Com o estímulo certo, crianças autistas podem trabalhar suas habilidades no hiperfoco, resultando em um melhor aprendizado e mais inclusão dentro e fora das salas de aula.
O Transtorno do Espectro Autista é uma condição que afeta a capacidade de concentração das crianças. Porém, em contrapartida, com o estímulo certo, as crianças podem desenvolver episódios de hiperfoco em algumas tarefas específicas.
Entender as necessidades de cada estudante é essencial para promover um ambiente educacional mais inclusivo e justo, considerando que cada pessoa possui sua forma de compreender e absorver os conteúdos, assim como diferentes formas de estudar e aprender.
Ter um olhar atento para como cada criança interage com as atividades e seus colegas, é importante para desenvolver diferentes abordagens que possam contemplar as diversidades em sala de aula.
Dentro do Espectro Autista não é diferente. Como o TEA interfere na capacidade de concentração das crianças, é preciso inovar e testar as formas de introdução das atividades para que se entenda como cada aluno performa dentro do que é proposto.
Por isso, utilizar elementos lúdicos durante o processo é uma forma de despertar o interesse dessas crianças e entender como os responsáveis e educadores podem, juntos, estimular esses estudantes para potencializar seu hiperfoco.
Hiperfoco como caminho para diversidade e inclusão nas escolas

Um estudo realizado por Thais Almeida do Nascimento, que é Mestre em Agricultura Tropical e graduada em Licenciatura em Ciências Agrícolas, junto das pedagogas Valquíria Brommenschenkel Prommerchenkel e Maria Betânia Cavalcante Silva Santos, enfatiza a importância e a necessidade de uma abordagem colaborativa entre os espaços da sala de aula regular e o Atendimento Educacional Especializado.
“A inclusão da pessoa com deficiência no contexto educacional é necessária para superar desafios, incluindo a sua inserção na esfera social, econômica e política, bem como o respeito dos seus direitos ao longo da vida. No âmbito das determinações legais, indivíduos com o Transtorno do Espectro Autista (TEA) são classificados como pessoas com deficiência, conforme estabelecido pela Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com TEA (BRASIL, 2012). Crianças em idade escolar diagnosticadas com TEA têm direito assegurado à assistência educacional. Entretanto, é importante destacar que o ambiente escolar nem sempre está preparado para atender as necessidades desses alunos […]” destaca parte do estudo.
Durante a pesquisa foram realizadas algumas atividades lúdicas, divididas em três intervenções que duraram aproximadamente três aulas, para entender como cada criança atípica reagiria e lidaria com as propostas.
No documento de pesquisa, há um quadro com os resultados observados e suas principais vantagens. Dentre elas:
- >> Aprimoramento de habilidades visuais, cognitivas e coordenação motora fina.
- >> Leitura mais atrativa, melhora na formação das palavras e coordenação motora.
- >> Engajamento do aluno em atividades de forma divertida e exposição de conhecimentos.
“A combinação do hiperfoco com a ludicidade contribuiu para ampliação do conhecimento e para a promoção de uma aprendizagem significativa do aluno. […] Com a aplicação das atividades, percebeu-se que as ações possibilitaram ao aluno melhor compartilhamento de conhecimento e melhor aceitação da colaboração do outro para a execução das atividades, interações que possibilitaram-no atribuir significado às situações, assimilar formas de comportamento, emoção e raciocínio”, mostra o estudo.
Hiperfoco: Crianças autistas ganham festa de aniversário com o seu tema preferido
Recentemente viralizaram no antigo Twitter, atualmente chamado X, algumas fotos de aniversário de crianças autistas cujo tema escolhido foi seu hiperfoco. Dentre os temas, podemos ver marcas de shampoo, placas de trânsito, ônibus, entre outros assuntos curiosos e interessantes.
A página “Razões Para Acreditar”, no Instagram, publicou um vídeo emocionante com um pouco de cada festa e as reações das crianças ao verem seu tema favorito sendo abraçado e valorizado pela família em um momento tão importante para elas.
Acolher dentro de casa o hiperfoco das crianças atípicas e estimular que elas criem e desenvolvam suas habilidades em cima desses temas é fundamental para o processo de alfabetização, socialização e comunicação.
Uma vez que elas se sentem seguras para expressar seus interesses, a criatividade flui com mais naturalidade e é possível engajar de forma mais eficiente sua aprendizagem dentro e fora do ambiente escolar.
Livros da FTD para ler com as crianças atípicas
Em nosso e-commerce, o Lumisfera, você encontra uma variedade de livros que abordam temas como diversidade e inclusão, além de histórias emocionantes sobre crianças autistas ou clássicos adaptados para uma abordagem mais inclusiva. Separei para você uma lista com alguns livros da FTD que podem ser lidos para as crianças atípicas tanto dentro da sala de aula, como em casa, em um momento família.
As aventuras de um cão chamado Petit
Escrito pela autora Heloisa Prieto, a história narra a aventura de Petit, um cachorro pequeno que cresceu, contrariando o nome. Alice, sua dona, é uma garota muito inteligente, que adora desenhar e brincar no seu próprio mundo e também tem o hábito de balançar o corpo e prefere ficar horas sozinha a socializar. Quando os colegas de escola riem do jeito diferente de Alice, Petit se une com Olívia, a irmã mais velha de Alice, com a mãe das meninas e com a incrível vovó Lydia para colocar os pingos nos is. Is de inclusão e imaginação.
O Pequeno Príncipe – Clássicos ao meu alcance

Escrito por Antoine de Saint-Exupéry e Carlo Scatiglini, o livro faz parte da coleção “Clássicos ao meu alcance”, que reúne clássicos da literatura infantil com uma abordagem inédita no Brasil em parceria com o Centro de Estudos Erickson, trazendo histórias adaptadas para crianças com dificuldade de aprendizagem ou deficiência intelectual.
Um superamigo

Escrito por Nair de Medeiros Barbosa, o livro narra a história de um menino que tem um superamigo, um cachorrinho maluco que só vendo. A história é contada pela perspectiva do menino, e o texto é composto em letras maiúsculas, com especial cuidado com o espaço entre as letras, entre as palavras e entre as linhas, visando facilitar a leitura do leitor iniciante.
Entender que somos diferentes e coexistimos na sociedade, é fundamental para promover diariamente mais inclusão nos espaços que frequentamos, sejam eles educacionais ou não. Quando compreendemos as individualidades e respeitamos as diferenças, cultivamos nossa empatia e criamos espaços acolhedores para todos, em especial para aqueles que são historicamente excluídos, e quebramos um ciclo de ignorância e preconceito.








