“Não digam que fui rebotalho, que vivi à margem da vida.
Digam que eu procurava trabalho, mas fui sempre preterida.
Digam ao povo brasileiro que meu sonho era ser escritora,
mas eu não tinha dinheiro para pagar uma editora”
Carolina de Jesus
A abordagem lúdica da literatura infantil, com uma linguagem divertida, leve e de acordo com o imaginário das crianças, ajuda na discussão de temas complexos. É o caso do respeito às diferenças e combate às desigualdades, preconceitos e, principalmente (no caso do Brasil), do racismo. Além deste objetivo fundamental, é possível também trabalhar a autoestima, fazendo com que as crianças possam crescer com mais independência e segurança.
Chegamos até aqui como nação construída de forma multicultural. Porém essa construção múltipla não nos livrou de experimentarmos desigualdades, violências, homofobia, misoginia e racismo. Assim, é nossa obrigação trabalhar desde cedo com as crianças valores que transformem nossa sociedade e, cada vez mais, eliminem estes comportamentos e sentimentos ruins.
Na infância se dá o auge de nosso processo de aprendizado. Tudo que convivemos e temos acesso passa a se constituir referencial na construção de nossas próprias ideias sobre o mundo. Por exemplo, as ideias de sociedade, família e relações com os outros e si mesmo. Todavia, as crianças ainda não conseguem filtrar o que lhes apresentam e não têm uma reflexão por si só em relação ao conteúdo que lhes é entregue. Ou seja, se é bom, ruim ou ainda, se existem outras possibilidades. É por isso que os pequenos precisam da tutoria e intermediação dos adultos, cujo papel é questionar e levar as crianças a pensar e refletir sobre os temas apresentados. Desta forma, quando a criança consome literatura infantil ou programas em que um padrão (de imagem ou comportamento) se repete, este padrão vai ser captado como verdade para ela. Será que é possível mudar este cenário?
A resposta é: com certeza! Vivemos num país tão diverso, tão rico, justamente por suas diferenças. Logo, não tem sentido que encontremos, representada na literatura, apenas uma pequena parcela de nossa sociedade. E isso se estende tanto no caso dos personagens quanto no caso dos autores desta literatura. Assim, é muito importante que, cada vez mais, possamos ter livros infantis com histórias que tragam protagonistas negros, bem como autores e autoras negras, de tal forma que todas as crianças poderão se identificar e construir visões de mundo mais realistas e amplas.
Na palestra “O perigo da história única”, que fez no Ted Talks, a autora nigeriana Chimamanda Adichie fala como a representatividade é importante e de como ela é fundamental para que não se apresente uma história única sobre lugares, povos e culturas. Em sua palestra, ela conta como se sentia quando era criança e lia nos contos de fadas onde as personagens eram sempre iguais: brancas, de olhos azuis e vivendo no frio, enquanto ela era negra e morava numa região muito quente. Isto expõe a necessidade da literatura (assim como todos os outros modais de comunicação) entregar uma visão ampla e eclética, ou seja, deixando de representar as histórias com um mesmo padrão recorrente. A literatura infantil, como fator gerador de identificação da criança, tem muito a contribuir na construção de sua identidade. Assim, no caso das crianças negras, é essencial que existam cada vez mais personagens principais negros.
Para Júlio Braz, quanto mais livros você lê, mais você é. Autor com mais de 160 obras publicadas (dentre elas Lendas Negras e Infância Roubada). Júlio é um dos autores mais requisitados nas escolas que procuram desenvolver um raciocínio crítico nas crianças, através da discussão dos temas atuais. Sempre que pode, está entre elas, buscando estimular o debate de questões sociais. Segundo o autor, um adulto questionador nasce de uma criança questionadora.
ALGUMAS OBRAS DE JÚLIO EMÍLIO BRAZ QUE COMPÕEM O ACERVO DA FTD EDUCAÇÃO
César, skatista dos bons, é dependente do álcool. O amigo Esquilo, também alcoólatra, morre em um acidente. Os outros amigos se afastam. Mas Dona Hilda tinha certeza de que a família e os AA conseguiriam trazer de volta seu filho César.
Sabia que o crack vicia em apenas algumas semanas? Convulsões, perda de memória, tentativa de suicídio, perda do desejo sexual são alguns dos sintomas provocados por essa poderosa droga. Angélica e as amigas, desconhecendo tais poderes, embarcaram nessa. Angélica consegue o apoio da família e do namorado, mas e as amigas? Será que toda família está preparada para receber um viciado?


Crianças que trabalham nos laranjais o dia inteiro, e ganham com a “panha” da laranja para ajudar no sustento da família. Como ir para a escola e continuar trabalhando? Quem explora o trabalho das crianças não quer nem saber. O sonho de Eli e Edi é ir para a escola, e a professora Joana aconselha que enfrentem a situação e retomem os estudos.
Por causa de um acidente com a moto, Tinho recebeu uma transfusão de sangue e, dois anos depois, descobriu que era portador de HIV. A reação da família, dos amigos, da namorada. As dificuldades, o preconceito e a disposição para enfrentar uma nova realidade.


Os conflitos vivenciados em um colégio por estudantes que não se respeitam em relação às crenças religiosas. Miriam é evangélica e motivo de gozação de Betina e suas amigas. Suzana é kardecista e, ao expor sua religiosidade, vira outro alvo de Betina e passa a ser discriminada por Miriam. Cris é de família católica não praticante, e começa a questionar a si e à sua mãe se elas não deveriam frequentar mais a igreja. Os desentendimentos chegam a tal ponto que a professora Teresa resolve tomar uma atitude.
Pouco ou nada se falou sobre a África para os jovens de hoje, afro-descendentes ou não. Para muitos a África ainda é um mistério ou, pior ainda, quando aparece nos noticiários, é como palco de terríveis guerras civis e epidemias. Mas a África é bem mais do que isso e este livro procura mostrar suas histórias e tradições, apresentando a todos seu folclore para assim, quem sabe, despertar outros tantos a escrever mais sobre esse continente.


Fael se destaca no futebol. Na escola, sofre bullying por ser negro. Amuado e abatido, Fael começa a acreditar que, se fosse de outra cor, não seria mais provocado pelos colegas e poderia ser feliz. Então, decide ir atrás de seu ídolo, apresentador de um programa de rádio, para conseguir o endereço de Michael Jackson e descobrir como o cantor fez para ficar branco. O que Fael não esperava descobrir é que seu idolo é cadeirante e muito feliz, independentemente de suas limitações físicas








