Família

Autismo em bebês: como identificar os sinais e o que fazer

Por FTD Educação

Estimativa de leitura: 6min 15seg

27 de agosto de 2024

Autismo em bebês é um assunto sério que precisa ser observado com atenção, pois reflete na qualidade de vida.

Apesar de ser um tema bastante debatido, o Transtorno do Espectro Autista (TEA) continua a causar muitas incertezas — principalmente quando se trata de autismo em bebês. Devido à tenra idade dos pequenos e à pouca interação com outras pessoas, os pais encontram dificuldades em identificar essa condição.

Muitas evidências são sutis e podem ser confundidas com variações normais do desenvolvimento infantil. A investigação cuidadosa e a anotação de comportamentos diferenciados levantam informações relevantes para os profissionais de saúde.

Neste conteúdo, reunimos os sinais que indicam autismo em bebês e mostramos como buscar ajuda especializada para diagnóstico e tratamento adequados. Confira.

O que é autismo?

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição relacionada ao neurodesenvolvimento que influencia o modo como a pessoa percebe e se relaciona com o ambiente ao seu redor. É caracterizado por dificuldades na comunicação e interação social, além de padrões comportamentais restritivos e repetitivos.

O termo “espectro” corresponde aos sintomas e níveis de severidade que variam entre os indivíduos. Existem autistas que apresentam dificuldades no cotidiano, enquanto outros são altamente funcionais e independentes.

Os sinais de autismo podem aparecer nos primeiros anos de vida. Algumas crianças neurodivergentes apresentam sinais desde muito cedo. Já outras podem evoluir normalmente até certo período e, em seguida, regredir. Contudo, com a atenção dos pais e cuidadores, é possível detectar diversas nuances comportamentais e ambientais.

O diagnóstico precoce é muito importante porque acelera a realização de intervenções que melhoram o desenvolvimento e a qualidade de vida do indivíduo autista.

Quais os principais sinais de autismo em bebês?

As respostas reativas, ou ausentes, dos pequenos trazem uma série de referências para os pais. Conheça os sinais mais evidentes.

Pouco contato visual durante a amamentação

Um bebê autista pode não responder aos estímulos da mãe assim que vem ao mundo. Durante a amamentação, é esperado que os dois troquem olhares de forma recíproca, sem desvios ou incômodos por parte da criança.

Não responder a sons altos

Nos primeiros meses, os pais costumam chamar a atenção do bebê por meio de ruídos. Se ele não virar o rosto para procurar a origem do som e mostrar desinteresse, fique alerta.

Nesse sentido, o teste da orelhinha pode ser feito para avaliar a condição auditiva e prosseguir com a investigação, caso o resultado da escuta ativa esteja dentro da normalidade.

Dificuldade ou atraso na fala

Além de não responder a sons, a criança pode não emitir ruídos. Essa condição tende a ser notada no futuro, por meio da dificuldade de estabelecer conexões sociais na infância, na adolescência e na vida adulta.

Bebês com autismo não têm interesse em chamar a atenção daqueles que estão ao seu redor, não emitindo gemidos ou gritos com esse propósito. Em casos de comprometimento verbal, esse é um detalhe a ser considerado.

Isso indica que crianças autistas, usualmente pouco comunicativas, não incorporam palavras comuns do desenvolvimento da fala entre o décimo mês e o segundo ano de idade em sua rotina, expressando-se somente quando necessário por meio de frases curtas.

A partir dos dois anos, elas tendem a se comunicar virando o rosto de um adulto ou repetindo palavras que escutam com frequência.

Ausência de expressões faciais

É esperado que um bebê tenha o rosto expressivo, a fim de demonstrar satisfação e insatisfação. Esse é um sinal que pode não fazer parte da vida do autista, pela inabilidade de compreender e expressar sentimentos de maneira convincente.

A partir do segundo mês de vida, crianças começam a sorrir, mesmo sem compreender o significado, especialmente quando próximas de pessoas, animais ou objetos.

Por sua vez, indivíduos com autismo não mudam de expressão e não correspondem a sorrisos, risadas e acenos, sendo difícil compreender o que estão pensando ou sentindo. Além disso, demonstram irritabilidade e choram com certa frequência, mesmo com descarte de condições habituais, como fome, cólicas e infecções.

Recusa a respeito das manifestações de afeto

Bebês com suspeita de autismo recusam práticas afetuosas, como beijos e abraços, demonstrando repulsa por conta da proximidade — além de não ficarem muito tempo no colo por causa do contato corporal. Manifestam tais reações mesmo com quem convivem diariamente.

Aborrecimento com mudanças na rotina

É bastante comum que a criança autista faça birra ou fique agressiva quando a rotina é alterada de modo repentino ou o ambiente de casa sofre mudanças.

Tais transições podem parecer naturais e imperceptíveis para os pais, mas a simples troca de embalagem do alimento preferido ou da pelúcia para dormir desencadeia quadros de aborrecimento nos pequenos. Isso ocorre pela rigidez cognitiva no TEA, que dificulta a capacidade de adaptação do indivíduo.

Movimentos repetitivos

As estereotipias são caracterizadas pela realização de comportamentos involuntários e constantes. Dessa forma, alguns bebês andam na ponta dos pés, balançam de maneira pendular (para os lados), chacoalham as mãos ou giram sem motivos aparentes. Os movimentos surgem em situações de alegria, ansiedade ou tristeza.

Como agir quando notar os sinais do TEA no bebê?

Se você perceber que seu bebê apresenta condições atípicas de desenvolvimento, é preciso tomar algumas medidas. Veja como proceder.

Marque uma consulta com o neuropediatra

Anote tudo em detalhes e discuta as preocupações com um especialista. Com base nos dados levantados, ele fará uma avaliação mais aprofundada para determinar se seu bebê está no espectro autista. Esse procedimento é feito por meio de questionários, observações diretas e testes específicos.

Outros exames podem ser recomendados para descartar condições que manifestam sintomas semelhantes.

Inicie as intervenções necessárias

Tratamentos como a Análise do Comportamento Aplicada (ABA), a terapia ocupacional e a fonoaudiologia são aplicados para desenvolver habilidades sociais, de comunicação e comportamentais no bebê. No entanto, esses são apenas alguns métodos para auxiliar na progressão da criança, considerando que cada uma tem necessidades distintas.

Envolva-se ativamente no tratamento

Aprenda sobre o autismo, entre em grupos de apoio e conecte-se com outros pais na mesma situação. Esse envolvimento melhora o suporte emocional dos pais, além de favorecer a troca de experiências para aprender como lidar com condições delicadas a exemplo de situações sobre conscientização e inclusão.

Cuide de você

Tomar conta de uma criança autista é uma missão desafiadora. Por isso, é importante priorizar sua saúde física e emocional. Busque suporte de familiares, amigos e profissionais de saúde mental quando necessário.

Como visto, os sinais de autismo em bebês podem ser percebidos na mais tenra idade. Vale ressaltar a importância de iniciar o tratamento mesmo antes de fechar o diagnóstico sobre o nível de suporte necessário. Afinal, o tempo conta muito no desenvolvimento cognitivo e comportamental dos pequenos.

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