a importância do erro na infância
Família

A importância do erro na infância 

Por Brenda Torres

Estimativa de leitura: 6min 20seg

6 de agosto de 2025

Entenda como os pais podem transformar os equívocos cotidianos em oportunidades de crescimento emocional, autonomia e aprendizagem duradoura. 

Em um mundo que valoriza cada vez mais o desempenho, os resultados e a eficiência, o erro muitas vezes é visto como um obstáculo, ou até um fracasso.  

Essa visão, pode limitar uma das experiências mais ricas do desenvolvimento humano: aprender com os próprios erros. Afinal, errar faz parte de um processo de construção que envolve experimentação, tentativa e descoberta.  

Na infância, o erro não é apenas inevitável, ele é necessário. Desde os primeiros passos até as interações mais complexas com o mundo ao redor, a criança aprende justamente quando se permite errar e, a partir disso, tentar de novo.  

Neste artigo, vamos refletir sobre o papel do erro na educação das crianças, e como os pais podem lidar com os equívocos dos filhos de forma construtiva e encorajadora. 

Por que o erro é importante na Educação das crianças? 

Durante muito tempo, o erro foi encarado como sinal de desatenção, rebeldia ou falta de esforço. No entanto, alguns educadores, psicólogos e neurocientistas passaram a reconhecer o papel fundamental do erro no desenvolvimento cognitivo e emocional infantil. 

Errar, para a criança – e porque não para os adultos também – é parte do processo de tentativa, e o erro impulsiona o aprendizado. Em cada “erro”, há um convite à reflexão, à adaptação e à construção de novos caminhos. 

Essa abordagem é amplamente discutida na chamada pedagogia do erro, que defende o erro como etapa legítima do processo de aprendizagem, e não como algo a ser evitado ou punido.  

O impacto do erro no desenvolvimento emocional das crianças 

O erro tem valor cognitivo, emocional e social. Quando os adultos reagem de forma negativa aos erros das crianças, com críticas duras, punições ou rejeição, elas aprendem que falhar é perigoso e devem evitar riscos. Isso pode gerar medo, insegurança, baixa autoestima e até perfeccionismo. 

Por outro lado, quando os erros são acolhidos com escuta, paciência e orientação, a criança desenvolve habilidades fundamentais para a vida, como: 

  • Autoconfiança para tentar novamente; 
  • Persistência diante das frustrações; 
  • Autonomia para resolver problemas; 
  • Empatia com os erros dos outros; 
  • Capacidade de refletir sobre suas escolhas. 

O impacto do erro no desenvolvimento emocional das crianças está diretamente relacionado à forma como os adultos reagem a esses episódios. Por isso, é essencial que os pais adotem uma postura que valorize o processo e não apenas o resultado. 

Para Paulo Freire, “o erro é uma forma provisória do saber”. Nesse sentido, mais do que uma falha, podemos enxergar o erro como um passo legítimo na construção do conhecimento. E ao reconhecê-lo como parte do processo, abrimos espaço para que as crianças desenvolvam pensamento crítico, empatia e confiança para aprender. 

Erros na infância: oportunidades de aprendizado 

Em vez de evitar os erros, a Educação pode se beneficiar ao tratar os erros na infância como oportunidades de aprendizado. Isso exige uma mudança de mentalidade por parte dos adultos, que muitas vezes foram ensinados a associar o erro à punição e à vergonha. 

Como ensinar as crianças a lidarem com os erros? Com calma, escuta e orientação. Transformar os erros em aprendizado não significa romantizá-los ou ignorá-los, mas sim compreender o que eles ensinam.  

Quando a criança derruba um copo de vidro e o quebra, há uma chance de desenvolver senso de responsabilidade, cuidado e atenção. Quando ela erra na convivência com os colegas, há oportunidade para exercitar empatia, diálogo e reparação. 

Ajudá-las a identificar o que deu errado, pensar em alternativas e tentar novamente fortalecer tanto o raciocínio quanto a autogestão emocional. 

O erro e a formação da autonomia infantil 

Outro ponto importante é que o erro tem um papel essencial na formação da autonomia infantil.  

Quando os adultos intervêm o tempo todo para evitar que a criança erre, corrigindo imediatamente cada resposta errada ou evitando que ela tente algo novo com medo de frustração, acabam limitando seu protagonismo e sua autoconfiança. 

Permitir que a criança erre é confiar em sua capacidade de aprender. Isso significa dar espaço para que ela experimente, explore, se equivoque e aprenda com a experiência.  

Esse processo é fundamental para que ela se sinta segura em tomar decisões, resolver problemas e construir seu próprio caminho. 

Como os pais devem lidar com os erros dos filhos? 

Não existe uma única resposta correta, mas podemos responder esta pergunta com 5 práticas diárias que envolvem escuta, empatia e estímulo à reflexão.  

1. Evite julgamentos imediatos: frases como “você sempre faz isso errado” ou “isso é inadmissível” podem gerar vergonha e bloqueios emocionais. Prefira perguntas que convidam à reflexão, como “o que você acha que poderia ter feito diferente?” ou “o que você aprendeu com essa situação?”.  

2. Ofereça apoio, não punição: nem todo erro precisa de uma consequência punitiva. Muitas vezes, o melhor caminho é ajudar a criança a entender o que aconteceu e buscar uma forma de reparar ou tentar novamente. 

3. Compartilhe aprendizados sobre erros: mostre que todos erram, inclusive os adultos. Quando os pais falam sobre seus próprios erros e o que aprenderam com eles, criam um ambiente mais aberto e honesto em casa. 

4. Valorize o esforço, não apenas o resultado: elogiar a tentativa, a curiosidade e o empenho é mais eficaz do que focar só nos acertos. Isso incentiva a criança a continuar tentando, mesmo quando não obtém sucesso imediato. 

5. Crie um ambiente seguro para errar: a casa deve ser um espaço onde a criança se sinta segura para expressar dúvidas, inseguranças e equívocos sem medo de rejeição. 

O papel da escola e da família no acolhimento ao erro 

Pais e educadores precisam caminhar juntos na construção de uma cultura que valorize o erro como parte do processo.  

Na escola, isso pode se traduzir em práticas pedagógicas que incentivem a investigação e o pensamento crítico. Em casa, pode significar conversas abertas sobre frustrações e aprendizados, com escuta ativa e respeito pelo tempo de cada criança. 

Quando escola e família compartilham a mesma visão, a criança encontra coerência e segurança para crescer. Desenvolvimento infantil e o papel do erro são temas que se entrelaçam e exigem uma atuação conjunta entre todos que cuidam da formação das crianças. 

Conclusão: errar é aprender 

Ao reconhecer a importância do erro na educação das crianças, os pais oferecem algo muito maior do que um ensino pontual: oferecem uma base sólida para que os filhos se tornem pessoas conscientes e emocionalmente saudáveis. 

Errar não é o fim do caminho, é parte dele. Quando a criança aprende que pode errar, refletir e tentar de novo, ela desenvolve competências cognitivas e socioemocionais. 

Educar para o erro é, na verdade, educar para a vida. E, nesse processo, pais atentos e acolhedores fazem toda a diferença. 

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Jornalista que atua como Redatora. Vivências em Comunicação Interna, Roteiro e Marketing Digital. Curte fotografia, artesanato e tatuagem.
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