assistindo a vídeos, aparentemente seguro dentro de casa ou da escola. Mas do outro lado da tela, alguém com más intenções pode estar observando cada movimento, esperando o momento certo para agir. 

Essa é uma realidade silenciosa, mas cada vez mais comum. O ambiente digital oferece oportunidades incríveis de aprendizado e conexão, mas também expõe crianças e adolescentes a riscos graves, como o assédio infantil nas redes sociais e a exploração sexual infantil na internet. 

Garantir o uso seguro da internet é um desafio que exige a participação ativa de toda a comunidade educativa – família e escola. Por isso, reunimos aqui orientações para pais e professores sobre segurança digital, para que possamos construir juntos um ambiente on-line mais seguro para nossas crianças e adolescentes. 

O que é abuso sexual infantil on-line? 

Para começar, é importante deixar claro que o abuso sexual infantil na internet ocorre de maneira sutil e pode ser cometido por adultos ou até mesmo outro menor. Isso inclui: 

  • Aliciamento (grooming): quando o abusador ganha a confiança da criança, geralmente, criando “amizade” e até oferecendo presentes para, posteriormente, explorar sexualmente; 
  • Troca de imagens íntimas: muitas vezes por meio de chantagem ou manipulação emocional; 
  • Live streaming de abuso: em que os agressores pagam para ver crianças sendo abusadas em tempo real; 
  • Compartilhamento de imagens de abuso e exploração infantil: aqui com agravante de vazamento até mesmo em grupos escolares, causando outros problemas sérios, por exemplo, o bullying.  

A maioria dos casos começa com interações aparentemente inofensivas, como curtidas em fotos, mensagens privadas e convites para jogar on-line. A criança, muitas vezes, não percebe que está sendo manipulada até já estar envolvida emocionalmente. 

Essa vulnerabilidade está diretamente ligada à curiosidade natural da idade, à busca por aceitação social e ao desejo de fazer parte de grupos. Além disso, muitos pais e professores ainda não dominam o universo digital com a mesma fluência que os estudantes, o que cria uma brecha perigosa na vigilância e compreensão. 

Segundo Bianco Orrico, responsável pelos atendimentos do Canal de Ajuda da SaferNet, o Helpline, “algumas das principais ameaças e riscos que as crianças e adolescentes podem enfrentar na Internet incluem acesso e exposição a conteúdos inapropriados, violentos ou extremistas, compartilhamento não autorizado de dados pessoais sensíveis para fins de consumo, cyberbullying, assédio, aliciamento e ameaça e divulgação de imagens íntimas”. 

Além disso, alertou para a pesquisa mais recente da TIC Kids Online 2024, que produz anualmente indicadores sobre oportunidades e riscos relacionados ao uso da internet por crianças e adolescentes, em que 29% dos participantes com idade entre 9 e 17 anos reportaram ter acontecido alguma coisa na internet que não gostaram, os ofenderam ou chatearam.  

Ambientes digitais que exigem atenção redobrada 

Plataformas de bate-papo e jogos on-line, como Roblox, Discord e Omegle, são ambientes onde esses criminosos se infiltram, fingindo ser crianças ou adolescentes.  

Redes sociais populares como TikTok, Instagram e até mesmo o YouTube também apresentam riscos, especialmente quando as contas são públicas. Nesses casos, crianças podem ser alvos de aliciadores que utilizam curtidas, comentários e mensagens privadas para estabelecer contato. O uso de vídeos e fotos, principalmente seguindo as chamadas “trends”, podem ser explorados por adultos mal-intencionados para obter mais conteúdo ou informações pessoais. 

Além disso, existem sites menos conhecidos, fóruns e plataformas de compartilhamento de arquivos que funcionam à margem da internet comum, muitas vezes hospedando material ilegal ou servindo como ponto de encontro para criminosos.  

Pais e professores precisam ter uma atuação ativa na orientação do uso da internet: explicar os riscos, acompanhar os conteúdos acessados e incentivar o diálogo constante sobre o que é visto e compartilhado no mundo digital. 

Dados alarmantes sobre abuso infantil on-line no Brasil 

Em  2024, a SaferNet Brasil, organização especializada em segurança digital, registrou 52.999 novas denúncias de imagens de abuso e exploração sexual infantil on-line. Esse número representa a 4ª maior marca desde que a central de atendimento da ONG iniciou o acompanhamento, em 2006. 

A pior delas foi em 2023, quando as novas denúncias deste mesmo tipo de crime foram contabilizadas em 71.867. 

Apesar da redução recente, não há motivos para celebração, os números refletem a crescente exposição de crianças e adolescentes a riscos no ambiente digital, destacando a necessidade urgente de medidas de proteção mais eficazes para o uso seguro da internet. 

Como família e escola podem garantir o uso seguro da internet 

Bianca Orrico também compartilhou dicas de como pais, responsáveis e professores podem contribuir para o uso seguro da internet por crianças e adolescentes. Para ela é fundamental que a conversa sobre segurança na Internet seja recorrente, sem precisar necessariamente que algo preocupante ocorra para iniciar esse diálogo. 

