Como muitos dos jovens, cheguei ao final do Ensino Médio com diversas dúvidas sobre o meu futuro. Confesso que a sensação geral era mais de medo do que motivação. Eu me perguntava: Como as pessoas fazem para ganhar a vida? Para ter sucesso? Como as pessoas conseguiam comprar um carro, um apartamento? Fazer uma vida? Eu não via ponte ou conexão entre o que aprendia na escola e minha vida pessoal, com meus amigos e o mundo dos adultos. Parecia um abismo intransponível. Na hora de escolher a profissão, isso se agravou, pois praticamente todas as opções que passavam por minha mente eram de alguma forma desincentivadas por professores e até familiares, com falas do tipo “Arquitetura é muito difícil e é preciso saber desenhar”, “Engenharia tem muita conta e você não é bom de exatas”, “Educação Física tem um mercado muito complicado”.
Paralelo a tudo isso, eu tinha meus sonhos, meus desejos. Por sempre fazer muito esporte acabei criando uma rede de muitos amigos, dos mais diversos, de todas as classes sociais. Na hora de decidir, então, a profissão, optei por um caminho que parecia mais seguro: prestei vestibular para Administração, que era a carreira do meu pai. Depois de alguns meses fui percebendo que aquele não era o meu lugar e houve um professor de Artes Marciais, Adriano Silva, que me fez uma pergunta inquietante, que mudou tudo.
Percebendo que eu tinha bom alongamento e energia física, ao final de um treino ele perguntou: “Você quer treinar para ser mais um aluno ou quer se tornar um campeão?” Acabei me sentindo tão animado com aquele convite, com o fato de ser visto por ele como um vencedor em potencial, que aceitei sua proposta de treinar todos os dias um tanto a mais para alcançar não mais resultados ordinários, comuns, mas sim chegar ao extraordinário, à minha excelência. Em 6 meses, me tornei o primeiro campeão brasileiro de Full Contact e isso mudou tudo para mim, pois, inclusive me encorajou a mudar de curso. E com essa atitude de campeão, enfrentar a área que lá no fundo eu queria, que era a Psicologia.
A leitura do livro A História Sem Fim também contribuiu, pois lá eu vi o protagonista Bastian indo em busca do resgate dos sonhos e das fantasias, das cores do mundo. Pela primeira vez, no ano seguinte, eu me senti realmente no meu lugar ao estudar o pensar, o sentir, o agir, o ser humano em sua plenitude. Na faculdade, tudo parecia muito óbvio e claro para mim. Ao final de minha formação, tive a sorte de conhecer a obra de Viktor Frankl por meio do livro Em Busca de Sentido, no qual ele mostra a importância do projeto de vida como fator de esperança e superação diante das situações mais adversas da vida.
Lembro-me de ter lido o livro de uma única vez e encontrar, com muita alegria, uma sensação de que minha vida ganhava um sentido todo diferente, pois percebi a minha missão, meu chamado interior. Como orientador educacional e depois como professor titular da cadeira de projeto de vida em um colégio particular em São Paulo, ministrei mais de duas décadas de aulas a partir de uma metodologia proprietária que eu mesmo ia criando de forma pragmática a partir de pesquisas cientificas e da práxis diária.
Até que, convicto dos resultados alcançados e com a certeza de que o trabalho merecia chegar a escolas do Brasil todo, procurei como parceiro a empresa Teenager Assessoria Profissional, que organizava eventos de orientação profissional, e em poucos segundos percebemos que poderíamos construir juntos uma nova história na Educação brasileira. A primeira turma de formação veio após uma palestra no TBC – Teatro Brasileiro de Comédia e contava com 12 escolas. Era tudo muito caseiro, o que muito nos orgulhava. Para a segunda turma, já avançamos muito, com mais recursos e com 32 escolas. Emociono-me de lembrar, pois foi tudo tão artesanal, realizado com o coração, que o que posso sentir ao lembrar de tudo isso é gratidão.
Esse é o sentimento que tenho à Silvana Pepe, que passou a integrar nosso time à medida em que o trabalho começou a se expandir e percebemos a necessidade de uma Pedagoga Sênior que mantivesse a qualidade dos trabalhos feitos.
Nossos corações e mentes se afinaram facilmente, o que já era uma amizade virou uma irmandade. Ganhamos nova tração, o trabalho se expandiu exponencialmente, até que em 2015 propus à FTD Educação esta caminhada conjunta que hoje chega literalmente em todos os cantos desse país. Os valores Maristas se consagram plenamente com a proposta de um projeto de vida comprometido com uma existência saudável, feliz e eficaz.
Aprendi nesses anos todos que sonhar é bom, mas realizar é o máximo! E, por isso, costumo dizer que me sinto um eterno guardião da certeza de que a vida vale a pena, a boa vida vale muito a pena!








