Família

Como os pais podem ajudar a prevenir e tratar a obesidade na adolescência?

Por FTD Educação

Estimativa de leitura: 7min 25seg

29 de dezembro de 2025

A obesidade na adolescência não é apenas uma questão física, mas também emocional, exigindo abordagens multidisciplinares que considerem as necessidades individuais de cada jovem. Saiba mais!

A obesidade na adolescência é um problema crescente em todo o mundo, e o Brasil não está imune a essa tendência preocupante. Segundo levantamento da Observatório da Saúde na Infância (Fiocruz/Unifase) com base no sistema Sisvan-WEB, cerca de 31% dos adolescentes brasileiros estão com obesidade ou sobrepeso — quase o dobro da média global, 18 % para essa faixa etária.

Projeções do Atlas Mundial da Obesidade 2024 indicam que o Brasil pode chegar a 50% de crianças e adolescentes (5 a 19 anos) com obesidade ou sobrepeso em 2035, caso nada seja feito.

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) afirma que “cerca de 50% dos adolescentes com obesidade permanecerão acima do peso quando adultos, aumentando o risco de doenças crônicas”.

Com taxas de obesidade entre os jovens em constante aumento, é importante entender os perigos que essa condição pode representar e como os pais são fundamentais na prevenção e no tratamento dessa questão. Saiba mais em nosso post!

‎O que é considerado obesidade?

O Manual de Orientação sobre obesidade na infância e adolescência, publicado pela Sociedade Brasileira de Pediatria, esclarece que: “a obesidade é representada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal em extensão tal, que acarreta prejuízos à saúde dos indivíduos. A sua etiologia é multifatorial com interação entre fatores genéticos, metabólicos, nutricionais, psicossociais, ambientais e as mudanças no estilo de vida parecem estar envolvidas na sua gênese”.

Dessa forma, percebemos que a obesidade está associada a uma série de problemas de saúde, incluindo dislipidemia, hipertensão arterial, resistência à insulina e apneia do sono. Essas condições podem ter um impacto significativo na saúde a longo prazo, aumentando o risco de doenças cardiovasculares e outras complicações.

Um dos cálculos que auxiliam a detectar a obesidade é o IMC — índice de massa corporal. Um IMC acima de 30 é considerado obesidade, enquanto um IMC entre 25 e 29,9 indica sobrepeso. Porém, é preciso considerar outros aspectos que um médico especialista será capaz de avaliar.

Como prevenir a obesidade na adolescência?

Os pais e responsáveis têm papel central: são “modelos” e criadores de ambientes — físicos, alimentares, emocionais — que favorecem ou dificultam hábitos saudáveis.
Algumas estratégias práticas:

  • Reeducação alimentar em família:

    • Inserir frutas, verduras e legumes nos lanches;

    • Reduzir ultraprocessados;

    • Trocar alimentos comuns por versões mais saudáveis (em casa) e envolver o adolescente na escolha e preparo.

  • Ambiente alimentar em casa: facilitar o acesso a alimentos saudáveis, ter menor destaque para os ultraprocessados, fazer compras juntos, levar ao mercado ou feira.

  • Estímulo à atividade física:

    • Diminuir o tempo de telas (smartphones, videogames, TV);

    • Permitir que o adolescente experimente diferentes modalidades esportivas para descobrir qual gosta;

    • Ter atividade física regular ajuda não só na manutenção de peso, mas melhora de humor, autoestima e qualidade de vida (o que facilita outros hábitos saudáveis).

  • Comunicação e engajamento:

    • Promover diálogo aberto sobre alimentação, corpo, autoestima;

    • Mostrar que o cuidado com o corpo não é só estética, mas saúde — física + emocional;

    • Envolver todo o núcleo familiar — quando os pais mudam hábitos, o adolescente tende a acompanhar.

  • Equilíbrio: 

    • O cuidado com emoções, com a identidade, com o pertencimento também faz diferença.  O adolescente precisa sentir que seu corpo importa, sua saúde importa, mas também que ele é valorizado como pessoa e que se trata de um processo, não apenas de “dieta”.

Quais fatores influenciam na obesidade?

O estudo da obesidade na adolescência requer uma compreensão das particularidades desse período da vida. O intenso crescimento físico e as necessidades nutricionais aumentadas tornam os adolescentes mais vulneráveis ​​a padrões alimentares inadequados. Conheça os principais fatores que podem influenciar na obesidade.