“Os mesmos cuidados que os pais e professores têm com o que acontece fora da internet, devem ter com o que acontece nesses ambientes. É importante primeiro dar espaço e escutar o que as crianças falam.  Às vezes os adultos querem logo dizer o que é certo ou não, ou emitem juízo de valores antes de ouvir o que crianças e adolescentes pensam, e isso pode prejudicar abertura para o diálogo. É importante que nessas conversas eles percebam que não precisam ter medo de contar o que estão vivenciando ou se algo der errado”. 

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Supervisão ativa: acompanhar o uso da internet é essencial para a segurança das crianças. 

Orientações para pais e responsáveis 

1. Educação desde cedo 

A idade sozinha não determina se uma criança pode usar a internet, por isso é preciso avaliar sua maturidade e habilidades digitais e evoluir a conversa conforme forem crescendo. 

2. Presença digital ativa 

Os pais não precisam ser experts em tecnologia, o importante é que promovam esse espaço para o diálogo e conheçam as ferramentas de controle parental, orientando sempre para o que fazer em situações de contato com desconhecidos, o que é inadequado para idade da criança e como reportar esses conteúdos ou outros conflitos que podem acontecer nestes ambientes. 

3. Ferramentas e aplicações de segurança 

Falando em controle parental, essas aplicações podem ajudar na presença ativa dos pais: Google Family Link, Apple Tempo de Uso  e Qustodio oferecem relatório de uso, localizador de dispositivo, histórico de acessos, filtro de conteúdo e muito mais. 

4. Estabelecer limites e combinados 

Desde cedo, é importante estabelecer regras claras, como: não compartilhar informações pessoais, pedir permissão antes de usar novos aplicativos ou clicar em links, e avisar sempre que algo estranho aparecer na tela. Mas lembre-se de que um combinado é feito por duas partes, ou seja, construa-os com seus filhos. Quando há diálogo, escuta e exemplo, a tecnologia deixa de ser um conflito e passa a ser uma oportunidade de conexão e confiança. 

Para educadores e gestores escolares: 

  1. Inclua temas como cidadania digital e privacidade nas aulas, adaptando a linguagem à faixa etária.  
  1. Incentive os alunos a refletirem sobre o que compartilham e com quem. 
  1. Fique atento a mudanças comportamentais que possam indicar exposição a conteúdos impróprios. 
  1. Trabalhe em parceria com as famílias e compartilhe informações sobre o uso seguro da internet. 
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A escola também tem um papel fundamental na Educação Digital desde os primeiros anos.

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Se acontecer, o que fazer? 

É fundamental saber identificar e agir diante de sinais de exploração sexual infantil na internet: 

  1. Sinais de perigo 

Alguns sinais que podem ser identificados são, além da mudança de comportamentos, o isolamento social, silêncio predominante, desconexão repentina com outras atividades, queda no desempenho escolar e mudança nos hábitos de alimentação ou sono, além de sintomas de ansiedade ou angústia, que podem ser externalizados de diferentes formas. 

  1. Aconteceu! E agora? 

Se você descobrir que seu filho ou aluno enviou uma foto íntima ou foi vítima de abuso online, o mais importante é manter a calma e garantir que ele se sinta seguro para conversar com você. Evite julgamentos ou broncas, a culpa nunca é da criança ou do adolescente. Escute com acolhimento e reforce que ele não está sozinho. Depois disso: interrompa o contato imediatamente, bloqueie e denuncie a plataforma e se possível o perfil do abusador. E como medida essencial, procure apoio psicológico para a vítima. 

  1. Como denunciar um abusador para além das redes? 

Você pode fazer denúncias anônimas e seguras através de canais como: 

  • SaferNet Brasil: www.safernet.org.br 
  • Delegacia da Polícia Civil (especializada em crimes cibernéticos) 
  • Disque 100 (Direitos Humanos) 
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Privacidade e proteção on-line: ensinar desde cedo é o melhor caminho para prevenir abusos. 

Conte com o apoio de campanhas educativas 

Além da atuação direta, é fundamental utilizar recursos de qualidade para apoiar o diálogo. A FTD Educação oferece campanhas como o “Defenda-se” e o “Monstros em Rede”, que trazem materiais educativos, vídeos e cartilhas voltadas à prevenção de abuso infantil on-line e à proteção infantil na internet. 

Para escolas, educadores e equipes pedagógicas há também o curso gratuito “Segurança Cidadania Digital em Sala de Aula” que está disponível no Avamec (plataforma do Ministério da Educação) e ajudará na aplicação dos conteúdos, recebendo um certificado ao concluir esta formação. 

Esses materiais são excelentes ferramentas tanto para uso em sala de aula quanto em casa, fortalecendo a parceria entre família e escola na construção de um ambiente digital mais seguro. 

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