O TEA é um assunto bastante comentado devido ao aumento de casos diagnosticados nos últimos anos. Compreender os diferentes níveis de suporte pode ajudar a buscar ajuda de profissionais especializados para seu filho.
O Transtorno do Espectro Autista (TEA), conhecido como autismo, é uma condição complexa de desenvolvimento neurológico que impacta a comunicação social e os comportamentos.
Muitas pessoas têm dúvidas sobre o assunto, por isso buscar boas fontes de informação é sempre muito importante. Um dos principais questionamentos é: quais são os níveis de autismo e como identificá-los?
Pensando nisso, nosso objetivo neste texto é aprofundar a compreensão dos níveis de suporte do autismo e ajudar os pais a identificar e a entender melhor os desafios específicos que seus filhos podem enfrentar. Boa leitura!
O que é o autismo?
As causas exatas do TEA ainda são desconhecidas, mas acredita-se que uma combinação de fatores genéticos e ambientais o influenciem.
Estudos indicam um forte componente genético, mas fatores como a idade avançada dos pais na concepção e certas condições durante a gravidez também são considerados riscos aumentados.
Os sintomas do autismo geralmente aparecem nos primeiros anos de vida e incluem:
- atraso na linguagem;
- dificuldades de interação social;
- padrões de comportamento restritos e repetitivos.
Segundo o Censo escolar do Brasil houve um aumento de 280% no número de estudantes diagnosticados com TEA matriculados em escolas públicas e particulares entre 2017 e 2021.
Diante desse número, é crucial que os pais estejam atentos aos primeiros sinais de alerta para buscar uma avaliação profissional adequada e um plano de ação que envolva acessibilidade e inclusão.
Quando nos informamos a respeito do TEA, é importante procurarmos fontes confiáveis e atuais sobre o assunto. O Jornal da Unesp (Universidade Estadual Paulista) enfatiza a importância de desconsiderar teorias ultrapassadas, como a associação do TEA com a vacinação ou a poluição, e destaca a relevância do diagnóstico precoce e da intervenção para melhorar a qualidade de vida das pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo.
Quais são os sinais de alerta e como chegar ao diagnóstico?
O diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista é predominantemente clínico e deve ser feito por uma equipe multidisciplinar.
Já nos primeiros 18 meses de vida, a aplicação de instrumentos de rastreamento, como o M-CHAT-R, é recomendada durante consultas pediátricas regulares para avaliar o risco de transtornos de desenvolvimento.
O que é M-CHAT-R?
O M-CHAT-R (Modified Checklist for Autism in Toddlers, Revised) é uma ferramenta de triagem projetada para identificar crianças que podem ter o Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Ele é composto por 20 perguntas direcionadas aos pais ou cuidadores sobre o comportamento da criança, cobrindo áreas como resposta a chamados, interesse por outras crianças, brincadeiras de faz de conta, reações a mudanças na rotina, entre outros. As respostas ajudam a identificar comportamentos que são consistentes com os observados em crianças com TEA.
Após a aplicação do questionário, se um determinado número de respostas sugerir “risco” de TEA, recomenda-se uma avaliação mais aprofundada por um profissional qualificado para confirmar o diagnóstico e discutir possíveis intervenções. O M-CHAT-R é uma ferramenta de acesso gratuito e amplamente utilizada em vários contextos, incluindo consultas pediátricas de rotina, para ajudar a detectar sinais de autismo o mais cedo possível.
Como chegar ao diagnóstico?
O diagnóstico do autismo é um processo complexo que geralmente envolve uma equipe de especialistas. A avaliação inclui exames médicos e psicológicos detalhados, observações comportamentais e a coleta de um histórico minucioso do desenvolvimento da criança. Essa abordagem é fundamental para determinar o nível de suporte necessário.
Conheça algumas das etapas mais comuns da avaliação:
- triagem inicial: ocorrerá durante as consultas de rotina ao pediatra;
- avaliação abrangente: análises feitas a partir de uma observação comportamental, entrevista com os pais e testes padronizados;
- avaliação de saúde geral: avaliações médicas adicionais podem ser realizadas para descartar outras condições médicas;
- avaliação de desenvolvimento: avaliar outras áreas de desenvolvimento e habilidades, como fala, linguagem e habilidades motoras;
- diagnóstico: com base nas informações coletadas, uma equipe de especialistas determinará se a criança atende aos critérios diagnósticos para TEA, conforme definido em manuais de diagnóstico como o DSM-5 (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, Fifth Edition);
- plano de intervenção: é desenvolvido um plano de intervenção individualizado para atender às necessidades específicas da criança.
Quais os sinais de alerta?
Alguns sinais de alerta podem auxiliar no momento de procurar um especialista da área, mas lembre-se de que os sinais abaixo não necessariamente indicam autismo:
- poucas expressões faciais ou baixo contato visual aos 6 meses;
- não responder a sorrisos e balbucios aos 9 meses;
- ausência de gestos convencionais ou de balbucios aos 12 meses;
- não usar gestos, como apontar, aos 14 meses;
- ausência de brincadeiras de faz de conta aos 18 meses;
- em qualquer idade, regressão nas habilidades sociais ou de comunicação já adquiridas.
Quais são os níveis de suporte no autismo?
De acordo com o DSM-V — o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais —, a gravidade do TEA é dividida em três níveis, que ajudam a determinar o tipo e a intensidade do suporte necessário para as crianças neurodivergentes. Confira a seguir.
Nível 1: solicitar apoio
As crianças nesse nível têm dificuldades em iniciar interações com outras pessoas e podem ter respostas atípicas a aberturas sociais. Elas conseguem comunicar seus interesses e necessidades básicas de maneira rotineira, mas com pouco uso de comunicação não verbal.
Nível 2: solicitar apoio substancial
Indivíduos com TEA de nível 2 têm déficits mais acentuados na comunicação social e são extremamente limitados na abertura de interações. Eles respondem de forma reduzida ou atípica a gestos sociais e requerem apoio substancial.
Nível 3: solicitar apoio muito substancial
Esse nível é caracterizado por graves deficiências na comunicação social. As interações são mínimas, e a resposta às aberturas sociais é frequentemente inexistente. O apoio necessário é contínuo e intensivo.
Qual a possibilidade de tratamento e intervenção?
O tratamento do TEA é altamente individualizado e geralmente envolve uma combinação de terapias comportamentais, educacionais e familiares. As intervenções podem incluir:
- análise comportamental aplicada (ABA);
- terapias de fala e linguagem;
- terapia ocupacional;
- abordagens medicamentosas para tratar sintomas específicos.
A participação ativa da família e a colaboração com profissionais são fundamentais para maximizar o desenvolvimento da criança e adaptar as intervenções a uma variedade de situações diárias.
Identificar o nível de autismo em uma criança pode ser um desafio, mas é essencial para fornecer orientações práticas que ajudam o jovem a alcançar seu pleno potencial. Os pais devem procurar apoio profissional assim que suspeitarem de possíveis sinais de autismo e estar preparados para trabalhar em conjunto com uma equipe multidisciplinar.
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