Genética

A predisposição genética pode determinar a propensão à acumulação de tecido adiposo. Essa predisposição é notavelmente observada na correlação entre os índices de massa corporal dos adolescentes obesos e de seus familiares biológicos, sugerindo uma herança genética para essa condição.

A Fiocruz destaca que “a obesidade pode ainda ter correlação com variações hormonais, tais como: excesso de insulina, deficiência do hormônio de crescimento, excesso de hidrocortisona, os estrógenos, etc.”.

Hábitos

Na adolescência, os padrões alimentares que adotamos frequentemente perduram até a idade adulta, ressaltando o quão importante é esse período para estabelecer hábitos saudáveis. Além disso, é comum que muitos adolescentes, em momentos difíceis, se tornem mais sedentários, o que, combinado com uma dieta inadequada, pode ser um grande fator contribuinte para o ganho de peso nessa fase.

A falta de exercício físico e o consumo excessivo de alimentos ricos em calorias, mas carentes de nutrientes essenciais, como muitos alimentos ultraprocessados, podem resultar em desequilíbrio energético e, consequentemente, no aumento de peso.

Estresse

Quando os adolescentes enfrentam situações estressantes, como pressões escolares, conflitos familiares ou problemas sociais, podem recorrer a estratégias inadequadas de enfrentamento, como a alimentação compulsiva.

O ato de comer em excesso ou consumir alimentos pouco saudáveis pode servir como uma forma temporária de alívio do estresse, proporcionando conforto emocional imediato. No entanto, esses comportamentos alimentares disfuncionais podem levar a um círculo vicioso, em que o ganho de peso pode aumentar ainda mais o estresse e a ansiedade do adolescente.

Como tratar a obesidade na adolescência?

A obesidade na adolescência é um problema complexo que requer uma abordagem ampla e multidisciplinar. Ao reconhecer os aspectos subjetivos envolvidos na obesidade, podemos desenvolver intervenções mais eficazes que promovam uma relação saudável com a comida, o corpo e a saúde emocional.

Por isso, investir em abordagens integradas que considerem as necessidades físicas, emocionais e psicossociais dos adolescentes é essencial para enfrentar esse desafio e promover um futuro mais saudável e feliz para as gerações futuras.

Como estimular hábitos saudáveis?

É importante criar um ambiente que torne os hábitos saudáveis acessíveis e atrativos para os adolescentes. Isso pode incluir a disponibilidade de opções de alimentos saudáveis em casa e na escola, bem como a criação de espaços seguros e convidativos para a prática de atividades físicas.

Além disso, as escolas podem fornecer educação nutricional, ao promover palestras com nutricionistas, e oportunidades para a prática de exercícios físicos, como aulas de educação física e atividades extracurriculares.

Incorporar informações sobre alimentação saudável e bem-estar físico no currículo escolar pode ajudar os adolescentes a desenvolverem uma compreensão mais profunda dos benefícios de um estilo de vida saudável e a adotarem escolhas positivas em relação à alimentação e ao exercício.

Também é indispensável fornecer apoio emocional; incentivo positivo pode ajudar os adolescentes a superar os desafios e obstáculos para adotar um estilo de vida saudável.

Quando procurar ajuda médica?

É importante procurar ajuda médica sempre que houver preocupações com o peso ou a saúde geral do adolescente. Os profissionais de saúde podem oferecer orientações especializadas e apoio individualizado para lidar com questões relacionadas à obesidade e desenvolver estratégias eficazes para promover um estilo de vida saudável.

A teoria psicanalítica e a psicoterapia oferecem um bom suporte sobre os aspectos subjetivos da obesidade na adolescência. Ao entender a adolescência como um período de intensas transformações físicas e emocionais, essas áreas reconhecem a complexidade das questões relacionadas à alimentação e à imagem corporal nessa fase da vida.

Ao oferecer um espaço de escuta e reflexão, os adolescentes exploram suas questões emocionais e comportamentais relacionadas à alimentação e ao peso. Isso pode ajudar a desfazer padrões disfuncionais de comportamento alimentar e promover uma relação mais saudável com a comida e o corpo.

A obesidade na adolescência é um problema sério que requer atenção e ação imediatas. Os pais têm um papel crucial a desempenhar na prevenção e no tratamento dessa condição, promovendo hábitos saudáveis e buscando ajuda profissional quando necessário. A escola é o ambiente em que a conscientização pode ser fomentada. Ao trabalharmos juntos, podemos ajudar os jovens a evitar problemas em decorrência do sobrepeso.

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