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Autores negros que todo professor deveria conhecer 

Por Jhully Baptista

Estimativa de leitura: 5min 58seg

4 de novembro de 2025

Trabalhar com autores negros brasileiros na escola faz toda a diferença na formação de cidadãos que compreendem a importância da ancestralidade, da representatividade e do respeito à diversidade. 

A sala de aula é, por excelência, um espaço de formação de olhares. Cada livro escolhido, cada voz lida em voz alta, cada autor estudado contribui para moldar a forma como os estudantes percebem o mundo e a si mesmos. 

Quando professores incluem autores e autoras negros(as) em suas práticas de leitura, não apenas diversificam o currículo: eles recontam a história a partir de novas perspectivas, promovendo reconhecimento, empatia e pensamento crítico. É nesse gesto de curadoria e intencionalidade pedagógica que a Educação se aproxima de seu papel mais transformador. 

Por que ler autores negros é uma escolha pedagógica essencial 

Durante muito tempo, a literatura e os livros didáticos retrataram personagens negros de forma estereotipada: o “malandro”, a “mucama”, o “personagem secundário”. 

Esses imaginários, repetidos geração após geração, limitaram a compreensão sobre o que significa ser negro no Brasil. Mas a literatura também pode ser um território de resistência e de reconstrução de narrativas positivas. 

Autores e autoras negros(as) vêm, há décadas, oferecendo olhares que reposicionam o protagonismo negro na cultura, na história e na filosofia. Quando levados à sala de aula, esses textos não são apenas conteúdos, mas ferramentas para uma Educação antirracista, um compromisso previsto em lei (Lei 10.639/03) e indispensável para a formação cidadã para todas as pessoas. 

Trabalhar com literatura negra é, portanto, uma escolha pedagógica que: 

  • amplia o repertório cultural dos estudantes; 
  • contribui para a desconstrução de estereótipos; 
  • reforça o sentimento de pertencimento e autoestima de crianças e jovens negros; 
  • desperta empatia e respeito em toda a comunidade escolar. 

Por isso, incluir autores negros é também um ato de reparação histórica, um gesto pedagógico que amplia o olhar sobre o Brasil e suas múltiplas vozes. 

Autores negros para trabalhar com crianças e adolescentes 

Na escola, a literatura infantojuvenil negra é uma ferramenta poderosa para formar leitores empáticos, conscientes e orgulhosos de suas origens. As obras a seguir trazem histórias que valorizam a ancestralidade, o respeito e o direito de ser quem se é. 

1. Júlio Emílio Braz 

    Julio Emilio Braz

    Trata de racismo, ancestralidade e diversidade em linguagem acessível aos jovens. Obras como Felicidade não tem corInfância Roubada Lendas Negras estão entre as mais utilizadas em escolas. 

    2. Ruby Goka 

    Ruby Goka

    Em Mesmo quando sua voz falhar, primeira publicação da escritora africana no Brasil, ela aborda abuso e coragem na denúncia. Boa escolha para trabalhar com alunos do Ensino Médio.  

    3. Kiusam de Oliveira 

    Kiusam Oliveira

    Omo-Oba: Histórias de Princesas e O Mundo no Black Power de Tayó apresentam mitos africanos e temas de autoestima infantil. 

    4. Heloisa Pires Lima 

    Heloisa Lima

    Com títulos como O Menino Nito e O Cabelo de Lelê, valoriza a diversidade racial e cultural de forma lúdica e acessível. 

    5. Lázaro Ramos

    lazaro ramos

    Em O Caderno de Rimas do João e A Velha Sentada trabalha com humor, afetividade e respeito às diferenças.

    6. Emicida

    emicida

    Amoras E foi assim que eu e a escuridão ficamos amigas são as duas produções que colocaram o rapper no topo da lista de autores infantis nos últimos anos. 

    7. Oswaldo Faustino 

    Oswaldo Faustino

    Autor da série Luana, traz à literatura infantil uma protagonista negra curiosa e corajosa, que vive aventuras cheias de ancestralidade, afetividade e descobertas. Suas histórias dialogam com temas da cultura afro-brasileira de forma leve e educativa. 

    Essas obras podem ser exploradas em projetos de leitura, rodas de conversa, produções artísticas e feiras literárias escolares, sempre valorizando a escuta, o diálogo e o protagonismo dos estudantes. 

    Autores negros para o professor refletir e ampliar repertório 

    Esses escritores e escritoras trazem olhares profundos sobre o Brasil contemporâneo. Ler suas obras é mergulhar em histórias que atravessam questões de identidade, fé, política, afeto e desigualdade, e que ajudam o educador a se formar como leitor e cidadão. Afinal, sabemos que o aprendizado não é reservado apenas para as crianças, é preciso que toda a sociedade, principalmente os adultos, se coloquem como aprendizes para um futuro mais equânime. 

    1. Conceição Evaristo

    Conceição Evaristo

    Com sua “escrevivência”, une memória, dor e esperança em narrativas como Olhos d’Água e Ponciá Vicêncio

    2. Itamar Vieira Junior

    Itamar Vieira Junior

    Autor de Torto Arado, traduz em sua prosa poética as lutas de trabalhadores rurais e o poder da ancestralidade. 

     3. Djamila Ribeiro 

    Djamila Ribeiro

    Filósofa e autora de Pequeno Manual Antirracista, provoca reflexões fundamentais sobre lugar de fala e práticas educativas antirracistas. 

    4. Carolina Maria de Jesus 

    Carolina Maria de Jesus

    Autora de Quarto de Despejo, é um marco da literatura marginal e da voz popular brasileira. 

    Esses autores ajudam o professor a refletir sobre sua própria trajetória, práticas e repertórios, ampliando a visão sobre o papel da literatura na construção de uma Educação verdadeiramente antirracista, plural e humanizadora. 

    Outros nomes de autores negros essenciais 

    Para além dos autores e autoras contemporâneos, há vozes históricas e internacionais que marcaram profundamente o pensamento social, literário e educativo. Conhecê-los é compreender as raízes e a amplitude da literatura negra no Brasil e no mundo. 

    • Lima Barreto — autor de Triste Fim de Policarpo Quaresma, retratou com ironia e lucidez o racismo e a hipocrisia da sociedade brasileira do início do século XX. 
    • bell hooks — intelectual e educadora norte-americana, autora de Ensinando a Transgredir, referência para quem deseja compreender educação, gênero e raça de forma interseccional. 
    • Chimamanda Ngozi Adichie — escritora nigeriana de Hibisco Roxo, inspira discussões sobre identidade, imigração e gênero. 
    • Luiz Gama — advogado, jornalista e poeta abolicionista, utilizou a palavra como arma de libertação e denúncia contra a escravidão. 
    • Machado de Assis — um dos maiores nomes da literatura brasileira, filho de pais negros, retratou com ironia e sutileza as desigualdades e contradições de seu tempo. 
    • Castro Alves — o “Poeta dos Escravos”, autor de O Navio Negreiro, usou sua poesia como instrumento de denúncia e defesa da liberdade. 
    • Abdias do Nascimento  Ativista, dramaturgo e fundador do Teatro Experimental do Negro, Abdias foi um dos principais pensadores da negritude no Brasil. 

    Esses nomes ampliam o repertório do professor e permitem conexões entre diferentes épocas, estilos e perspectivas do pensamento negro: do romantismo ao contemporâneo, da luta abolicionista à literatura afrofuturista. 

    Agora, que tal aproveitar o gancho e ver mais obras de autores negros na Loja Lumisfera?! Acesse!

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